terça-feira, 21 de março de 2017

nos rastros, formatos abstratos

sempre de cada em quando me deparo
com teus sapatos no meio da sala, não,
com a imagem
dos teus sapatos no meio da sala, com
o espectro dos teus sapatos
no meio
da sala

eu me confronto com uma assombração
de um dia de uma tarde de sol fraco,
várias nuvens no céu, formatos abstratos,
de um mim que dizia 'me escolha me escolha
me escolha me escolha me escolha
me recolha',
eu não sei decifrar

sempre de cada em quando me deliro
com uma noite esquecida, taças de vinho na mesa,
batons nas bordas, mim e ti,
chuva que caía forte, seu barulho dizia
tanto, mais do que lágrimas, mais do que sonhos,
vestes feitas de vontade, o amor mais sombrio e
demente, cai feito estrela

eu me dirijo à gaveta, eu abro, um pouco
tontura, sempre de cada em quando, mim, vejo
cada uma das gravuras papel e nanquim, é bonito,
é ruim, florestas morreram para você deixar pegadas,
eu perdição nos rastros,
velas acesas, queimam velozes, vento forte,
desejo que esta casa pegue fogo

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