quarta-feira, 30 de novembro de 2016

o carro queimando podia tanto ser o Estado burguês

a esplanada explode
não passa na tevê
você vê a bomba de gás rasante
ela rouba seu ar por tal
sequencia de instantes tudo confuso você
corre você é só um corpo que corre e o Estado burguês
quer te devorar

quer chegar no fundo do seu tutano
e é principalmente o sangue dos mais
jovens
que eles sugam
o Estado burguês é o moinho do Cartola, espinho mesquinho,

tem tanta fumaça que você
nem sabe direito como achar a própria mão
nem o próprio pé mas vai

vai

vai

vai

vai

vai porra vai
que os cavalos tão vindo atrás e os fdp
tão com cassetetes na mão você
protege a nuca mas não adianta
os fdp são o Estado burguês no corpo
o corpo todo ódio
que seu gado tá tentando fugir
o cassetete veio você
cai quase levanta de súbito desfalece
segura pra não cagar na calça

de dor

de dor

de dor

marginal herói coisa assim o caralho
você só quer diminuir essa merda toda
você quer derrubar essa merda toda
você quer os cavalos livres
as fardas queimadas
e uma fogueira que ilumine as noites
e tire o sono o frio e tire a fome

as gentes fritando umas cenouras
em volta da fogueira em palitos
é isso que você quer

com hospital do lado e tal
e um trampando pelo outro e tal
é isso que você quer, não é?

é muito?


isso deveria ser o chão

só que o Estado burguês faz terremotos
constantes terremotos
o Estado burguês e sua máquina-terremotos
o Estado burguês latrina sumidouro catástrofe

você só queria que
o carro queimando podia tanto ser o Estado burguês
podia ser assim

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