terça-feira, 15 de novembro de 2016

crueldade, e é necessário doçura?

raramente começo pelo título. e raramente, nos últimos tempos, faço um texto como esse que vai a seguir. sigamos... com uma espécie de um desenho pra falar de algo que quer tentar transbordar. um projeto, ao menos. mas que seja pelo menos um projeto que possa não se sustentar. feito de fragmentos desencontrados, de sucata, daquilo que acharam que não tinha valor mas a gente revalora e reelabora. sigamos. os beats devem ter lido artaud. não faz sentido. aí tô ouvindo nyc ghosts and flowers, a música, e pensando no quanto parece que tem muita crueldade no sentido artaudiano aqui. as coisas desencontradas, as dificuldades, mas uma tentativa de gerar conexões com algo misterioso. é isso que a música diz? é isso que a música me diz no aqui agora dentro. eu não me reencontro, eu me desencontro. desencontrar podia ser algo como reencontrar, e vice-versa. o problema é que tudo que estou fazendo é tentar dizer com palavras, e era melhor que eu tentasse dizer com o corpo. era melhor. coisas. estou distante de sei lá o que. artaud faz pensar na necessidade de retomar um sentido religioso da vida e uma totalidade que a modernidade ocidental fodeu. parece muito atual, na medida que as religiões evangélicas colocam falsas saídas. não por qualquer juízo de valor metafísico, mas porque do ponto de vista prático elas mascaram relações reais e exacerbam aspectos extremamente problemáticos dos modos de vida que o capitalismo tem reforçado e constantemente reiterado e tem inscrito nos corpos. artaud fala de um teatro que promova transformações. e não é, certamente, isso que precisamos? para além do teatro. mas a vida é teatro. não. não é necessário doçura.

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