sábado, 29 de outubro de 2016

esse país. como diria regininha, a duarte, eu tenho medo. e com muito mais razão que ela.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Pathos/Paths



São os descaminhos dos despenhadeiros e montes
Desnovelares de desrumos
Viradas de pescoço
Tropeçares em pedras e galhos
E das flores, tem cheiro e espinhos
Sangue pelas rimas minhas meias mulas
Cascos fendem barro fendem rocha
Estouro de milho e flores novamente pelo chão
Isso é dizer mistérios, isso é lero, é lira,
É lento, é lata, é latido,
Lobos que correm pela floresta, sou todos eles,
Devoro a carcaça que encontro no meio da clareira
E uivamos
eu perciso de vida
eu não sei o que isso quer dizer

se tô na frente de um espelho invertido

a dozen of times que me pergunto
se tô na frente de um espelho invertido
e me vejo com o cabelo grande mesmo estando careca
e me vejo a levantar o braço mesmo com ele abaixado
e me vejo seguir por um caminho mesmo parado
e me vejo oferecendo lume mesmo sem lanterna na mão
e me vejo mas não, não me vejo

mi illuminomi

que é que há, não se desarranja a dança,
mas que é que há, é uma parte de minha em nudez,
eu vou ali, ao meu canto perto daqui,
e eles não passarão, em canto algum, disparados feito balas

(doces, que caem no chão e explodem,
e se atingem alguém, fazem bu r cac os)

que é que é, revoada de pássaros flanam o céu
intuindo que buscas por miradas, não-lugares,
mas que é que é, piruetas e se não sei voar
sou apenas um corpo que cai do alto

(e pairo em mim mesmo
e me devoro como um abutre)

que é que é i', é a carcaça do sabe-de-si,
mas que é que é i', a morte define, a ordem confunde,
e em mentira, o mundo se faz de vermes que não
virarão borboletas jamais, estou longe, longe

(outra estação,
outras paragens)




quinta-feira, 27 de outubro de 2016

de um grande motivo pra ler frankenstein

Criatura: “¿Quiénes eran esas personas de las cuales estoy hecho?
¿buenas personas? ¿malas personas?”

Víctor: “Materiales. Nada más”.

Criatura: “Te equivocas. ¿Sabes que yo sabía cómo tocar esto?
(toma la flauta, toca un breve fragmento de una melodía)
¿En qué parte de mí residía este conocimiento?
¿En estas manos? ¿En esta mente? ¿En este corazón?“





trecho de Mary Shelley´s Frankenstein
via: El cuerpo en la dança desde la antropologia, de Ana Sabrina Mora

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

milhares de insetos na cozinha
um lençol fora de lugar
e o desconforto no peito

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

o toque na superfície de madeira
o toque na superfície de plástico
qual seria o barulho intervalar?

terça-feira, 18 de outubro de 2016

abandono

derrotas aos avessos,sssss, silencias e segues
ssssssss
sintoma nenhum na pele, penúrias, lamúrias, vitrola,
e gim, um tantim, eu tantã, tarântula, me
colocando pelas paredes
! ! !
! ! !
! ! !
fica um pouco disso, um pouco daquilo outro,
um pound, um ounce, um pence, um pecado, um segredo, silencia e segues
sssssssssssss
sistema nenhum na garganta, ganas, lama, derrama e me
chama de qualquer coisa qualquer tanto tantim tantã
tim-tim-por-tim-ti-ni-im
terrores, louvores, dolores sou
e hoje, um cado hoje, uma penca,
abandono

de fome

não é bem que não haja fundo
é mais que o fundo é também contato
a gente tateia o fundo com a planta do pé
e se preciso, a gente come minhoca, mas se
a minhoca acaba, a gente eventualmente morre
de fome

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

e toda diaba louca também, delírios e tudo, delírios e tudo

i am the stone

rushing through my veins

get real get right with the lord
fuck the lord fuck jesus fuck unicorns

je me parfounis
je me reviens de

qualquer sonido qualquer palavra desacontecer
revoada trovoada

sistema semantema símbolo que segue e trema trema temei
que o apocalipse chega no final para todo santo puto
e toda santa puta também, desaconteceres e tudo,

ganso que grasna lá pelo telhado de zinco

miau

hello

je me parfounis
je me reviens de
qualquer sossego qualquer sucesso qualquer catar milho

rima rema rumo
rema rema rumo

poema diadema esquema que queima e tropa tropa trepei
que o paraíso chega no final para todo diabo louco
e toda diaba louca também, delírios e tudo, delírios e tudo
um, dois, dois.
um, dois, dois.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

se é um eu

se a pele é um eu(se a pele é pêssego)
(se a pele é a roupa da alma)
se o ouvido é um eu(se o ouvido deve ficar em pé ou vermelho)
(se o ouvido é entendimento)
se a boca é um eu(se a boca grita)
(se a boca engole)
se o nariz é um eu(se o nariz às vezes se revolta)
(se o nariz tem tamanhos dos mais variados)
se um olho é um eu(se o olho é o princípio de tudo)
(se é o cu)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

espada, garrafa de vinho quebrada, gestos

apolo com sua espada
dionísio com sua garra de vinho quebrada
no meio de um poço de lama
numa luta das mais feias
(inevitabilidades do belo,
tal qual prisma que:
até o sem fim e:
quantas coisas dos im-possíveis:
dos im-ponderáveis:
dos des-medíveis:)
espada, garrafa de vinho quebrada, gestos

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

pra escapar do dilúvio

toma a terra com sementes
reflexo de si na piscina de vidro
distorcido
fragmentado
os tamanhos das paredes variam
as cores variam
e todas fecham em caixa
CAIXA ALTA CAIXA ALTA
a moça berra lá do outro lado
ela diz coisas loucas a moça ela
delira um tanto mas ela tem uma sabedoria
das mais supremas e longínquas de fundos de selvas
de segredos oscuros, de histórias natimortas,
de folhagem se misturando na terra e virando adubo,
triangulas e formas prismas
rodeia e giras
carrossel, carro de sol,
roda gigante, rodamoinho,
quixote vem a rebote
resete de malote, prometido a consorte,
tudo com um poquim de gostinho de
um quarto de lisergia desacontecendo
num quarto que cores que sons que
sonhos
flores num quadro
vasos gregos e o sexo
não dá pra ver a respiração numa representação, não dá,
e ainda assim se respira,
jangada antiga, opala, ametista,
pérolas de fundo de mar e sereias,
tons de verde, azul, torns de texto,
vórtex, dramin, crisântemo,
crise,
tudo que mais queríamos era
todo o povo tomando tudo e montando
cooperativas associações e tudo mais,
complexas novas
tapeçarias e padrões,
edifícios,
articulações e saltos para os lugares mais altos,
pra escapar do dilúvio,
radiohead,
azul no meio, bordas vermelhas,
me dá um beijo, me leva a lua,
a marte, a qualquer parte,
até que nos separe
o sono por um momento
porque seremos eternos até que
as chamas consumam e tudo então
cinzas, pó, que alguém há
de cheirar numa carreira
fina

Do dilúvio

delineios desenganos
igreja refletida no pântano
redes de pesca,
de tear, de dobradiças,
de possíveis táteis
qual mesa voadora
qual rodamoinho do saci
qual desaparecidos da ditadura
quem
onde
que
existem radicalidades dos alcances,
cantos abissais,
ninguém chega lá,
a semana inteira
fiquei esperando
pra te ver fodendo
pra te ver lacrando
quando a gente ama
rios saem de órbita quando
a gente ama qualquer
rima devira
fome
descabe os remares
desabe os montes
antes
ou depois
Do dilúvio:
eis o cesto

domingo, 9 de outubro de 2016

brecht, sobre tempos sombrios

"Nos tempos sombrios
Haverá também canções?
Sim, haverá canções
Que se referem aos tempos sombrios"



 Bertold Brecht

sobre mãos, pedras, risos e monstros

o caminhar que começa
de olhos abertos, atento, hesitante,
vendo cada pedra no caminho e tirando-as
com calma nem que seja
momentaneamente sabendo que
a seguir
elas voltam rolando sozinhas
mais a frente, ali onde
não se enxerga tão
bem assim

o caminhar segue e
de repente tua mão tá sem forças de
tirar tanta pedra do caminho assim e tu
não consegue nem dobrar dedos em torno
delas, as pedras, e se, olha bem,
se olha bem:
parece que as pedras estão rindo, sim,
elas já sabiam que isso ia acontecer

no último momento do caminhar
um branco leitoso tomou tua visão
e você sai tropeçando e caindo
a esmo
e você não pode parar porque atrás de você
vem um monstro pronto pra te devorar

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

sei não

entrega
na minha mão da têmpora
uma coisa-polvo
uma coisa-rede
uma coisa-teia
que se apega e se gruda
e quando mexo a cabeça pro lado...

vem mais um ban'di'coisa à rebote
e vez'in'quando tudo cai
e noutra'zora as coisa flutua

disseram-me
que eu 'güento
mas sei não, num
sei não

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

sinonimato

des em me enleio
nas rodilhas das texturas
que nunca à mão

sigo cherchendo
chaminho que posso
chuvas trobar

abaixo e a frente
vez se me des encontro
com um rapaz

torneios de instantes
tragues e'ou rompantes
redes e vagar

rimas rumeiras
atropelos e ribanceiras
e trovem vos

se des ins tante
hesit'antes do começo
enfim sossega