quarta-feira, 21 de setembro de 2016

l'arbre

a árvore
com frutos amarelos maduros e
alguns ainda verdes e pode-se portanto
escolher entre um e outro e até
mesmo o fruto verde pode ter seu uso, imaginemos um,
tal qual fazer uma bebida de gosto ruim,
se a intenção é sentir um gosto ruim
à boca

a árvore
que está lá e parece que convida, sendo que
somos eu e tu e cada um que colocou sua
própria árvore lá, escolheu onde plantá-la, pois
que a árvore não existe de fato, mas
a árvore também foi nos entregue nas mãos, e ainda assim
o horizonte de buracos que, imaginemos,
caberia a árvore,
é vasto e amplo

a árvore
que, imaginemos, daria diferentes frutos
de diferentes cores sabores texturas cheiros
a depender do solo, imaginemos essa árvore,
que é tanto real e quanto imaginada, e assim sendo,
feita por mim e ainda assim já dada,
mas ainda assim feita por mim e eu e tu e cada um
com o que foi dado, mas
ainda assim feita
(por quem?)

a árvore
que com cada fruto se faria um suco
e com cada suco, ou feitiço, um efeito,
e por cada olhar no copo que contém
cada suco de cada fruto
teríamos uma visão gosto cor textura e portanto
a questão:
qual fruto?

e outra questão:
como pegá-lo?

veloz & rapidamente? lenta & langorosamente?
com temor? com gana?
com ansiedade?
com fé?

o que e como.
para não passar fome.
(só que: a fome nunca passa)

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