segunda-feira, 25 de julho de 2016

porque pesam-lhe - os filhos - ao caminhar

da proporção áurea
à distância entre seus olhos
seu lábio e seu nariz
sua boceta e seu pé, soma de detalhamentos
experimentares rebentares cantares
quão grão é o tormento de certo momento
tudo é demasiado e falta termômetro qualquer coisa
desacontece aos pequenininhos pequeninos bocados
pequim xangai hong kong marrakesh eu não traço conexões
eu as rasgo
garras de wolverine
constante como um caminhante branco
reto como um cigarro aceso
eu ouço sigur rós como todo mundo lá na islândia e
aqui é o brasil e noutro canto ainda o islã
bota sempre o mundo nos ombros, não acha
ovo de ouro de galinha, que te fará ouro dourado e
a todos também ouro
eu já disse e repito: esquemas não são poemas
versos, somente os que não meçam,
e peço,
não peço,
desisto,
todos os filhos nos ombros
quantos que ainda quiseram ver a luz porque alguns no ventre mas
o ventre são ombros
porque pesam-lhe - os filhos - ao caminhar,
eu queria até dizer
que o que
ainda desacontece é bonito
mas nem é não, sigamos
por tudo quanto for mandinga que dê conta, pela
leitura das linhas das mãos, das letras, dos vãos,
das rachaduras das paredes e principalmente
principalmente das teias de aranhas, são tantos os
títulos possíveis
e uma das maiores diversões é inventar títulos, quem é que
começou com essa história?
história devires memórias
solidão frente ao céu, todos nos nus
nos debatendo com o fim,
provavelmente amargo, mas algo agridoce,
tal qual é esse fim aqui, com hematoma e tudo,
bomba de balas de gengibre,
bolha de sabão preenchidas por fumaça, nada,
a lua vermelha ao lado da torre de tevê digital,
uma plantação de abacaxis,
rosa já foi cor considerada masculina,
porra de cor com gênero o que caralho!,
ana paula pri e luisa,
é necessário diferenciar o mais do mas?
eu tenho preguiça do que invento de fazer.
eu fui vida. agora sou preguiça.

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