sábado, 16 de julho de 2016

num corpo de vidro, desses que já guardou requeijão, vim
recolhendo unhas que cortei ao longo desses longos anos, não
sei quantos, quanto mais anos na medida do universo, esses alguns
insignificantes
tais quais as manchas de minhas unhas, e as ajunto
espalho pelo longo tecido branco e começo a jogar tintas que também
também as tintas eu recolhi ao longo de trinta
anos, mas que confuso isso se tenho vinte-e-sete, quase vinte-e-oito,
e quando é que preciso colocar hífens mesmo, e paralelos que traçamos,
à mão livre eu nunca consegui fazer uma reta
à mão livre qualquer verso tem mais de reverso do que de regresso e eu me
tomo, me imponho deveres, não volto, eu digo que a mim eu devo dizer o que devo,
e o que faço para o sol?
não. é sério. é uma pergunta bem séria.
como é que fica o sol?
isso não é um poema. isso é um caralho.

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