sábado, 30 de julho de 2016

qual seria assim meu nome?

eu ando nas ruas de pedra, evito
jogar bitucas no chão, rastros se perseguirem
alcancem sim, minhas sombras, jogo de luzes, algo
confuso, algo confuso o jogo de luzes algo confundo com
coisa alguma, coisa fusa dá linhas e os cortes
chegam
cortes
chegam
cortes
chegam
eu quero alvorecer a cidade inteira luzes confusas
linhas de luz lilás carmim claridades
qual seria
assim
meu nome? e se descobrirem, assim,
eu perco meus poderes?

sexta-feira, 29 de julho de 2016

asmat of new guinea feat salomé feat judite

a cabeça no prato
como uma maçã, aberta,

um cristo
que tivesse sua cabeça entregue
à dama de vermelho, de verde,
de dourado, de cetim transparente,
venus in furs, em imagem preto e branco,
de véu e gótica, ora absorvente
noutra oblíqua,
com violência, panos vermelhos ao fundo,
sedutora,
pensativa,
dedicada,

e seria esse seu sacrifício pela humanidade

cante cante cante cante

e a passagem
do invento ao aumento ao unguento, desentardeceres
enquanto sonhas, quaisquer coisas de rubro e carmim,
turquesa, opalina, ametista, marfim,
turner é tornar, regresso, demônios anoitecem e cantam
dos segredos das terras de trás dos montes, os rumos dos
casebres são esparsos e tortuosos, sinete
ao fundo, possíveis fecundo
acontece conto e cante
cante cante cante cante

terça-feira, 26 de julho de 2016

o desejo é

o desejo é um comichão,
o desejo é um colchão furado,
o desejo é um saco de lixo preto vazio,
o desejo é um tremor didentro,
o desejo é uma coisa muda,
o desejo é o desrespeito ao solene,
o desejo é o amassar das folhas de um livro dentro da bolsa,
o desejo é

segunda-feira, 25 de julho de 2016

o resto é silêncio

porque pesam-lhe - os filhos - ao caminhar

da proporção áurea
à distância entre seus olhos
seu lábio e seu nariz
sua boceta e seu pé, soma de detalhamentos
experimentares rebentares cantares
quão grão é o tormento de certo momento
tudo é demasiado e falta termômetro qualquer coisa
desacontece aos pequenininhos pequeninos bocados
pequim xangai hong kong marrakesh eu não traço conexões
eu as rasgo
garras de wolverine
constante como um caminhante branco
reto como um cigarro aceso
eu ouço sigur rós como todo mundo lá na islândia e
aqui é o brasil e noutro canto ainda o islã
bota sempre o mundo nos ombros, não acha
ovo de ouro de galinha, que te fará ouro dourado e
a todos também ouro
eu já disse e repito: esquemas não são poemas
versos, somente os que não meçam,
e peço,
não peço,
desisto,
todos os filhos nos ombros
quantos que ainda quiseram ver a luz porque alguns no ventre mas
o ventre são ombros
porque pesam-lhe - os filhos - ao caminhar,
eu queria até dizer
que o que
ainda desacontece é bonito
mas nem é não, sigamos
por tudo quanto for mandinga que dê conta, pela
leitura das linhas das mãos, das letras, dos vãos,
das rachaduras das paredes e principalmente
principalmente das teias de aranhas, são tantos os
títulos possíveis
e uma das maiores diversões é inventar títulos, quem é que
começou com essa história?
história devires memórias
solidão frente ao céu, todos nos nus
nos debatendo com o fim,
provavelmente amargo, mas algo agridoce,
tal qual é esse fim aqui, com hematoma e tudo,
bomba de balas de gengibre,
bolha de sabão preenchidas por fumaça, nada,
a lua vermelha ao lado da torre de tevê digital,
uma plantação de abacaxis,
rosa já foi cor considerada masculina,
porra de cor com gênero o que caralho!,
ana paula pri e luisa,
é necessário diferenciar o mais do mas?
eu tenho preguiça do que invento de fazer.
eu fui vida. agora sou preguiça.

idiomas, palavras

jamais me esquecer
de quando eu inventava
idiomas, palavras, insatisfeito com os usos de sempre,
querendo novos possíveis de ser.

jamais me esquecer
que é possível alucinar e escurecer
em simultâneo, quer dizer,
eu acho que é possível sim.
se não for, eu faço ser.

delírios de espelho

eu te encontro dentro de mim,
eu te vejo pelas passagens,
e só.
chega. chega junto.

chama que chama chama.

hoje eu li que intenção e seta são coisas relacionadas.
eu vivo fragmentos.
este é um deles.

o leão morre no final.
um novo leão vem.
a gente conta os dias. eu, eu, eu eu, e mais eu eu. e eu.

kintsugi?

é uma coisa
das mais delicadas e por isso
exatamente por isso mesmo
se quebrou,

e é curioso que a mente
- essa que age por si -
pense nos japoneses, ainda mais que

- e a mente
- a mesma que age por si -
sabe que -

não tem mais ouro
por essas bandas.

reverso de rota

quando se quebra galhos
parte do que é sólido
flutua 

e quando se quebra a cara?
a mão que vem sem que você nem veja,
as mãos que se movem tortas sem saber para onde querem ir.

eu quero alcançar seu rosto
fazendo um hematoma.

isso é feio.

não, não,
será um belo hematoma.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Lévi-Strauss através de Dan Sperger em "On Anthropological Knowledge"

Parrots and squirrels are famous fruit-eaters . . . and men about to go headhunting feel a relationship to these beings and call themselves their brothers . . . (because of the) parallelism between the human body and a tree, the human head and its fruits (Zegwaard 1959, quoted in Lévi-Strauss 1966: 61).

segunda-feira, 18 de julho de 2016

e ela dizendo que queria ser o elefante estabanado na loja de porcelana

e a cegar, na terra que ninguém terá sequer um olho

canseira da necessidade de ordenamento.
e os acontecimentos acontecem.
e sua uma ausência acontece em mim, não que a sinto só,
é o futuro, é o passado, é o nunca,
é escrever seu nome no azulejo do banheiro, é o
florir das flores de shiva no azulejo do banheiro, que flor
e riem, flor e foram, flor e vão,
é o nome do meio do meu duplo nome,
eu que sou um targaryen, eu que trepei com lancelot, certamente,
eu que sofri os fins e finais,
entro no modo compulsivo de novo, evito a poesia,
tons e tonais, modos e modais, semanas e semanais,
semi semi semi inteiramente semi
bom quando a água gelada arde a garganta e você
rebate com cigarro logo a seguir,
e a cegar, na terra que ninguém terá sequer um olho

sábado, 16 de julho de 2016

num corpo de vidro, desses que já guardou requeijão, vim
recolhendo unhas que cortei ao longo desses longos anos, não
sei quantos, quanto mais anos na medida do universo, esses alguns
insignificantes
tais quais as manchas de minhas unhas, e as ajunto
espalho pelo longo tecido branco e começo a jogar tintas que também
também as tintas eu recolhi ao longo de trinta
anos, mas que confuso isso se tenho vinte-e-sete, quase vinte-e-oito,
e quando é que preciso colocar hífens mesmo, e paralelos que traçamos,
à mão livre eu nunca consegui fazer uma reta
à mão livre qualquer verso tem mais de reverso do que de regresso e eu me
tomo, me imponho deveres, não volto, eu digo que a mim eu devo dizer o que devo,
e o que faço para o sol?
não. é sério. é uma pergunta bem séria.
como é que fica o sol?
isso não é um poema. isso é um caralho.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

em tintas
rasga o painel pintado de tintas
ódio a tons ódio a tudo destruir o que fiz
eterno irrevir irrevir irrevir
eu faço as fendas do existir aquiagora
o corpo que não se enquadra, que não se permite enquadrar, que não é dócil,  que transborda
Na vida
Eu sou a mina loka no cantinho alí

quinta-feira, 7 de julho de 2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

busco fidelidade a mim, busco me ser fidedigno, fidalguia me passe ao largo, passos firmes, não os meus, e ainda ressigo ressoo qualquer intuição que percorre a pele, que possa fluir de se sentir algo, tanto qualquer algo, tanto quanto algo, semelhanças não se brotam, instantes neles mesmos, viver como que aos tropeços, poeticamente aos tropeços, olhando sempre por espelhos e portanto são imagens que te miram de volta, e você mira e elas te miram e é aquela coisa, quando vê, tá desnudo, é o acontecimento de saber da carne a tua própria, é o desenrolar-se de si, novelo que se estende e sabe percorrer trocentos quilômetros, sempre em frente, com bastante tempo, perdas e ganhos, a gente não sabe o que quer dizer e diz, a gente sem saber faz boniteza pelos cantos, como arremedos, como tapeçarias, como móbiles, como parangolés, como o mictório de duchamp, ê-lá porra, ê-lá baba, ê-lá suor, ê-lá lágrima, ê-lá escarro, ê-lá tudo que escapa, as vozes - elas - são
e eu sou um ser humano normal

segunda-feira, 4 de julho de 2016

o branco para kandinsky

O branco
"(...) é o símbolo de um mundo no qual desapareceram todas as cores enquanto qualidades e substâncias materiais. Esse mundo está tão acima de nós que nenhum de seus sons no alcança. Somos envolveidos num grande silêncio que, representado materialmente, parece um muro frio intransponível, indestrutível e infinito. Por isso o branco atua sobre nossa alma como um grande silêncio absoluto. Interiormente soa como uma "não-sonoridade", que pode ser equiparado a determinadas pausas musicais que interrompem temporariamente o curso de uma frase ou de um conteúdo sem constituir o término definitivo de um processo. É um silêncio que não está morto, mas, ao contrário, pleno de possibilidades. O branco soa como um silêncio que imediatamente pode ser compreendido.

É um "nada" juvenil ou, em outros termos, o "nada" anterior ao começo, ao nascimento. Talvez a terra tenha ressoado assim durante os tempos brancos da era glacial."

Do espiritual na arte, de Kandinsky.
via: Dorothea Passetti em Lévi-Strauss, Antropologia e Arte

sábado, 2 de julho de 2016

"And I'm watching you now
I see you building the castle with one hand
while tearing down another with the other"

que

que
o nome escrito em minha testa seja triunfo, que
o caminhar distinto e firme dos antílopes de mim não deixe pegadas para que
hienas não me alcancem, que
todos os dias que o sol se levante ele o faça com amor que
doura e cozinha, que
eu não seja cru, que
eu não torre, que
a paciência seja minha irmã siamesa, que
meus olhos sejam de gato tais fendas do abismo dragando profundezas que
se coloquem querendo me levar abaixo, que
não aconteçam catástrofes, que
minha pele seja tão dura, que
o nome escrito em minha testa seja triunfo,
que

sexta-feira, 1 de julho de 2016

jorge de lima em invenção de orfeu, via kadosh de hilda hilst

"Conheço-vos quem vos fez, quem vos gorou,
rei animado e anal, chefe sem povo,
tão divino mas sujo, mas falhado,
mas comido de dores, mas sem fé,
orai, orai por vós, rei destronado,
rei tão morrido da cabeça aos pés."

testes do otariano

procurando emprego

procurando motivos pra viver



define bem. inda mais levando em conta a ausência de gucci. :/
né fácil não

o cheiro

treliças tremulam, murmuram, bandeiras
esfarrapadas por todo o caminho, guias
o caminho de dentro para todas
inconsequências, sem abluções,
reconduzido ao trono, sujo de merda e vômito,
o rei reina, o guerreiro guerreia, o sono sona,
no fundo do mar, bomba que se avizinha, ninguém
poderá nos ouvir cantar, e que tal
se a gente
chamar
isso de vitória?, a vitória não, que ela é muito feia,
me dê a derrota, a ferrugem e o sangue jorrando,
tudo que tá na veia e escapa,
o que tá na mente e parece infecção,
e o que é segredo e ninguém contou nem a si mesmo, derrelição,
desejo,
dragões, se você aspirar bem forte o ar e sentir
o cheiro também igualmente forte deles assim, secreto o cheiro contudo, mas
como pode, como pôde, tal cheiro
seguir assim por tantas eras e passar desapercebido?