sexta-feira, 24 de junho de 2016

seis bilhões novecentos

um mundo inteiro caminhada, camará,
sem respirar,
pra não sentir os cheiros:

fumaça,
esgoto,

a floresta dava sombras, agora é morte,
e é preciso levar a merda pra outros cantos,

fazendo a voz soar bem alto e ela ainda tão
baixa, sussurrinho, remete a
brinquedo, mas é tragédia,
pinóquio nas chamas,

embaixo dágua peixes respiravam, foi sim,
e a iara teve seu reino,

olhei a superfície, não me via,
me joguei assim mesmo,
como que de surpresa, de assalto,
espelho,

alguém mais belo que eu?
seis bilhões novecentas e noventa
e nove milhões novecentas
e noventa e nove
mil novecentas e noventa e nove pessoas mais

Nenhum comentário: