quinta-feira, 30 de junho de 2016

cada um dando o que pode e quando pode?

estranhei a barba em minha cara

quase pensei em raspar

butôante

e ao percorrer o nada, o todacoisa,
o qualquercoisa,
o sono e o dia,
o tremor, o terror, as luzes,
a terra que geme,
a mãe lá do fundo,
a de ontem, a de sempre,
e o deglutir raízes e algas e pérolas,
nos resfolegares dos despenhadeiros e desrumos,
o antes o agora e o depois,
a mulher que tenho em mim sou mim enquanto homem,
com o pulsar de todas as mortes de todos os tempos e
a minha a vir,
destino de cadáver: explodir em bolhas,
jogar a mim em ares pra cima

melodia pra pagode

e do nada quis sentir seu corpo,
precipitada, singela, levada

explosão

cataploft

segunda-feira, 27 de junho de 2016

catástrofe e trauma

"A palavra “catástrofe” vem do grego e significa, literalmente, “virada para baixo” (kata + strophé). Outra tradução possível é “desabamento”, ou “desastre”; ou mesmo o hebraico Shoah, especialmente apto ao contexto. A catástrofe é, por definição, um evento que provoca um trauma, outra palavra grega, que quer dizer “ferimento”. “Trauma” deriva de uma raiz indo-europeia com dois sentidos: “friccionar, triturar, perfurar”; mas também “suplantar”, “passar através”."


netrovski e seligman-silva in: arquivos da derrota de maria luiza rodrigues souza

sexta-feira, 24 de junho de 2016

seis bilhões novecentos

um mundo inteiro caminhada, camará,
sem respirar,
pra não sentir os cheiros:

fumaça,
esgoto,

a floresta dava sombras, agora é morte,
e é preciso levar a merda pra outros cantos,

fazendo a voz soar bem alto e ela ainda tão
baixa, sussurrinho, remete a
brinquedo, mas é tragédia,
pinóquio nas chamas,

embaixo dágua peixes respiravam, foi sim,
e a iara teve seu reino,

olhei a superfície, não me via,
me joguei assim mesmo,
como que de surpresa, de assalto,
espelho,

alguém mais belo que eu?
seis bilhões novecentas e noventa
e nove milhões novecentas
e noventa e nove
mil novecentas e noventa e nove pessoas mais
a boca que cala, é vala

terça-feira, 21 de junho de 2016

eu, você, todo mundo

estabelecem-se as conexões,
quasi-arbitrárias, tortas, quasimodais, garguláicas,
máscaras parcialmente simétricas, simetrias de apego,
simetrias de motivos, ações,

constelares, quasares, ligar por fios brilhos
a outros, dizer nomes, bem alto, alto lá, alto
aqui, objeções, o maior tom, o tom correto,
o trem navegava pelo céu, escapante dos trilhos,

válvulas de escape, escapamento de automóveis,
transportes, transposições, façam
o velho chico coroar de água as regiões de aridez, façam
as crianças a brincar na água, explodindo em mundos nada estáveis,

quanto menos é mais, quando,
quanto mais é mais, quando,
quanto menos é menos, quando,
quanto cada é cada,

escada para dentro de si, escalada para topo do mundo,
reflexo nágua, narciso se busca, espelho, espanto, medo,
abissal, aberração, mistério e segredo:
eu, você, todo mundo.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

ele bate na tua cara

meu coração vai pra ti, arranco do peito,
jogo na tua cara
deixo a cor de meu coração no seu rosto,
sujo seu rosto,
sim, meu coração é roxo,
é verde, é preto,
meu coração-tijolo, o canivete na minha mão,
eu quero devorar o seu coração, agora
eu quero devorar o seu coração
bate que bate que bate que bate
bate por mim bate por ti
bate nos cantos bate nas quinas
bate nos muros bate
na tua cara
ele bate na tua cara

fatinhos no dia de dez de junho

1 - e a frequencia absurda com que estranho estar em junho? fico achando que estamos em maio, tipo, o tempo todo. acho que eu queria que ainda fosse maio. as coisas vão se atropelando e se apertando. prazos fodendo vida, corroendo os caminhos que eu poderia.

2 - reencontrar "all delighted people". querer viver magia. ter que estudar. tentar estudar com magia, fazer magia. eita, nada de novo. dizer que "nada de novo". nunca cansar de dizer "nada de novo". com a mania de se olhar sempre da maneira mais risonha, no mal sentido. e tentar ver se dá pra ter ternura nisso. acho que dá.

3 - andamento, repetição, tempo, timbre, grades, correr, pular, sentar, deitar, levantar, andar, o que a memória não permite, e os mistérios do corpo.

4 - fazer uma leitura pensando no que se pode futuramente usar. leitura das mais interessadas, ou seria das mais interesseiras? interessadeiras. assadeiras. god, eu sou babaca. meto isso tudo no forno, tempero com os ingredientes errados, e o bolo, eu sei, não vai crescer o suficiente.

5 - eu queria, eu acho, entender porque: o signo da falha me persegue. eu faço questão de falhar? "eita, nada de novo." "eita, já fiz uns 78638023629 posts sobre isso."

6 - deve fazer mais de um ano que eu não corto o cabelo.

7 - eu queria ir no ganjaço amanhã mas muito provavelmente não vou.

8 - chulé da porra.

parecia ser possível

eita que a gente se distancia, e então intenta
aprochegar o corpo do outro (corpo) pouco a pouco
pouco a pouco
discreta lenta constantemente
até que chega a lugar nenhum, sem nem ver o corpo
o outro (corpo) não está lá
mais