segunda-feira, 30 de maio de 2016

repetir, pra ver se marca

a cara pronta pro tapa, que seja. preparemo-nos.
"Eu, Antonin Artaud, sou meu filho, meu pai, minha mãe, e eu."

momentinho rebelde-sem-causa

aí que vou ler sobre corpo e antropologia e, sempre no início, tá lá. marcel mauss. marcel mauss. marcel mauss. nada contra, mas dá vontade de ignorar o tio mauss só de birra.

pé detonado

quero uma trégua, hiato, aquela
pausa de mil compassos, precisa, que venha,
depois da algazarra, da balbúrdia, do festim,
depois desses cortes em mim.

perdi
um de meus sapatos,
ficou pela vida, atoleiro-vida.

pé detonado, sempre partida,
truco de todos os tempos, metades
de mim caídas, ponto final a cada
tentativa, a cada lida.

intentam, é piegas, que eu queira dizer
que querem
destruir o amor, é piegas.

às vezes
é imperativo ser piegas.

sábado, 28 de maio de 2016

teu fogo

olhando para todos os lados, olhar se perde,
depara, repara, e para
nos cantos nas quinas nas covas, olhar
sente um frio que pega corpo inteiro

não tem lareira
não tem aquecedor
não tem agasalho
não tem edredom
não tem pessoa, e ao redor

pela janela, pra ver se acha, olhar
nas rachaduras olhar nas fissuras olhar nos murmúrios
pouco de calor que seja, olhar

pra dentro,
afundar até que toque

acende tu
teu fogo
com tua fome

dos contatos

quando ponho-vos a mão
e a mão arde e grito alto e quase
perco a mão e a possibilidade
de te por a mão sei assim
que nunca foi meu minha nenhuma
sei sequer que nunca existiu intuo tudo
duvido sequer de haver mão ou mãos ou medos
de que queimes qual é afinal
razão caminho
que pôde se fazer com mão e toque

qual, quais

trovão que cai em ti
enquanto se move, ou se atrás de ti,
faz tua sombra gigante, e tua sombra é o que de ti?, e se
caído em ti, jazerá
morto pálido à minha frente, e depois arroxeado, e tocarei minha fronte?,
e direi pânico e direi pavor e direi tempestades maldigo a vós
que tiram de mim o amor o amado a possibilidade o sonho que me fazem ver
a enormidade do nada, grande nada,

a luz que eu via nos teus olhos
era luz que havia em mim era
luz de engano e engodo
era luz afinal
era
???

quais cicatrizes,

se o trovão te levanta e
você inventa de por
um vestido e de dizer
essas coisas todas que saíam de mim e
encontro você assim
qual

delírio
?
?
?

a grande ficha

novas versões do mesmo tema
(eterno tema)
(maldito tema)
com tomos e tomos das mesmas letras
em outras ordens, outros percursos,
percalços, caleidoscópios, batimentos cardíacos,
batidas no muro, esbarrões (que,
imaginados, eram todos os mundos possíveis e vagalumes
das noites escuras e cheias de terrores,) (que, imaginados,
eram pássaros em cantigas histéricas de acasalamento)
(que, imaginados, nos dariam um novo mundo de cores),  toques, sirenes,
nenhum canto foi sedução, voz que não soou, socorro que não se ouviu,
peça de quebra cabeça que não encaixou,
ficha que nunca caiu,
e a grande ficha
um dia, sim, na vida,
furando o chão até alcançar, será?,
duvide-o-dó

na garrafa

às
met-ades

nada de odes

epitáfios ao reverso,
palavrões, palavrórios,

relicários de carne,
de cadáveres, de crianças,

criaturas somos precárias,
criadores somos monstros,

as leis dos homens e as leis de deus
na garrafa lançada ao mar
 
para ninguém

preparemo-nos

confronto-me com malinowski, e seu projeto com os argonautas, e me vem a mente a grande tentativa de fechar quadros, círculos, imagens, tudo mais ou menos coerente, e se tantas vezes isso me faz rir, duvidar, ou ter algo como piedade, também acabo por pensar em outros "lados", "prismas", "possibilidades". nem sei bem porque uso as aspas. é mais um pouco daquele sentimento da dificuldade com a linguagem. pensei em usar "linguagem", mas deixei linguagem, sem saber direito o que quero dizer. não saber direito o que quero dizer é uma tônica grande para muitos de meus empreendimentos. não saber bem o que objetivo. e digo-me com frequencia que é legítimo isso, que é válido, mas me pego me perguntando, e me lembrando. das poucas, mas existentes, vezes, que malinowski nos argonautas admite que quanto a uma questão específica, lhe faltariam conhecimentos para fechar uma interpretação, ou dados, ou etc. me pego pensando. me pego pensando que de alguma forma meu esforço, dentro de um ambiente acadêmico, envolve o dizer algo. e quantas vezes não me pego me questionando a cada sentença. o esforço por dizer é importante, né? acabo tendo que dizer isso pra mim e registrar aqui. porque se os que têm, como eu, temores a dizer, dificuldades a dizer, temores e dificuldades como base do que se diz, mas também como parte do conteúdo do que é dito, com temores e dificuldades a se dizer e a dizer, ainda assim, devemos lutar com o tanto de absurdo que se diz. ainda que absurdo seja relacional, ainda que seja precário definir algo como absurdo. tudo é mesmo precário. e o silêncio não tem ajudado muito em tantas situações. a cara pronta pro tapa, que seja. preparemo-nos.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

enumerando rapidinho maio 2016 em merdas

crise política
impeachment/golpe
estupro coletivo
cortes de verbas
frota no ministério da educação
nojeira do inter ufg
babaquice de impedirem nome social
nova secretária das mulheres do temer ser anti-aborto
violência de pms contra secundas em ato
rede globo
tentativa de impeachment do marconi não sendo noticiada na grande mídia goiana
ministro da justiça do gov ilegítimo dizendo que nenhum direito é absoluto
serra como ministro das relações exteriores
quase todos os ministros do temer
a tentativa de fim do minc
reintegração de posse sem passar pelo judiciário do gov alckmin contra secundas


que mês merda esse maio

elA

elA
tem que ser elA
com A
caixa alta
via de regra, é uma elA,
e elA são todas elAs,
('A' pés no chão
'A' aponta pra cima
'A' vai além de toda podridão, merda, nó na garganta, ânsia de -,
vocês sabem muito bem ânsia de que)
esse A que é elAs, e que eles tentam engolir com seus 'es',
com seus 'os',
com seus crimes, com seus absurdos,
eu que sou eles que não sou eles que evito ser eles que sou eles que tenho profundo nojo do eles,
que sou eles,
afirmo o lixo que somos eles, mas
elAs lutAm hão de cada vez mais flores ser,
de ser seja lá o que queiram ser que as levem elAs além acima
('A' com a ponta pra cima)




vômito. etc. ad infinitum.

disse com a voz meio embargada
que queria
enxergar as cores que poucas veem, as especiais, quais
dons se perdem, quais dons se ganham,
quando no escuro
sentir mais cheiros?, se
senil
contatar espíritos? a televisão ligada nunca diz nada, a cabeça
pode ir a mil, pode ir a zero, pode rolar pelo chão, definem
justiça, definem sossego, definem torturas inimagináveis,
são
muitos os sons, ninguém são,
somos muitos os nãos, ninguém sim, ninguém salva,
(e muita saúva,) e um salve, e inspirar
e que leve, que leve, que leve, flutua, brisa, dromedário, com a voz
bastante embargada agora disse que queria
tanta coisa, não daria
pra falar, mas ninguém fala, e por não dar pra falar é que
ninguém deve falar?
falamos pouco demais, ou nada é suficiente? sufixo pra dor,
adorável,
sufixo pra forma, formidável,
vômito. etc. ad infinitum.

terça-feira, 24 de maio de 2016

o problema às vezes não é que os limites existam, e sim quais são esses limites

domingo, 22 de maio de 2016

pollock disse

"No chão estou mais à vontade, sinto-me mais perto, integro-me à obra, porque posso trabalhar em torno dela, dos quatro lados e literalmente estar no seu interior."

toda a gente se importa, entende

toda a gente se importa, entende,
estende ao máximo as potências, a distância de um ponto a outro
potengi é um rio, correntezas que vivemos,
correntes elétricas, toda a gente

se comporta, se encaixa,
se emenda, uma calça de retalhos que não cabe mais
em suas pernas, cada vez mais gordas, sua boca não cansa
de engolir,
toda a gente sugere, mas você não tem pique,
regurgitar é para os fortes, em murais alheios, formato de esportes,
lazer e trabalho separados na fonte? confronte, toda a gente diz,
a gente que te envolve, que te quer inteiro,
só que seus estilhaços são cristais,

o galo canta,
e você odeia,
e olha pro sol até arder,
e a chuva vai fazer cores no céu,

os restos, o descanso, o aconchego
desconheces, alheidade, subir escadas, degraus quebrados,
e é esse teu lugar perfeito, sem flores

terça-feira, 17 de maio de 2016

magia, in Mauss e seu esboço

"se sujam com a poeira recolhida nas pegadas de um elefante, cantando uma fórmula apropriada."

segunda-feira, 2 de maio de 2016

com greg ruth

e portanto estamos em construção,
tábuas, escadas, árvores, livros,
pessoas em nós caminham livres?,
machadinha na mão