domingo, 20 de março de 2016

qual árvore

pego as folhas com os dedos, a mão,
resisto à tentação de arrancá-las, mas fico
tentando entender cada nervura, seu idioma secreto,
nem por decreto saio dessa sombra, é uma loucura, o sol,
vida e morte, faces de uma moeda só
que gira dourada
na mesa de madeira preta, qual árvore tem
a madeira assim, tão escura?, o cerrado tem seus truques
pra resistir a toda secura, se eu tenho sede, de onde,
do quê, minhas raízes encontrarão a água pura? pura
confusão de galhos, folhas que se misturam, árvores juntas,
imbricadas, seus planos ocultos, sombras agradeço, velhos
poemas ao nada, essa árvore
é tão mais velha que eu, ouso
dela fazer folha de papel?, pois não, nela gravo
meu nome e o teu, i'm fifteen again, oh, so long time ago,
o tempo e seu tapete de folhas, o jogar de todas as folhas para o alto,
celebração e festa, nada resta, fogueira,
amendoeira, carvalho, nogueira,
pereira, fícus,
barbatimão, melodia, meu violão veio da terra,
palmeiras, se sou sabiá, jamais, será?

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