domingo, 13 de março de 2016

mas eu pergunto

navio fantasma, de memórias feito, cargado de perlas,
tecidos claros, ricos estofados, de vento as gentes,
na proa empunha, pincel de azul, capitão e sua tela,
rangente madeira, estalos das rochas, as glórias pungentes,

cicatrizes nos muros, desenhei sua mão na parede,
correram pintaram por cima, desenho esse poema
pra te manter vivo, quase esqueço,

meu amor se plasma, te traço quiasma,
te rogo a alma, te encomendo recados,
passado, passado certo tempo, lento, sento,
invento unguento, mas a receita
pedia flores, só tenho lama,

trama de deuses loucos, tramoia barata,
noias abissais, banais, astrais, mão aos alto,
é um assalto, não é teatro, na mesa a prata,
na mão um prato, engula rápido, cocô de rato,

estrelas como aparições, decorei seu mapa
com brocal e lata, estou de luto, escrevo cartas,
ninguém responde,

mas eu pergunto
quem me obriga a te carregar?

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