quarta-feira, 16 de março de 2016

freak anos setenta, se se

calada noite preta
exceto que barulhenta com os caminhões da rua
com todas as vozes da cidade seus ruídos canções e restos,
vede bem que repletos de restos estamos, ritos rotos ratos

canções de retornos e revoltas e revoluções e
revirar você no meu desencontro de mim, qual máscara?,
qual espelho?, qual trago, qual plaga, feito em pedaços e então
recomposto no mais incrível mosaico, tudo se perde, tudo se ganha

ruídos a cada toque dos pés nas tábuas, tabernas, barracas,
tabelionato do batalhão dezesseis, freak anos setenta, se se
insinua insidiosamente por ainda mais uma vez, se se sussurra
sonoramente por onde ouço sinto, para onde vou, braços a arrebentar

cidade, por quem me tomas?, sou minha londres berlim hongue-
kongue nairóbi kuala lumpur beirute, desaconteço desencabeço desfa-
leço, e ao desencontro de mim folheço, ofereço peço rogo desencabe-
ço meço desfaleço folheço, desembaraço dos olhos que se pretendem

que se pretendem
cotidianos?

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