quinta-feira, 31 de março de 2016

a gente olha pela janela e de um lado tem uma coisa, do outro tem outra, e até na mesa da sala tem outra ainda, e é tanta coisa, veja só!

quarta-feira, 30 de março de 2016

— Trata-se de uma citação? — perguntei.
— Com certeza. Só nos restam citações. A língua é um sistema de citações.

In : Utopia de um homem que está cansado - Jorge Luís Borges
_________________________, explosão
alguma riscou o céu,
ametista brilhando toda a explosão do início dos tempos,
ametista brilhando toda a explosão do início dos tempos,
essa tempestade
parece
uma explosão constante,
uma explosão
uma garrafa quebrada,
jazz in my heart

segunda-feira, 28 de março de 2016

domingo, 27 de março de 2016

sábado, 26 de março de 2016

sinais

eu vi nas nuvens, eu vi no topo das montanhas,
muita, mas um bom bando mesmo de gente, viu antes
e emitiram alertas vários, por vezes sutis, outros temerários,
repletos de palavrório e sons estranhos, e tantos
tantos tantos não entenderam nada, é que
o entendimento é um segredinho,
caixinha com código para abrir,
escribas
incrustaram árvores, gorjeios de aves
tão sinistros, tal troças maldosas, trotar de cavalos
e relinchos raivosos,
nada
nada se reconhecia
"Quando há somente a dança e nenhum dançarino, essa é a suprema meditação - o sabor do néctar, felicidade infinita, o divino, a verdade, o êxtase, a liberdade, a liberdade do ego, a liberdade do fazedor."

Osho

terça-feira, 22 de março de 2016

goles, muitos goles de vinho, quero
no parque,
na sala,
na rua, em todo canto, muitos
goles de vinho quero

domingo, 20 de março de 2016

qual árvore

pego as folhas com os dedos, a mão,
resisto à tentação de arrancá-las, mas fico
tentando entender cada nervura, seu idioma secreto,
nem por decreto saio dessa sombra, é uma loucura, o sol,
vida e morte, faces de uma moeda só
que gira dourada
na mesa de madeira preta, qual árvore tem
a madeira assim, tão escura?, o cerrado tem seus truques
pra resistir a toda secura, se eu tenho sede, de onde,
do quê, minhas raízes encontrarão a água pura? pura
confusão de galhos, folhas que se misturam, árvores juntas,
imbricadas, seus planos ocultos, sombras agradeço, velhos
poemas ao nada, essa árvore
é tão mais velha que eu, ouso
dela fazer folha de papel?, pois não, nela gravo
meu nome e o teu, i'm fifteen again, oh, so long time ago,
o tempo e seu tapete de folhas, o jogar de todas as folhas para o alto,
celebração e festa, nada resta, fogueira,
amendoeira, carvalho, nogueira,
pereira, fícus,
barbatimão, melodia, meu violão veio da terra,
palmeiras, se sou sabiá, jamais, será?

sábado, 19 de março de 2016

venha que te espero

e quando a tempestade perfeita chegar
gritando toda sua incompreensão bem distante
no horizonte
que miramos meio atônitos meio loucos
eu vou estar com mais roupas do que o joey
naquele episódio de friends
só pra
ter o prazer de tirá-las uma a uma e me colocar
de pronto
em nudez
pra recebê-la contra mim e vou celebrar
todo o frio que me tocar os ossos, despido de pele, e o banho
que me fará outro, venha rio que cai do céu, venha
fúria, venha beleza,
venha que te espero

meus olhos

o sangue ficou marcando metade da camiseta, meus olhos,
roxos, violáceos, sinceros, globo ocular vermelho, talvez
precise de cirurgia, acho que vou
correr pro doutor, imploro, doutor, tem
pílula, remedinho, não quero
enfrentar o bisturi, a navalha na carne, o segredo
oculto que a pele guarda, meus olhos
fora
de órbita
perseguem os satélites artificiais que nem sei bem
se são reais e quem
os lançou
ao céu
com estilingue ou espoleta, careta
na boca, ideias erradas, tortas, tortura,
doutor, me diz se tem cura, estou farto
de meias sentenças, de meias trocadas,
trocados pro café,
migalhas pro chá

sexta-feira, 18 de março de 2016

quinta-feira, 17 de março de 2016

"Destino canções pros teus olhos vermelhos. Flores vermelhas, vênus, bônus. Tudo que me for possível, ou menos."

quarta-feira, 16 de março de 2016

freak anos setenta, se se

calada noite preta
exceto que barulhenta com os caminhões da rua
com todas as vozes da cidade seus ruídos canções e restos,
vede bem que repletos de restos estamos, ritos rotos ratos

canções de retornos e revoltas e revoluções e
revirar você no meu desencontro de mim, qual máscara?,
qual espelho?, qual trago, qual plaga, feito em pedaços e então
recomposto no mais incrível mosaico, tudo se perde, tudo se ganha

ruídos a cada toque dos pés nas tábuas, tabernas, barracas,
tabelionato do batalhão dezesseis, freak anos setenta, se se
insinua insidiosamente por ainda mais uma vez, se se sussurra
sonoramente por onde ouço sinto, para onde vou, braços a arrebentar

cidade, por quem me tomas?, sou minha londres berlim hongue-
kongue nairóbi kuala lumpur beirute, desaconteço desencabeço desfa-
leço, e ao desencontro de mim folheço, ofereço peço rogo desencabe-
ço meço desfaleço folheço, desembaraço dos olhos que se pretendem

que se pretendem
cotidianos?

segunda-feira, 14 de março de 2016

socorro e estrada

sacada para o nada, salto do abismo
ao fundo ao fundo mergulha e afunda
abaixo os pavios acesos aos mortos
e quantos esquifes pudermos ver
dos caminhos de consolação, e
de augusta, de angélica, somente
cinzas de cigarro, garrafas vazias
que contam histórias, desenhos de
girafas na parede, e a palavra desejo
rabiscada de batom, e um som traz o tom
que é necessário para atacar em golpes
com uma espada longa tal game of thrones
todas as dragas de bocas enormes que teimam
em aparecer pelo passeio, cadafalso para o grande
deus nada, a ameba suprema, o nada-pode-nada-faz,
e assim nada procuramos e é por isso que caímos,
é por isso, por isso, é apenas por isso que caímos

domingo, 13 de março de 2016

mas eu pergunto

navio fantasma, de memórias feito, cargado de perlas,
tecidos claros, ricos estofados, de vento as gentes,
na proa empunha, pincel de azul, capitão e sua tela,
rangente madeira, estalos das rochas, as glórias pungentes,

cicatrizes nos muros, desenhei sua mão na parede,
correram pintaram por cima, desenho esse poema
pra te manter vivo, quase esqueço,

meu amor se plasma, te traço quiasma,
te rogo a alma, te encomendo recados,
passado, passado certo tempo, lento, sento,
invento unguento, mas a receita
pedia flores, só tenho lama,

trama de deuses loucos, tramoia barata,
noias abissais, banais, astrais, mão aos alto,
é um assalto, não é teatro, na mesa a prata,
na mão um prato, engula rápido, cocô de rato,

estrelas como aparições, decorei seu mapa
com brocal e lata, estou de luto, escrevo cartas,
ninguém responde,

mas eu pergunto
quem me obriga a te carregar?

te laço

quando a gente abre
o flanco
o ranço
se refresca, quando a gente abre a
gaveta
a careta
se arma na face e se estende pelo corpo e os
pelos
pelos amores das deusas
ouriçam, caem, voam dançantes pela
brisa
como
homenagem às
liças
dos dias, das noites, das tardes, das madrugadas,
das manhãs
às manhas
e das maçãs às massas
e das moças aos terços
e dos segredos ao sagrado
e dos degredos ao dragado, e a nave vai,
a nave vai e segue
e eu rogo
que meus olhos fiquem em paz para sempre, mas eles turvam,
eles leitam
e os leitos
e os peitos
e os jeitos
e trejeitos
não são estreitos, são largos, são tão largos que chega me
perco
me teço, me perco em
esterco, e te laço,
e me esqueço

domingo, 6 de março de 2016

eu ouvi dos vales
eu ouvi soando nas montanhas
eu ouvi cantando nas montanhas


sábado, 5 de março de 2016

hey bob marley, sing something good to me

é pelas bitucas neles

faces minhas que se derretem
fases
falésias das quebras dos sonhos
adormecida, cinderela cantarola,
sonetos de navios distantes e bolas,
cravo tocando para a diva pop
e diferentes maneiras de fazer um poop
e as fictions, ah!, as fictions, essas
seguem bem largas espaçosas e com olhares
e piscadelas matreiras e dengosas, fases minhas que se
derretem, suspense, cinema,
silêncio,
o baile longo eterno pelos corredores dos museus, a procissão
à santa puta madre eterna protetora de todos os perdidos
e guardadora dos segredos sujos, e a santa
puta madre
eterna
abençoa nossas cabeças cheias de ideias e leros e rolos e trelas e
caracóis, nossos caracóis se entrelaçam se perdem uns
nos outros
e em cada
canção que se faz, um reclame, um maldizer, uma ladainha,
me dá linha, me dá rima, me dá fuso, me dá brocal,
signos, gaiolas, gemidos, amoras,
sensações perdidas nos cantos das esquinas e dos becos
e a lua altiva no céu a desnudar nossas intenções e fazendo
o rolê ficar mais sincero, mais real, mais
alguma coisa qualquer que forte e sacana
é pelos reflexos de si nas poças d'águas, almas vagas,
é pelas bitucas neles, falésias
esquecidas, draga de resto,
drama de rosto,
rumo de rama,
rima, eu vim