segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

"sinceramente, me deixe. ou vá mesmo falso. imitação barata da coleção de não sei de que ano. e me deixe a geladeira quebrada, vou transformar num armário."

_ficou bom assim?, meio coquete foi a pergunta.

_ficou bem bacana.

e se beijaram. aos poucos foram deitando no sofá, os corpos se mexendo para todos os lados e rápido, um pé bateu no abajur e uma mão no vaso de flores de plástico. todas as aranhas nos cantos das teias da sala se ouriçaram para ver a cena.

_vou pegar uma bebida.

_você pode.

segredo. era algo que guardava dentro. e não havia muito a dizer. as cosas que se passavam são as cosas que arremetem. cavalo arisco que relincha. cigarros espalhados pelo chão. os acontecimentos também chamam, exercem gravidade e portanto possibilidade.

voltou se balançando, tinha uma tatuagem de serpente que ocupava os braços, uma em cada braço, tão deusa, tão intrincada.

disse alguma coisa entre os dentes, que a outra não ouviu, e se devoraram.

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