sábado, 2 de janeiro de 2016

júbilo de cócegas

somente acreditar num
deus que mexe as vinte patas ao mesmo tempo
cada uma numa direção 
dirígivel desgovernado exceto que
qual melodia secreta fantasia com seus fios
mestre, mestre de marionetes, mexemos nossas
patas, juntos, ciranda aloprada
e se pisamos
se pisamos pés uns dos outros é como no
chocolate inglês
cachalote mergulha fundo
bolhas sobem a superfície, milagre
é um deus que dança suas convulsões

as palavras, as mais feias,
tipo elevador, escada, montanha, asa-delta,
são engodinhos, jeitinhos de
o-bli-te-ra-ção, controle remoto, e eu digo:
pra cada salto, um pé no chão 
primeiro

primeiro eu evitaria por as coisas
em ordem
e deixaria a louça voando pelo ar, de mão em
mão
e gotas de café vão pintar o teto branco

longe, em outra estação, 
flores surgindo, degelo, superação,
é de riscos feito isso tudo, mas

fazer
o
que?

a confusa boca aberta dos dias
com suas vinte fileiras de dentes
afiadas facas ginsu, e olha bem

eu vou até lá onde não dá pra ver.
brincadeira, fagocitose, até explodir
e sigo englobante, mas não ouso, não ouso 
totalizar nem meter totem.

coisa que sou viral,
bacteriano,
intangível

peguemos portanto e apontando para todos
e cada um e para todos
os lados, ao mesmo tempo,
a metafísica, peguemos com fúria

derretam-na,
engulam-na. júbilo de cócegas que faz ao descer pelo esôfago,

verde ou madura?
doçura, travessura

Um comentário:

beto,,, disse...

reciclado de 2010. http://meioquedonada.blogspot.com.br/2010/01/vultos.html