sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

a viagem não é eterna

ao som do carro dançamos,
pavimento,
os pavios facilmente acesos são
os lumes de faróis pela estrada escura
longa longa escura
mas hoje mesmo
hoje, ainda hoje,
hoje mais cedo era dia e tínhamos
acima, acima de nossas caveiras,
um sol violento que parecia que queria tostar
a mim e a você
e enquanto você reclamava eu fazia piadas
eu fazia graça
mas eu mantinha as mãos no volante e você
se sentou na janela, e eu reduzi a velocidade
e encarei suas pernas um pouco, e logo olhava pra frente,
e voltava para suas pernas,
e você me contou todas
todas suas brincadeiras da infância da fazenda e até mesmo
as brincadeiras com o pedrinho,
de médico, de deus,
em alguns momentos ouvíamos somente vento,
em outros uivávamos insanos, jovens,
de modo que hoje,
apenas hoje,
no eterno hoje,
eu me pergunto

e se estivéssemos
dirigindo
rumo às estrelas?

e se nosso carro
corresse
mais rápido que a luz?

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