domingo, 31 de janeiro de 2016

sincera permanência

                                                                                      inspirado por "divina violência", de William Zeytounlian

tornaria -
lamento ou lamúria -
seara sagrada
ou silenciosa -
na qual vós deixasses
elocubrar o improvável,
na qual vós deixasses
transcrever aquilo qual
devassado;
                     tal posta uma
                     mecânica
                     delirada
                     se coubesse,
                     contudo,
                     intragável?

em piva, we trust

"quisera derramar sobre ti todo meu epiciclo de centopéias libertas
ânsia fúria de janelas olhos bocas abertas, torvelins de vergonha,
correias de maconha em piqueniques flutuantes
vespas passeando em voltas das minhas ânsias
meninos abandonados nus nas esquinas
angélicos vagabundos gritando entre as lojas e os templos
entre a solidão e o sangue, entre as colisões, o parto
e o Estrondo"
lógico que 2014 foi esquisito, eu não ouvia música quase

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

a isso ninguém ouse nomear

a concha, container da pérola,
abandonada no canto da cozinha, a faca
na mão, incrédula incauta machucada dos
dias todos e das vidas que se vive nesses
dias

meu vestido já foi uma planta,
esse piso já esteve embaixo da terra

trotantos anos atrás
pensa
o que são as nuvens, caralho?

ainda hoje pensa, e se cai
e se cai flutuando
é apenas para provar que é
mais leve que pena

pena qualquer, mas por favor, não, por
favor, não o abutre, por favor, qualquer
coisa menos isso

aqui está a carta de aceite e diz
exatamente a pesagem da rocha, e vamos logo,
coloque logo nas costas

no meio do dia ocorre
uma pérola
na cozinha, e

a isso ninguém ouse nomear

e disse francis bacon

"The job of the artist is always to deepen the mystery."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

todos tentam

laces
os cordões,
dirijas
os batalhões,
armou tanto e não choveu, explosão
alguma riscou o céu,

nenhum amanhecer, algum resfolegar,

carros
que capotam sete vezes,
histórias
que duram sete meses,
o mundo bola redonda gira, ou não
exatamente, a gente sabe, a gente sente

que o rolê não vai sair, que o bloco
tá sem carro de som, que
a saia rasgou,

a gente sente,

leias
os refrões,
prepares
os esfregões,
suou tanto e não chegou, medalha
alguma ornou o busto,

os gregos,
os romanos,
os zulu,

todos tentam dizer as coisas e às coisas,
todos tentam

mais uma vez, isso é importante:
todos tentam

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

a sequencia dos nascimentos do episódio "what is human" de sense 8 é uma das melhores da história da produção cinematográfica
remember being this happy
"sinceramente, me deixe. ou vá mesmo falso. imitação barata da coleção de não sei de que ano. e me deixe a geladeira quebrada, vou transformar num armário."

_ficou bom assim?, meio coquete foi a pergunta.

_ficou bem bacana.

e se beijaram. aos poucos foram deitando no sofá, os corpos se mexendo para todos os lados e rápido, um pé bateu no abajur e uma mão no vaso de flores de plástico. todas as aranhas nos cantos das teias da sala se ouriçaram para ver a cena.

_vou pegar uma bebida.

_você pode.

segredo. era algo que guardava dentro. e não havia muito a dizer. as cosas que se passavam são as cosas que arremetem. cavalo arisco que relincha. cigarros espalhados pelo chão. os acontecimentos também chamam, exercem gravidade e portanto possibilidade.

voltou se balançando, tinha uma tatuagem de serpente que ocupava os braços, uma em cada braço, tão deusa, tão intrincada.

disse alguma coisa entre os dentes, que a outra não ouviu, e se devoraram.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

translúcida

um olhar björk
mangá
e flores

móveis e a casa
toda pelos ares e eu
durmo

um laço vermelho prende
mãos
e os cabelos voam

envolvida em plástico
uma boneca
pronta para o abate

bico do seio tão
marcante com olhar angelical e
chifres na cabeça


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

provérbio africano

"A água sempre descobre um meio."

a viagem não é eterna

ao som do carro dançamos,
pavimento,
os pavios facilmente acesos são
os lumes de faróis pela estrada escura
longa longa escura
mas hoje mesmo
hoje, ainda hoje,
hoje mais cedo era dia e tínhamos
acima, acima de nossas caveiras,
um sol violento que parecia que queria tostar
a mim e a você
e enquanto você reclamava eu fazia piadas
eu fazia graça
mas eu mantinha as mãos no volante e você
se sentou na janela, e eu reduzi a velocidade
e encarei suas pernas um pouco, e logo olhava pra frente,
e voltava para suas pernas,
e você me contou todas
todas suas brincadeiras da infância da fazenda e até mesmo
as brincadeiras com o pedrinho,
de médico, de deus,
em alguns momentos ouvíamos somente vento,
em outros uivávamos insanos, jovens,
de modo que hoje,
apenas hoje,
no eterno hoje,
eu me pergunto

e se estivéssemos
dirigindo
rumo às estrelas?

e se nosso carro
corresse
mais rápido que a luz?
alguém pra realizar fantasias sexuais esdrúxulas
um gole de água:
5 segundos

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

e viva viva (parte 2)

e viva viva brasília, victor, lu molina, layla, nilton, layla, mari vass, loucas, burbura, os boy, a grana jogada fora, as farra, as loucura, as conversa, e isso ae tudo.

s2

a cena da máquina de lavar louça em o casamento de rachel

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

e vamos ver

caçando nas chaves, chaves
que abrem gavetas e armários, gaivotas
e suas penas,
aquilo que fica pelo chão quando voamos, sono,
caçando aqui um pretexto pra te ver e

enfrentar
o sacolejar, o bamboleio,
de bangu a araraquara, nada,
sacola de frutas, menina dança,
pêras na fruteira, me esqueço há dias,
esquiva de mim, esquifes,
jogo de amarelinha sem céu:

nunca nunca vou chegar,
nunca nunca vou chegar,
meu corpo se aquece,
eu tenho medo, e com o braço pro alto,
tanto tempo,
estou tremendo,
nunca nunca vou chegar

estrelas, você vai me contar uma história,
não vou saber contar nenhuma,
posso ficar calado, estrelas, histórias,

histórias, traçados de palavras sem enredo,
linhas interrompidas, línguas mortas,
os segredos dourados nas tentativas de sacar
o que maçã tem a ver com macarronada

e nada, nada, nada, pela maré,
e anda, anda, anda, até perder o pé,

e isso é,
isso é o mais próximo
que consigo escrever
de um chega perto de mim e,
e vamos ver

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

pedra pesada nas costas, mundo

uma voz
lá embaixo, bem abaixo,
que lucifera baixinho

as flores na
mesinha da sala, as flores estão
irremediavelmente,
irremediavelmente mortas

o capeta apareceu no ultrassom, jesus
serelepe eterno na torradeira, metal pesado, glooórias
de lutas, há de haver, bê de bolar,
há de haver o bem e o mal, é o que querem,
para que se fie com segurança

robes cerimoniais, gargantilhas,
pedrarias, avarias, há varias,
há varias avarias e não é possível permanecer aqui

o crime foi intuído como real e por isso
repetido, revolvido, realizado tantas vezes
em uma série de imagens que se multiplicava
até perder completamente o sentido em muitas cores

o crime
não é eterno

negar, negar, negar o há lugar,
há lugar que aplaque todo este e todos os finais,
escoliose de todo este e qualquer dia de carregar pedra,
pedra pesada nas costas, mundo

canta celebra & salta pelo abandono,
ervas daninhas, o sono, todo projeto rasgado,
o olhar rápido pelas vertigens, o eventual enfado,
danos, perdas, paredões de fuzilamento,

danos danos, perdas, perdas, paredões de fuzilamento,

felizmente, isso é uma árvore sentimental
e com galhos que se alongam lhes imploro
que se reprimam um pouco mas são dos mais interessados

trem de trieste para trento, almeirão
a alagoas, limeira a lima, prados, campinas,
teleféricos e fadas

diga que eu use aquela capa
de chuva
diga que, e eu somente sairei à chuva
somente sairei à chuva
com a nudez de meu corpo sempre

revisionismos doismilequinze

mais um natal em rp, comendo como se não houvesse amanhã, lendo menos que deveria, terminando de reler cem anos no momento da aterrissagem de avião, momento algo mágico, e teve a volta, e isso ainda era doismilequinze, quando o avião ficou rodeando em cima de goiânia porque outro avião tinha furado o pneu, então o avião teve que ir a brasília. haha, só assim para eu parar em brasília. mas bem, nem tanto, porque foi no TREM do segundo semestre e rolou aquela emoção de recontatar a @BS, e aquele sentimento de "é preciso fazer a diferença", aí até me ocorreu aqui agora pensar nisso pras possibilidades do ano. virada do ano de 14/15 foi na piscina. momento de água que eu até relendo blog fui acompanhar que já rolou. a magia da água. já doismilequinze foi quente e com pouca água. esse ano teve aquele problema com meu mindinho e o suplício das duas semanas nas quais o banho era com sacola no pé. que porre. que falta faz tomar um bom banho. e magia de lavar o corpo e se sentir novo? sabe, há alguns anos atrás isso seria uma deixa para eu pensar o que fica e o que se mantém, as coisas que se gravam na pele, o corpo inteiro trocando células a cada sete anos (fonte: grey's anatomy, e esse ano que inicia faço 28 então completo minha quarta renovação). a tatuagem que sonhei de novo em fazer, com frase do yeats, que o teatro me impediu. ou que eu me impedi por causa do teatro. o que se mantém? isso vai ficar? o zanni na oficina de férias da oops, o momento em que percebi a magia de viver outro corpo, outra emoção, outra performance. então vamos rememorar... pozzo, sr e sra martin, detona, o fedido do nelson, diego/frida, e mais uma pá de cenas. tipo aquela que morri com a xícara de café caindo da mão. ou aquela em que chorei porque queria crescer e me tornar uma bela mulher. e nas aulas de dança, com várias músicas, e eventualmente antony & the johnsons. e mais um ano acompanhando uma pá de discussões transfeministas e feministas. é... é... hm, indo a muitas peças de teatro. mas ficando menos impressionado do que em 2010. é a qualidade? é o momento? jamais saberei direito. além disso, posso mencionar proposta indecente. além disso, posso mencionar uns nomes, um com H, dois com J, um com T, um com P, um com G, um com M, isso não foi mencionar nome algum, hahaha. reveillon em casa, vinho pata negra, show da virada da globo, ver os fogos de artíficio do flamboyant, aturar mamãe estressada e curtir papai de boas. e amar isso tudo também. êta ano em que me salvei de tantas formas... momentos divertidos na janelinha do banheiro... momentos divertidos na sala de casa estudando, pesquisando, viajando, anotando, articulando. ah, teve "o balcão" também, do genet. teve o final de mad men fodástico. teve star wars VII! teve orange's. teve house of cards. muito bon iver, elliot smith, radiohead, hole, animal collective, andrew bird, manu chao, inclusive marcante dançando manu chao sozinho na sala com maria e café,  james blake, smiths, metronomy, grimes, of montreal, dogs do pink floyd em bons momentos, see emily play, rock classics do the knife e pass this on, that's the way do led, scale do interpol, muito interpol,  algum alt j, instant crush do daft punk, tulipa ruiz e a primeira apresentação da quasar que fui e amei loucamente, teve a apresentação foda dos coreanos, teve a da peça do plínio marcos, muito marcante, (autópsia, grupo de bsb sutil ato). carnaval lgbt no cepal lokis à beça, foto beijando ypioca guaraná. quinto dia do ano. comecei a escrever uns dias antes. é tudo tinta. minto, são é bits e bytes.

é tudo tinta tinta tinta

âncora de an-
kara, careta, cadáver,
carimbo, mancha que deixamos em todas as
superfícies, marimbas

saiotes galopam o vento, vidraças,
vidros,
tantos sóis de tantos de-
sertos, sertões,
serpentes,

pica, fringe a
face, um espasmo, um
lapso,

corpo que cai branco ao chão e fica,
,
,

e sequer um farfalhar de folhas,
felinos, falésias, filés,
folículos, é tudo tinta,
é tudo tinta tinta tinta

we're caught in a crash
i can't walk out
because i ,,,, you too much babe

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

sing

ficções, ficções, ficções, se tudo se torna só um fragmento a ser esquecido, ungento pra ninguém, intento de tolo, segredo de marujo e picumã de bonita, se tudo vai por esses rumos e logo se perde, se encontra, se perde, se encontra, se assombra, se recobre, se tromba, e cai do céu em derradeiros abismos, joelhos de maracujá e outras incongruencias, rebenta pelas frestas e pelas saídas, e de um traçado a outro de uma estrela às vezes o lápis quebra a ponta no meio

ladeira

não é baseado, jeff

e paula disse

eu só sei que eu quero erros novos

indígena X ribeirinha

diversidade de socorros,
masmorras, calabouços,
sistemas, rasteiras,

mas
eu não me sinto
com essa idade

je me sens bien.
je me sens.
tropo de bien.

cavalgo.

há um submarino que toca
árias profundas
e se talvez seus deuses
de repente todos eles não
valessem mais porra alguma?

compêndio.
desejo.

genial,
porque não abre na camiseta não!

subindo o monte pelas
loterias latarias laterais
artérias
qual o topo que se
alcançar se quer se
compensa?

sinônimos de esquadros
e lonjuras, tonterias,
curas,
agruras, finuras,

retorno ao solo,
beijo o terreno em homenagem a todas as mortes,
as de outros, as minhas,
suas,

tem pó por essa, tem pó
por todas as estradas e ossos
já são farinha espalhados

todos declaram ter fome

a fome,
a fome,
a fome

não dorme

sábado, 2 de janeiro de 2016

júbilo de cócegas

somente acreditar num
deus que mexe as vinte patas ao mesmo tempo
cada uma numa direção 
dirígivel desgovernado exceto que
qual melodia secreta fantasia com seus fios
mestre, mestre de marionetes, mexemos nossas
patas, juntos, ciranda aloprada
e se pisamos
se pisamos pés uns dos outros é como no
chocolate inglês
cachalote mergulha fundo
bolhas sobem a superfície, milagre
é um deus que dança suas convulsões

as palavras, as mais feias,
tipo elevador, escada, montanha, asa-delta,
são engodinhos, jeitinhos de
o-bli-te-ra-ção, controle remoto, e eu digo:
pra cada salto, um pé no chão 
primeiro

primeiro eu evitaria por as coisas
em ordem
e deixaria a louça voando pelo ar, de mão em
mão
e gotas de café vão pintar o teto branco

longe, em outra estação, 
flores surgindo, degelo, superação,
é de riscos feito isso tudo, mas

fazer
o
que?

a confusa boca aberta dos dias
com suas vinte fileiras de dentes
afiadas facas ginsu, e olha bem

eu vou até lá onde não dá pra ver.
brincadeira, fagocitose, até explodir
e sigo englobante, mas não ouso, não ouso 
totalizar nem meter totem.

coisa que sou viral,
bacteriano,
intangível

peguemos portanto e apontando para todos
e cada um e para todos
os lados, ao mesmo tempo,
a metafísica, peguemos com fúria

derretam-na,
engulam-na. júbilo de cócegas que faz ao descer pelo esôfago,

verde ou madura?
doçura, travessura

se eu fosse inventar projetos pra doismiledezesseis...

...apê?
...pintura?/...artes gráficas?/...paint brush?
...curta?
...ganhar dinheiro?
...projeto social?
...uma viagem? ou duas.
...um namoro?ou dois.
...manter ondas? e novas ondas.

pensando seis anos atrás

só pela diversão mesmo, resolvi recuperar uma lista de planos feitos no final de 2009 para 2010. vamos lá, minha gente? rs

1. cantar mais, entrar talvez em outro coro;
2. quem sabe um curso de piano?;
3. tocar mais violão;
4. oficina de teatro, maybe;
5. estágios, urgentemente. que façam com que eu veja melhor como tudo rola.;
6. preparar minha viagem para paris;
7. não abandonar o francês;
8. fazer com que meu novo apê seja lindo;
9. ter uns sete amores em um ano;
10. querer beber menos, e beber mais do que bebo;
11. viajaaaaar. um pouco maaaais;
12. ler mais literatura;
13. ir mais ao teatro;
14. um corpo melhor, fazer academia e/ou dança;
15. mais tranquilidade e satisfação.


bom, realmente entrei em outro coro. mas saí. não fiz curso de piano. não lembro se toquei mais violão, mas com certeza não de forma significativa. não fiz oficina de teatro. fiz um estágio. preparei minha viagem. não abandonei o francês. apê novo, WOT QUAL? sete amores, lembro desse papo, incluiu até a dani, rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs. devo ter bebido muito tb. viajei pra belém, e pra caxambu. recife também ou foi outro ano? foi em 2011.fui pro rio também em 2010. fui muito mais ao teatro mesmo. nada de academia e dança. e duvido que tenha rolado mais tranquilidade e satisfação... 2010 foi é um ano doido. foi o ano figurinha, rsrsrs.

mas porque tô pensando em 2010 em 2016 mesmo?, ah, porque vi umas fotos e tals... pegação em mesa de bar sociais, calouros que nem sei o nome, niltinha com camiseta do elefante e fui puxar papo com ele sobre...

tempo is funny

saudades desses momentos deveras divertidos. sabendo que é tudo estranho pensar nesse ontem nesse hoje. em ontens nos hojes.

desejo

encontros, desejo que surge de súbito e sem explicação.
e intensidades.

e em segredo

e em segredo e sozinho
fiz meu próprio ano novo

uma palavrinha notável

detox

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

eletrocinética estética ou 1.1.16

lactopurga, amiga
ribanceira
tanan tan tan na manga
que desce só a ladeira

ribalta, CAIXA ALTA,
som, som, som!

ribalta, CAIXA ALTA,
som, som, som!

eletrocinética estética
suspenso o verbo se faz