sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

pulsar-te o bater asas

um tanto de jeitos que imagino que
grito dentro do carro
e de fato grito

das mais diversas maneiras eu
grito
dentro do carro e de fato
grito

quase
tudo
que
faço
é como que eu grito
dentro do carro e grito de fato

frito frito frito boa parte do tempo frito
bananas da realidade me acompanham
e dançam à minha volta
e fazem cada cara sarcástica, sim,
você se surpreenderia com tanto sarcasmo

dentro do eu-matrioshka
rebentam corpos de vontade própria
e sinalizações
diferentes uma de cada
idiomas
il n'y a pas de route

contudo e entretanto e todavia

gesto que necessário se faça:
com minha própria mão
me fazer minhoca

mínimo cavar terras
(chemins chansons)
e desenhar abrigos

até a hora que
- e será uma alta hora -
(uma hora galopante)

ouvirás soar o sino
e assim tornado vai
pulsar-te o bater asas

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

recorte

estou a fazer um joguetinho
com um espelho que achei na rua
que tem um reflexo diferente
do que os outros trinta que tenho
aqui em casa

até que reparei bem e
cada espelho bem tem um
reflexo
aqui em casa mesmo
será que os da rua também?

e andei por aí à procura
de espelhos e me vi
de tantas formas cores gêneros
eu nem bem sabia
o que era ser

eu fiquei a me imaginar em fluxo
porque cada espelho só seria
recorte
mas em verdade
a verdade é que

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

às - outra linha - às

por entrrrrre
as mechas azuis
mexe eu mexe você um pouco o corpo
os corpos
como hits do rádio
como nada disso
para onde cada chose não vai
para onde sobra chose
um dia inteiro junto sem se matar
reino da dinamarca
às metades
às metas
aos mitos
aos feiticeiros
aos comediantes
às imperatrizes
às divas
às quintas
às
às

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

grandes pra porra

"Somos contos contando contos, nada.",
diz Ricardo Reis, e se pensássemos
em universo grande e tempo longo
et al,
de fato, sequer lampejos, vagalumes,

e se não pensamos?
grandes pra porra

no céu luar

todo meu território
tomado por umidade
charcos pântanos & lamaçais
acima abaixo todo canto
algo viver se faz pulso pulso pulso
em cada bolha que se sobe
em cada mover
em cada lutar pelo sim de cada dia
moscas voando como metáforas
em torno de meu território úmido
dessas misturas de mistérios e se-darias
se-entregarias-todo-a-tempestades
de cada ser desse tempo-espaço que
a mim chamo
território meu ou território de mim
se-entregarias
força que se derruba no chão que
se abre jubiloso que se vira outras coisas
coaxares
muitos jeitos de andar de lado de andar pra trás
de andar muito
de atolar os pés mas ninguém anda toda
e qualquer bípede aqui no meu território
rasteja como um deus-serpente prenhe
fará ver a vida com milhões de possíveis
e faz buracos nas misturas e faz trajetos
tu do mover tu do viver tu do sem fundo e luar
no céu luar

o carro queimando podia tanto ser o Estado burguês

a esplanada explode
não passa na tevê
você vê a bomba de gás rasante
ela rouba seu ar por tal
sequencia de instantes tudo confuso você
corre você é só um corpo que corre e o Estado burguês
quer te devorar

quer chegar no fundo do seu tutano
e é principalmente o sangue dos mais
jovens
que eles sugam
o Estado burguês é o moinho do Cartola, espinho mesquinho,

tem tanta fumaça que você
nem sabe direito como achar a própria mão
nem o próprio pé mas vai

vai

vai

vai

vai

vai porra vai
que os cavalos tão vindo atrás e os fdp
tão com cassetetes na mão você
protege a nuca mas não adianta
os fdp são o Estado burguês no corpo
o corpo todo ódio
que seu gado tá tentando fugir
o cassetete veio você
cai quase levanta de súbito desfalece
segura pra não cagar na calça

de dor

de dor

de dor

marginal herói coisa assim o caralho
você só quer diminuir essa merda toda
você quer derrubar essa merda toda
você quer os cavalos livres
as fardas queimadas
e uma fogueira que ilumine as noites
e tire o sono o frio e tire a fome

as gentes fritando umas cenouras
em volta da fogueira em palitos
é isso que você quer

com hospital do lado e tal
e um trampando pelo outro e tal
é isso que você quer, não é?

é muito?


isso deveria ser o chão

só que o Estado burguês faz terremotos
constantes terremotos
o Estado burguês e sua máquina-terremotos
o Estado burguês latrina sumidouro catástrofe

você só queria que
o carro queimando podia tanto ser o Estado burguês
podia ser assim

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

e ele disse pra ela

e ele disse pra ela
ele disse pra ela
ele disse pra ela

ele pegou na mão dela olhou no olho e
ele disse pra ela
disse pra ela
ele ele disse pra ela

garota vem vamos pra outro canto despeja
toda sua bagagem em mim vamos fazer acontecer a gente até
pode tentar construir barragens e canais e até
castelos e com todos os nós a gente
ajunta os tecidos e faz nosso enxoval
junto com meus novelos e emaranhados
e de tanta coisa tanta fábrica tanto retalho bonito
vai parecer mais colorido que a mata
e mais bonito que o céu até

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A Ladainha do Moço

Ser gaivota
jaguar
naja

Tremer com brisas
marés
dunas

Ter sonecas
partos
festas

Abrir-se em cenas
sinas
rumos

Sempre intuir
seguir
chorar

Jamais ir
fechar
nem ser visto.


transcriação a partir de A Chave do Cofre, de Torquato Neto

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

sobre projetos

é fato
muitas ideias de diálogos serão levantados
mas poucos desses realmente se farão

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Artaud em O Teatro de Séraphin

"Para descrever o grito com que sonhei, para descrevê-lo com palavras vivas, com as palavras apropriadas e para, boca a boca e respiração contra respiração, fazê-lo passar não para o ouvido, mas para o peito do espectador."

terça-feira, 15 de novembro de 2016

crueldade, e é necessário doçura?

raramente começo pelo título. e raramente, nos últimos tempos, faço um texto como esse que vai a seguir. sigamos... com uma espécie de um desenho pra falar de algo que quer tentar transbordar. um projeto, ao menos. mas que seja pelo menos um projeto que possa não se sustentar. feito de fragmentos desencontrados, de sucata, daquilo que acharam que não tinha valor mas a gente revalora e reelabora. sigamos. os beats devem ter lido artaud. não faz sentido. aí tô ouvindo nyc ghosts and flowers, a música, e pensando no quanto parece que tem muita crueldade no sentido artaudiano aqui. as coisas desencontradas, as dificuldades, mas uma tentativa de gerar conexões com algo misterioso. é isso que a música diz? é isso que a música me diz no aqui agora dentro. eu não me reencontro, eu me desencontro. desencontrar podia ser algo como reencontrar, e vice-versa. o problema é que tudo que estou fazendo é tentar dizer com palavras, e era melhor que eu tentasse dizer com o corpo. era melhor. coisas. estou distante de sei lá o que. artaud faz pensar na necessidade de retomar um sentido religioso da vida e uma totalidade que a modernidade ocidental fodeu. parece muito atual, na medida que as religiões evangélicas colocam falsas saídas. não por qualquer juízo de valor metafísico, mas porque do ponto de vista prático elas mascaram relações reais e exacerbam aspectos extremamente problemáticos dos modos de vida que o capitalismo tem reforçado e constantemente reiterado e tem inscrito nos corpos. artaud fala de um teatro que promova transformações. e não é, certamente, isso que precisamos? para além do teatro. mas a vida é teatro. não. não é necessário doçura.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

vambora

escuta

   tem   um   caralho   de   um
belo universo
          logo ali 
pra gente


                                             construir


 vambora? vambora...




transcriação a partir de 'pity this busy monster, manunkind' de e.e.cummings

Pérolas aos porcos

O rapaz com a maleta, você, pede clemência,
a moça seminua - sou eu - lhe conta segredos.
As trilhas todas repletas de plástico
e as árvores secas da terra prometida.

E eu te conto que meu amor não sabe falar,
e que me preocupo - eu não consigo nem me aguentar.
E você me conta assim que na noite passada
você o ouviu gritar por longas horas com uma moça qualquer.

E você me conta dos feitiços que você tenta fazer,
e de como ninguém lhe ouve mesmo que você tente e tente,
e eu lhe conto que me sinto tão só, que não vem revolução alguma,
e que nenhuma criança vai nascer.

E eu deixei cartas em cada caixa de correio,
e você espalhou garrafas de vinho nas portas das casas,
enquanto eu coloquei bombons em belas embalagens junto,
entregamos o que cada um tinha, o seu, o meu.



transcriação a partir de Diamonds in the mine, do mestre Leonard Cohen
cohen, the doctor wrote a prescription
and your name was written in it...


obrigado por sua vida e arte.

sábado, 5 de novembro de 2016

"I wish that I could swim and sleep like a shark does
I'd fall to the bottom and I'd hide til the end of time
In that sweet cool darkness
Asleep and constantly floating away"
prepara-te para tua própria imagem
aloha, soy yo
 

do kit

gemina com o kit
caras azedas se asseveram com tudo a perder
e o ódio será tua dádiva

quando eu te cheiro missa quermesse me quer em volta
nem quero saber
nem quero saber
eu te vi em missa em volta
nem quero saber

seu coração bate no meu
ele bate no meu
ele bate no meu
ele bate no meu
ele bate no meu
ele bate no meu
ele bate no meu
ele bate no meu

todos nós feitos bonecos de pano
nem quero saber
feito marionetes nem
nem quero saber

e você em volta de mim
e vo'ê em volta de mim
e vo'ê em volta de mim
e vo'ê em volta de mim

todos nós feitos bonecos de pano
eu te vi em missa em volta
e o ódio será tua dádiva
ele bate no meu

uma lagoa com formato de estrela
trajes de gala ficarão molhados
e fogos de artifício no céu, eu

e que derrubemos a porra da pec

eu tava sentado no chão
perto dela que já falou besteira
mas que eu trato bem eu sempre trato todos bem
e havia uma grande roda que abriram para que pudéssemos
todas e todos sentar em roda e pudéssemos
discutir rumos do movimento e possibilidades e pudéssemos
ser partícipes de um impulso que era maior que nós e pudéssemos
roda movimento impulso
inventa o que resiste
uma senhora professora de cabelo louro quase chanel
fez uma fala que dizia sobre como deveríamos
tomar cuidado com tiros no pé e deveríamos
ter pensado melhor antes de atrapalhar o enem e deveríamos
fazer aquilo e não o outro e eu disse que deveríamos
fazer aulas públicas
e teve mais muita gente que também disse isso
ou aquilo e aquilo outro
e foram tiradas comissões, mas nesse momento,
a roda já tinha se esvaziado um bocado, mas ainda assim
tivemos um número bacana de componentes peças
e que derrubemos a porra da pec
hallo november

sábado, 29 de outubro de 2016

esse país. como diria regininha, a duarte, eu tenho medo. e com muito mais razão que ela.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Pathos/Paths



São os descaminhos dos despenhadeiros e montes
Desnovelares de desrumos
Viradas de pescoço
Tropeçares em pedras e galhos
E das flores, tem cheiro e espinhos
Sangue pelas rimas minhas meias mulas
Cascos fendem barro fendem rocha
Estouro de milho e flores novamente pelo chão
Isso é dizer mistérios, isso é lero, é lira,
É lento, é lata, é latido,
Lobos que correm pela floresta, sou todos eles,
Devoro a carcaça que encontro no meio da clareira
E uivamos
eu perciso de vida
eu não sei o que isso quer dizer

se tô na frente de um espelho invertido

a dozen of times que me pergunto
se tô na frente de um espelho invertido
e me vejo com o cabelo grande mesmo estando careca
e me vejo a levantar o braço mesmo com ele abaixado
e me vejo seguir por um caminho mesmo parado
e me vejo oferecendo lume mesmo sem lanterna na mão
e me vejo mas não, não me vejo

mi illuminomi

que é que há, não se desarranja a dança,
mas que é que há, é uma parte de minha em nudez,
eu vou ali, ao meu canto perto daqui,
e eles não passarão, em canto algum, disparados feito balas

(doces, que caem no chão e explodem,
e se atingem alguém, fazem bu r cac os)

que é que é, revoada de pássaros flanam o céu
intuindo que buscas por miradas, não-lugares,
mas que é que é, piruetas e se não sei voar
sou apenas um corpo que cai do alto

(e pairo em mim mesmo
e me devoro como um abutre)

que é que é i', é a carcaça do sabe-de-si,
mas que é que é i', a morte define, a ordem confunde,
e em mentira, o mundo se faz de vermes que não
virarão borboletas jamais, estou longe, longe

(outra estação,
outras paragens)




quinta-feira, 27 de outubro de 2016

de um grande motivo pra ler frankenstein

Criatura: “¿Quiénes eran esas personas de las cuales estoy hecho?
¿buenas personas? ¿malas personas?”

Víctor: “Materiales. Nada más”.

Criatura: “Te equivocas. ¿Sabes que yo sabía cómo tocar esto?
(toma la flauta, toca un breve fragmento de una melodía)
¿En qué parte de mí residía este conocimiento?
¿En estas manos? ¿En esta mente? ¿En este corazón?“





trecho de Mary Shelley´s Frankenstein
via: El cuerpo en la dança desde la antropologia, de Ana Sabrina Mora

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

milhares de insetos na cozinha
um lençol fora de lugar
e o desconforto no peito

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

o toque na superfície de madeira
o toque na superfície de plástico
qual seria o barulho intervalar?

terça-feira, 18 de outubro de 2016

abandono

derrotas aos avessos,sssss, silencias e segues
ssssssss
sintoma nenhum na pele, penúrias, lamúrias, vitrola,
e gim, um tantim, eu tantã, tarântula, me
colocando pelas paredes
! ! !
! ! !
! ! !
fica um pouco disso, um pouco daquilo outro,
um pound, um ounce, um pence, um pecado, um segredo, silencia e segues
sssssssssssss
sistema nenhum na garganta, ganas, lama, derrama e me
chama de qualquer coisa qualquer tanto tantim tantã
tim-tim-por-tim-ti-ni-im
terrores, louvores, dolores sou
e hoje, um cado hoje, uma penca,
abandono

de fome

não é bem que não haja fundo
é mais que o fundo é também contato
a gente tateia o fundo com a planta do pé
e se preciso, a gente come minhoca, mas se
a minhoca acaba, a gente eventualmente morre
de fome

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

e toda diaba louca também, delírios e tudo, delírios e tudo

i am the stone

rushing through my veins

get real get right with the lord
fuck the lord fuck jesus fuck unicorns

je me parfounis
je me reviens de

qualquer sonido qualquer palavra desacontecer
revoada trovoada

sistema semantema símbolo que segue e trema trema temei
que o apocalipse chega no final para todo santo puto
e toda santa puta também, desaconteceres e tudo,

ganso que grasna lá pelo telhado de zinco

miau

hello

je me parfounis
je me reviens de
qualquer sossego qualquer sucesso qualquer catar milho

rima rema rumo
rema rema rumo

poema diadema esquema que queima e tropa tropa trepei
que o paraíso chega no final para todo diabo louco
e toda diaba louca também, delírios e tudo, delírios e tudo
um, dois, dois.
um, dois, dois.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

se é um eu

se a pele é um eu(se a pele é pêssego)
(se a pele é a roupa da alma)
se o ouvido é um eu(se o ouvido deve ficar em pé ou vermelho)
(se o ouvido é entendimento)
se a boca é um eu(se a boca grita)
(se a boca engole)
se o nariz é um eu(se o nariz às vezes se revolta)
(se o nariz tem tamanhos dos mais variados)
se um olho é um eu(se o olho é o princípio de tudo)
(se é o cu)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

espada, garrafa de vinho quebrada, gestos

apolo com sua espada
dionísio com sua garra de vinho quebrada
no meio de um poço de lama
numa luta das mais feias
(inevitabilidades do belo,
tal qual prisma que:
até o sem fim e:
quantas coisas dos im-possíveis:
dos im-ponderáveis:
dos des-medíveis:)
espada, garrafa de vinho quebrada, gestos

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

pra escapar do dilúvio

toma a terra com sementes
reflexo de si na piscina de vidro
distorcido
fragmentado
os tamanhos das paredes variam
as cores variam
e todas fecham em caixa
CAIXA ALTA CAIXA ALTA
a moça berra lá do outro lado
ela diz coisas loucas a moça ela
delira um tanto mas ela tem uma sabedoria
das mais supremas e longínquas de fundos de selvas
de segredos oscuros, de histórias natimortas,
de folhagem se misturando na terra e virando adubo,
triangulas e formas prismas
rodeia e giras
carrossel, carro de sol,
roda gigante, rodamoinho,
quixote vem a rebote
resete de malote, prometido a consorte,
tudo com um poquim de gostinho de
um quarto de lisergia desacontecendo
num quarto que cores que sons que
sonhos
flores num quadro
vasos gregos e o sexo
não dá pra ver a respiração numa representação, não dá,
e ainda assim se respira,
jangada antiga, opala, ametista,
pérolas de fundo de mar e sereias,
tons de verde, azul, torns de texto,
vórtex, dramin, crisântemo,
crise,
tudo que mais queríamos era
todo o povo tomando tudo e montando
cooperativas associações e tudo mais,
complexas novas
tapeçarias e padrões,
edifícios,
articulações e saltos para os lugares mais altos,
pra escapar do dilúvio,
radiohead,
azul no meio, bordas vermelhas,
me dá um beijo, me leva a lua,
a marte, a qualquer parte,
até que nos separe
o sono por um momento
porque seremos eternos até que
as chamas consumam e tudo então
cinzas, pó, que alguém há
de cheirar numa carreira
fina

Do dilúvio

delineios desenganos
igreja refletida no pântano
redes de pesca,
de tear, de dobradiças,
de possíveis táteis
qual mesa voadora
qual rodamoinho do saci
qual desaparecidos da ditadura
quem
onde
que
existem radicalidades dos alcances,
cantos abissais,
ninguém chega lá,
a semana inteira
fiquei esperando
pra te ver fodendo
pra te ver lacrando
quando a gente ama
rios saem de órbita quando
a gente ama qualquer
rima devira
fome
descabe os remares
desabe os montes
antes
ou depois
Do dilúvio:
eis o cesto

domingo, 9 de outubro de 2016

brecht, sobre tempos sombrios

"Nos tempos sombrios
Haverá também canções?
Sim, haverá canções
Que se referem aos tempos sombrios"



 Bertold Brecht

sobre mãos, pedras, risos e monstros

o caminhar que começa
de olhos abertos, atento, hesitante,
vendo cada pedra no caminho e tirando-as
com calma nem que seja
momentaneamente sabendo que
a seguir
elas voltam rolando sozinhas
mais a frente, ali onde
não se enxerga tão
bem assim

o caminhar segue e
de repente tua mão tá sem forças de
tirar tanta pedra do caminho assim e tu
não consegue nem dobrar dedos em torno
delas, as pedras, e se, olha bem,
se olha bem:
parece que as pedras estão rindo, sim,
elas já sabiam que isso ia acontecer

no último momento do caminhar
um branco leitoso tomou tua visão
e você sai tropeçando e caindo
a esmo
e você não pode parar porque atrás de você
vem um monstro pronto pra te devorar

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

sei não

entrega
na minha mão da têmpora
uma coisa-polvo
uma coisa-rede
uma coisa-teia
que se apega e se gruda
e quando mexo a cabeça pro lado...

vem mais um ban'di'coisa à rebote
e vez'in'quando tudo cai
e noutra'zora as coisa flutua

disseram-me
que eu 'güento
mas sei não, num
sei não

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

sinonimato

des em me enleio
nas rodilhas das texturas
que nunca à mão

sigo cherchendo
chaminho que posso
chuvas trobar

abaixo e a frente
vez se me des encontro
com um rapaz

torneios de instantes
tragues e'ou rompantes
redes e vagar

rimas rumeiras
atropelos e ribanceiras
e trovem vos

se des ins tante
hesit'antes do começo
enfim sossega

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

lendo cultura e razão prática do sahlins

pra variar, antropologia is making me crazy

em marx, no dezoito de brumário, via sahlins

“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem a seu bel-prazer; eles não a fazem em circunstâncias escolhidas por eles… A tradição dos mortos permanece como um pesadelo na cabeça dos vivos”

l'arbre

a árvore
com frutos amarelos maduros e
alguns ainda verdes e pode-se portanto
escolher entre um e outro e até
mesmo o fruto verde pode ter seu uso, imaginemos um,
tal qual fazer uma bebida de gosto ruim,
se a intenção é sentir um gosto ruim
à boca

a árvore
que está lá e parece que convida, sendo que
somos eu e tu e cada um que colocou sua
própria árvore lá, escolheu onde plantá-la, pois
que a árvore não existe de fato, mas
a árvore também foi nos entregue nas mãos, e ainda assim
o horizonte de buracos que, imaginemos,
caberia a árvore,
é vasto e amplo

a árvore
que, imaginemos, daria diferentes frutos
de diferentes cores sabores texturas cheiros
a depender do solo, imaginemos essa árvore,
que é tanto real e quanto imaginada, e assim sendo,
feita por mim e ainda assim já dada,
mas ainda assim feita por mim e eu e tu e cada um
com o que foi dado, mas
ainda assim feita
(por quem?)

a árvore
que com cada fruto se faria um suco
e com cada suco, ou feitiço, um efeito,
e por cada olhar no copo que contém
cada suco de cada fruto
teríamos uma visão gosto cor textura e portanto
a questão:
qual fruto?

e outra questão:
como pegá-lo?

veloz & rapidamente? lenta & langorosamente?
com temor? com gana?
com ansiedade?
com fé?

o que e como.
para não passar fome.
(só que: a fome nunca passa)

domingo, 18 de setembro de 2016

do lado de cá


desexecuto o passo tanto ensaiado, é a
fome, devora as razões, não se sabe do que, para que, aonde,
enfim, alojada tão fundo no estômago que dá até gastura,
a gente volta no termo, no remo, ao léu,
sempre um tanto algo diferente não?
aos torneios aos destocados,
paralelos às banananças

meridianos às medianas

meridianos às medianas
aos meneios aos marinados,
revoluções tornam ao mesmo eixo?
desfecho de xote, de capote, de pacote,
de tanta coisa funda e aos atropelos tropeços se está no
pântano, e é lodo, é seiva, é flor morta, é flor viva, é jacaré,
aqui não me dá pé, reconheço, é hora de
voltar
ao
lado
de

aqui não me dá pé, reconheço, é hora de
pântano, e é lodo, é seiva, é flor morta, é flor viva, é jacaré,
de tanta coisa funda e aos atropelos tropeços se está no
desfecho de xote, de capote, de pacote,
 revoluções tornam ao mesmo eixo?
 aos meneios aos marinados,
 meridianos às medianas

sábado, 10 de setembro de 2016

revolteio em loucas

ocasionalmente tenho projetos, ocasionalmente deixo palavras correrem algo livres nunca risonhas minto às vezes sim risonhas e livres mas só às vezes, ocasionalmente começo algo e chego no final com outro-algo, o algo do início não disse ao algo do final como o queria, como quando dizem ao ser que ele é menino mas ele é menina, ou qualquer coisa entre menino e menina ou além ou antes ou depois, às vezes eu corro pra alcançar e às vezes corro pra ficar longe, às vezes nem corro e fico só olhando e lá vem o trem e ele vem do céu e das nuvens e é o juízo final, aloka, ocasionalmente ou até via de regra eu me digo para não me levar a sério e disso encontro os efeitos mais estranhos, já que não sei medir os efeitos ficam como feitos, desses de menor valor, voltaemeia, porque o menor valor é importantíssimo necessário e eu diria mais até diria que ele é crucial pro bom andamento das coisas, não que se busque aqui um bom andamento, veja só, vezes se busca andamento algum, ausência de andamento, vezes rolamento, vezes paralisia, é que é necessário articular situações me parece, se bem que vezes a gente pega o necessário e mete nele roupas bufas, então dá-lhe misturas heterodoxas, tipo feijoada e chocolate no mesmo prato cê arrisca hã quem arrisca me diz me diz quem arrisca




inevitavelmente isso se tornou uma referência a uma amiga querida, ainda que sem intenção de tal

rotas & riscos

habita-me
nos traçados trajetos gestos
degredos negativas paralelos
                                 e meridianos,
em greenwhich, em kuala lumpur, horas
diferentes, linhas idem, linhas conectam
- ou tentam, alguém diz -
e outra pessoa as rompem, quem
fez isso?, habita-me
nos desejos dramas dragões
gritos suspiros prisões
                          e praias,
em honolulu, em maragogi, tempos
diferentes, areia idem, areia e cacos
- nem tentam, alguém diz -
e outra pessoa que as jogou, quem
fez isso?,

habita-me
enquanto fazes isso
habita-me
e fazes aquilo outro
habita-me
e fazes tanto lá quanto queiras fazer
pelos rumos rimas ramos risos rasgos
rotas & riscos

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

espadas

e uma deusa brotou da terra
e disse: QUERO ESPADAS AMARELAS,
e outra deusa brotou
também da terra e disse:
QUERO ESPADAS AZUIS,
e uma terceira deusa
brotou da terra e
disse: QUERO ESPADAS VERMELHAS,

e assim se seguiu por milênios,
tantas deusas sucessivas, brotando da terra,
uma às outras dirigiam seus berros,
suas negações:
VIOLETAS!, PRETAS!, LILASES!,

e as gentes todas estavam confusas,
bem, como ela estavam confusas...,
e em suas confusões permaneceram

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

de malfunção

você entra no quarto e
vejo como tudo está fora do lugar e tudo
simplesmente evapora e você
entra no quarto e é uma bagunça gigantesca
das maiores possíveis e você entra no
quarto e eu às metades às quintas partes aos
quintos de infernos e sete círculos e sou tão tolo
e és a essência de um ser tolo toda a conjugação possível de
tolice encarnada em teu corpo que se move e anda e
entra no quarto e eu começo a derreter imediatamente
cada célula de meu corpo uma usina de força
células átomos explosões eu te digo eu te sigo eu lato para você
que eu sou seu cão seu cão seu cão
seu cão guia seu cão noite
seu cão de sombra e terror eu quero
devorar sua cara
e depois vomito porque és
uma pessoa das mais indigestas e ganindo
uivando
desesperadamente
porque você
ousa
entrar no quarto


terça-feira, 6 de setembro de 2016

eu quero

eu quero que meu desejo
eu quero que
meu desejo
eu quero que meu
Desejo
coma o teu
depois vomite,
ou volite, eu quero que meu,
como mamãe gato louca come o seu bebê gato,
como as coisas na natureza se comem,
como a natureza ela come todas nós, pó,
semente flor e espinho, a planta come a terra, eu quero

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

odalan em Bali

o dia da "emergência", do "aparecimento", do "surgimento",

via pessoa, tempo e conduta em bali de geertz

no mais

só um KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK de desespero meixmo

laços, nós, coisas, arfante

tomar a cultura como um texto,
é, mas não, se não é um texto, bem... tomá-la como a vida,
de qualquer forma, eu busco caminhar, e não saio do lugar,

isso não é bem uma imagem metafórica,
isso é mais uma descrição de como é feito um exercício,
um passo,
que imagem que se faz de um passo que não sai do lugar?
estamos falando de impossibilidades?
e a gente lembra assim, a gente sendo eu e meus eus,
que imobilidade também é movimento,
e energias são fluxos, e são constantes, e existem
o  t e m p o  t o d o

eu não tropecei de fato, mas estou tropeçano,
vamo no goianês, o tropeço é uma imagem metafórica,
o desespero de com, por imagens, essa ânsia,
fragmentar movimentos para ver nuances, essas ânsias,
e palavras também em pe da ci nhos, pe que ni ni nhos,
fragmentos movimentos palavras respirar na hora certa
do jeito certo
e, inevitavelmente, porque eu sou eus eu sempre de um jeito tão
parecido
quero dizer
ao caralho com o jeito certo, mas se pedem,
não, não imploram, mas quase que não deixam opção,
e opções são como, bem, aquela coisa
escolher qual fio da bomba que se corta
para o desarme,
e deságua, e desalma, e desenhos que pernas braços dedos mãos
joelhos cotovelos cabeça  pescoço quadris peito cintura
fazem no ar, e em suor,
a gente, eu e os eus, a gente arfa

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Em estudo sobre os índios da Amazônia, Eduardo Viveiros de Castro (2006) analisa como o corpo humano recebe sua forma pelo olhar do outro, ou seja, depende da perspectiva de uma testemunha.

in: http://www.poiesis.uff.br/PDF/poiesis21-22/dossie1-01-vmatesco.pdf

terça-feira, 16 de agosto de 2016

grato grato grato

vinteoitanos beirando a esquina e eu só consigo pensar em como sou grato pela vida que tenho e todo o amor que recebo.

indeterminação é uma lei

eu faço vinte e oito amanhã. eu ando muito pouco convicto do que tô fazendo na vida. eu meio que arrasto as coisas com a barriga. e eu consigo encontrar mais felicidade do que incômodo no cotidiano, via de regra, mesmo que dependa um pouco do dia. "get real get right" do sufjan stevens me ajuda particularmente hoje de forma especial. eu sou um rapaz de fugas. por preguiça, por medo, por desinteresse. eu sou um grande covarde, e isso me faz estar vivo. e eu sou um grande inconsequente, estão reconhecer que estou vivo é também uma sorte ou uma bênção. e eu já quis morrer um bocado, ocasionalmente ainda quero. eu amo pessoas, vezenquando, voltaemeia, e são várias. cada uma que me complementa, que me faz rir, que me traz coisas boas. e aquelas outras que fazem doer também, e a gente ama ainda assim. é aquela coisa, a vida, fazer doer, e amar ainda assim. vida, amodeio, odeiamo. vinteoito, venha aí. às vezes amanhã vou fazer um daqueles posts reflexivos. às vezes não. indeterminação é uma lei.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

quisera ter levado pessoa para passeio em joão pessoa

Estar em uma cidade que você não conhece é um tanto como se sentir como um - um estrangeiro, logo um estranho, um anjo, um mensageiro. Estranho aos prédios todos de lá. Anjo pois meus sentidos são outros, bem como minha voz. E logo mensageiro. Parece que acontece: cantigas dentro, descobrir linguagens línguas tatuagens, mares, mergulho em um, derramar-se, 
                                                                                                                   sensações, mundos devaneios. Jogos que acontecem. Deparar-se com um temor, vê-lo a sua frente. Opa, é assim que começa um capotamento. Hetero-descontruído-que-beija-rapazes,  nome do auxiliar do sherlock, nome do herói grego, nome do meu colega do mestrado, nomes, pra que tantos, cachaça que se faz presente, eu mergulhei sim. Mermão, aqui é sereia. Certamente. Táxis caros. Busões demorados. Descer no ponto errado. Papos, possibilidades, desejos, interesses, completar palavras mentalmente, adivinhar signo e depois data de aniversário, as coisas que não são ditas, as pessoas que acontecem se pá que nem cometas, e a beleza de qualquer cometa, desejo, deliro, suspiro, atiro, giro giro, beijo beijo,

terça-feira, 9 de agosto de 2016

descabendo de si

ouvindo time to pretend do mgmt e com várias vontades de gritar bem alto e enlouquecer via baladas por meio delas e por ruas e coisas e pessoas e aconteceres

sábado, 30 de julho de 2016

qual seria assim meu nome?

eu ando nas ruas de pedra, evito
jogar bitucas no chão, rastros se perseguirem
alcancem sim, minhas sombras, jogo de luzes, algo
confuso, algo confuso o jogo de luzes algo confundo com
coisa alguma, coisa fusa dá linhas e os cortes
chegam
cortes
chegam
cortes
chegam
eu quero alvorecer a cidade inteira luzes confusas
linhas de luz lilás carmim claridades
qual seria
assim
meu nome? e se descobrirem, assim,
eu perco meus poderes?

sexta-feira, 29 de julho de 2016

asmat of new guinea feat salomé feat judite

a cabeça no prato
como uma maçã, aberta,

um cristo
que tivesse sua cabeça entregue
à dama de vermelho, de verde,
de dourado, de cetim transparente,
venus in furs, em imagem preto e branco,
de véu e gótica, ora absorvente
noutra oblíqua,
com violência, panos vermelhos ao fundo,
sedutora,
pensativa,
dedicada,

e seria esse seu sacrifício pela humanidade

cante cante cante cante

e a passagem
do invento ao aumento ao unguento, desentardeceres
enquanto sonhas, quaisquer coisas de rubro e carmim,
turquesa, opalina, ametista, marfim,
turner é tornar, regresso, demônios anoitecem e cantam
dos segredos das terras de trás dos montes, os rumos dos
casebres são esparsos e tortuosos, sinete
ao fundo, possíveis fecundo
acontece conto e cante
cante cante cante cante

terça-feira, 26 de julho de 2016

o desejo é

o desejo é um comichão,
o desejo é um colchão furado,
o desejo é um saco de lixo preto vazio,
o desejo é um tremor didentro,
o desejo é uma coisa muda,
o desejo é o desrespeito ao solene,
o desejo é o amassar das folhas de um livro dentro da bolsa,
o desejo é

segunda-feira, 25 de julho de 2016

o resto é silêncio

porque pesam-lhe - os filhos - ao caminhar

da proporção áurea
à distância entre seus olhos
seu lábio e seu nariz
sua boceta e seu pé, soma de detalhamentos
experimentares rebentares cantares
quão grão é o tormento de certo momento
tudo é demasiado e falta termômetro qualquer coisa
desacontece aos pequenininhos pequeninos bocados
pequim xangai hong kong marrakesh eu não traço conexões
eu as rasgo
garras de wolverine
constante como um caminhante branco
reto como um cigarro aceso
eu ouço sigur rós como todo mundo lá na islândia e
aqui é o brasil e noutro canto ainda o islã
bota sempre o mundo nos ombros, não acha
ovo de ouro de galinha, que te fará ouro dourado e
a todos também ouro
eu já disse e repito: esquemas não são poemas
versos, somente os que não meçam,
e peço,
não peço,
desisto,
todos os filhos nos ombros
quantos que ainda quiseram ver a luz porque alguns no ventre mas
o ventre são ombros
porque pesam-lhe - os filhos - ao caminhar,
eu queria até dizer
que o que
ainda desacontece é bonito
mas nem é não, sigamos
por tudo quanto for mandinga que dê conta, pela
leitura das linhas das mãos, das letras, dos vãos,
das rachaduras das paredes e principalmente
principalmente das teias de aranhas, são tantos os
títulos possíveis
e uma das maiores diversões é inventar títulos, quem é que
começou com essa história?
história devires memórias
solidão frente ao céu, todos nos nus
nos debatendo com o fim,
provavelmente amargo, mas algo agridoce,
tal qual é esse fim aqui, com hematoma e tudo,
bomba de balas de gengibre,
bolha de sabão preenchidas por fumaça, nada,
a lua vermelha ao lado da torre de tevê digital,
uma plantação de abacaxis,
rosa já foi cor considerada masculina,
porra de cor com gênero o que caralho!,
ana paula pri e luisa,
é necessário diferenciar o mais do mas?
eu tenho preguiça do que invento de fazer.
eu fui vida. agora sou preguiça.

idiomas, palavras

jamais me esquecer
de quando eu inventava
idiomas, palavras, insatisfeito com os usos de sempre,
querendo novos possíveis de ser.

jamais me esquecer
que é possível alucinar e escurecer
em simultâneo, quer dizer,
eu acho que é possível sim.
se não for, eu faço ser.

delírios de espelho

eu te encontro dentro de mim,
eu te vejo pelas passagens,
e só.
chega. chega junto.

chama que chama chama.

hoje eu li que intenção e seta são coisas relacionadas.
eu vivo fragmentos.
este é um deles.

o leão morre no final.
um novo leão vem.
a gente conta os dias. eu, eu, eu eu, e mais eu eu. e eu.

kintsugi?

é uma coisa
das mais delicadas e por isso
exatamente por isso mesmo
se quebrou,

e é curioso que a mente
- essa que age por si -
pense nos japoneses, ainda mais que

- e a mente
- a mesma que age por si -
sabe que -

não tem mais ouro
por essas bandas.

reverso de rota

quando se quebra galhos
parte do que é sólido
flutua 

e quando se quebra a cara?
a mão que vem sem que você nem veja,
as mãos que se movem tortas sem saber para onde querem ir.

eu quero alcançar seu rosto
fazendo um hematoma.

isso é feio.

não, não,
será um belo hematoma.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Lévi-Strauss através de Dan Sperger em "On Anthropological Knowledge"

Parrots and squirrels are famous fruit-eaters . . . and men about to go headhunting feel a relationship to these beings and call themselves their brothers . . . (because of the) parallelism between the human body and a tree, the human head and its fruits (Zegwaard 1959, quoted in Lévi-Strauss 1966: 61).

segunda-feira, 18 de julho de 2016

e ela dizendo que queria ser o elefante estabanado na loja de porcelana

e a cegar, na terra que ninguém terá sequer um olho

canseira da necessidade de ordenamento.
e os acontecimentos acontecem.
e sua uma ausência acontece em mim, não que a sinto só,
é o futuro, é o passado, é o nunca,
é escrever seu nome no azulejo do banheiro, é o
florir das flores de shiva no azulejo do banheiro, que flor
e riem, flor e foram, flor e vão,
é o nome do meio do meu duplo nome,
eu que sou um targaryen, eu que trepei com lancelot, certamente,
eu que sofri os fins e finais,
entro no modo compulsivo de novo, evito a poesia,
tons e tonais, modos e modais, semanas e semanais,
semi semi semi inteiramente semi
bom quando a água gelada arde a garganta e você
rebate com cigarro logo a seguir,
e a cegar, na terra que ninguém terá sequer um olho

sábado, 16 de julho de 2016

num corpo de vidro, desses que já guardou requeijão, vim
recolhendo unhas que cortei ao longo desses longos anos, não
sei quantos, quanto mais anos na medida do universo, esses alguns
insignificantes
tais quais as manchas de minhas unhas, e as ajunto
espalho pelo longo tecido branco e começo a jogar tintas que também
também as tintas eu recolhi ao longo de trinta
anos, mas que confuso isso se tenho vinte-e-sete, quase vinte-e-oito,
e quando é que preciso colocar hífens mesmo, e paralelos que traçamos,
à mão livre eu nunca consegui fazer uma reta
à mão livre qualquer verso tem mais de reverso do que de regresso e eu me
tomo, me imponho deveres, não volto, eu digo que a mim eu devo dizer o que devo,
e o que faço para o sol?
não. é sério. é uma pergunta bem séria.
como é que fica o sol?
isso não é um poema. isso é um caralho.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

em tintas
rasga o painel pintado de tintas
ódio a tons ódio a tudo destruir o que fiz
eterno irrevir irrevir irrevir
eu faço as fendas do existir aquiagora
o corpo que não se enquadra, que não se permite enquadrar, que não é dócil,  que transborda
Na vida
Eu sou a mina loka no cantinho alí

quinta-feira, 7 de julho de 2016

quarta-feira, 6 de julho de 2016

busco fidelidade a mim, busco me ser fidedigno, fidalguia me passe ao largo, passos firmes, não os meus, e ainda ressigo ressoo qualquer intuição que percorre a pele, que possa fluir de se sentir algo, tanto qualquer algo, tanto quanto algo, semelhanças não se brotam, instantes neles mesmos, viver como que aos tropeços, poeticamente aos tropeços, olhando sempre por espelhos e portanto são imagens que te miram de volta, e você mira e elas te miram e é aquela coisa, quando vê, tá desnudo, é o acontecimento de saber da carne a tua própria, é o desenrolar-se de si, novelo que se estende e sabe percorrer trocentos quilômetros, sempre em frente, com bastante tempo, perdas e ganhos, a gente não sabe o que quer dizer e diz, a gente sem saber faz boniteza pelos cantos, como arremedos, como tapeçarias, como móbiles, como parangolés, como o mictório de duchamp, ê-lá porra, ê-lá baba, ê-lá suor, ê-lá lágrima, ê-lá escarro, ê-lá tudo que escapa, as vozes - elas - são
e eu sou um ser humano normal

segunda-feira, 4 de julho de 2016

o branco para kandinsky

O branco
"(...) é o símbolo de um mundo no qual desapareceram todas as cores enquanto qualidades e substâncias materiais. Esse mundo está tão acima de nós que nenhum de seus sons no alcança. Somos envolveidos num grande silêncio que, representado materialmente, parece um muro frio intransponível, indestrutível e infinito. Por isso o branco atua sobre nossa alma como um grande silêncio absoluto. Interiormente soa como uma "não-sonoridade", que pode ser equiparado a determinadas pausas musicais que interrompem temporariamente o curso de uma frase ou de um conteúdo sem constituir o término definitivo de um processo. É um silêncio que não está morto, mas, ao contrário, pleno de possibilidades. O branco soa como um silêncio que imediatamente pode ser compreendido.

É um "nada" juvenil ou, em outros termos, o "nada" anterior ao começo, ao nascimento. Talvez a terra tenha ressoado assim durante os tempos brancos da era glacial."

Do espiritual na arte, de Kandinsky.
via: Dorothea Passetti em Lévi-Strauss, Antropologia e Arte

sábado, 2 de julho de 2016

"And I'm watching you now
I see you building the castle with one hand
while tearing down another with the other"

que

que
o nome escrito em minha testa seja triunfo, que
o caminhar distinto e firme dos antílopes de mim não deixe pegadas para que
hienas não me alcancem, que
todos os dias que o sol se levante ele o faça com amor que
doura e cozinha, que
eu não seja cru, que
eu não torre, que
a paciência seja minha irmã siamesa, que
meus olhos sejam de gato tais fendas do abismo dragando profundezas que
se coloquem querendo me levar abaixo, que
não aconteçam catástrofes, que
minha pele seja tão dura, que
o nome escrito em minha testa seja triunfo,
que

sexta-feira, 1 de julho de 2016

jorge de lima em invenção de orfeu, via kadosh de hilda hilst

"Conheço-vos quem vos fez, quem vos gorou,
rei animado e anal, chefe sem povo,
tão divino mas sujo, mas falhado,
mas comido de dores, mas sem fé,
orai, orai por vós, rei destronado,
rei tão morrido da cabeça aos pés."

testes do otariano

procurando emprego

procurando motivos pra viver



define bem. inda mais levando em conta a ausência de gucci. :/
né fácil não

o cheiro

treliças tremulam, murmuram, bandeiras
esfarrapadas por todo o caminho, guias
o caminho de dentro para todas
inconsequências, sem abluções,
reconduzido ao trono, sujo de merda e vômito,
o rei reina, o guerreiro guerreia, o sono sona,
no fundo do mar, bomba que se avizinha, ninguém
poderá nos ouvir cantar, e que tal
se a gente
chamar
isso de vitória?, a vitória não, que ela é muito feia,
me dê a derrota, a ferrugem e o sangue jorrando,
tudo que tá na veia e escapa,
o que tá na mente e parece infecção,
e o que é segredo e ninguém contou nem a si mesmo, derrelição,
desejo,
dragões, se você aspirar bem forte o ar e sentir
o cheiro também igualmente forte deles assim, secreto o cheiro contudo, mas
como pode, como pôde, tal cheiro
seguir assim por tantas eras e passar desapercebido?

quinta-feira, 30 de junho de 2016

cada um dando o que pode e quando pode?

estranhei a barba em minha cara

quase pensei em raspar

butôante

e ao percorrer o nada, o todacoisa,
o qualquercoisa,
o sono e o dia,
o tremor, o terror, as luzes,
a terra que geme,
a mãe lá do fundo,
a de ontem, a de sempre,
e o deglutir raízes e algas e pérolas,
nos resfolegares dos despenhadeiros e desrumos,
o antes o agora e o depois,
a mulher que tenho em mim sou mim enquanto homem,
com o pulsar de todas as mortes de todos os tempos e
a minha a vir,
destino de cadáver: explodir em bolhas,
jogar a mim em ares pra cima

melodia pra pagode

e do nada quis sentir seu corpo,
precipitada, singela, levada

explosão

cataploft

segunda-feira, 27 de junho de 2016

catástrofe e trauma

"A palavra “catástrofe” vem do grego e significa, literalmente, “virada para baixo” (kata + strophé). Outra tradução possível é “desabamento”, ou “desastre”; ou mesmo o hebraico Shoah, especialmente apto ao contexto. A catástrofe é, por definição, um evento que provoca um trauma, outra palavra grega, que quer dizer “ferimento”. “Trauma” deriva de uma raiz indo-europeia com dois sentidos: “friccionar, triturar, perfurar”; mas também “suplantar”, “passar através”."


netrovski e seligman-silva in: arquivos da derrota de maria luiza rodrigues souza

sexta-feira, 24 de junho de 2016

seis bilhões novecentos

um mundo inteiro caminhada, camará,
sem respirar,
pra não sentir os cheiros:

fumaça,
esgoto,

a floresta dava sombras, agora é morte,
e é preciso levar a merda pra outros cantos,

fazendo a voz soar bem alto e ela ainda tão
baixa, sussurrinho, remete a
brinquedo, mas é tragédia,
pinóquio nas chamas,

embaixo dágua peixes respiravam, foi sim,
e a iara teve seu reino,

olhei a superfície, não me via,
me joguei assim mesmo,
como que de surpresa, de assalto,
espelho,

alguém mais belo que eu?
seis bilhões novecentas e noventa
e nove milhões novecentas
e noventa e nove
mil novecentas e noventa e nove pessoas mais
a boca que cala, é vala

terça-feira, 21 de junho de 2016

eu, você, todo mundo

estabelecem-se as conexões,
quasi-arbitrárias, tortas, quasimodais, garguláicas,
máscaras parcialmente simétricas, simetrias de apego,
simetrias de motivos, ações,

constelares, quasares, ligar por fios brilhos
a outros, dizer nomes, bem alto, alto lá, alto
aqui, objeções, o maior tom, o tom correto,
o trem navegava pelo céu, escapante dos trilhos,

válvulas de escape, escapamento de automóveis,
transportes, transposições, façam
o velho chico coroar de água as regiões de aridez, façam
as crianças a brincar na água, explodindo em mundos nada estáveis,

quanto menos é mais, quando,
quanto mais é mais, quando,
quanto menos é menos, quando,
quanto cada é cada,

escada para dentro de si, escalada para topo do mundo,
reflexo nágua, narciso se busca, espelho, espanto, medo,
abissal, aberração, mistério e segredo:
eu, você, todo mundo.


sexta-feira, 10 de junho de 2016

ele bate na tua cara

meu coração vai pra ti, arranco do peito,
jogo na tua cara
deixo a cor de meu coração no seu rosto,
sujo seu rosto,
sim, meu coração é roxo,
é verde, é preto,
meu coração-tijolo, o canivete na minha mão,
eu quero devorar o seu coração, agora
eu quero devorar o seu coração
bate que bate que bate que bate
bate por mim bate por ti
bate nos cantos bate nas quinas
bate nos muros bate
na tua cara
ele bate na tua cara

fatinhos no dia de dez de junho

1 - e a frequencia absurda com que estranho estar em junho? fico achando que estamos em maio, tipo, o tempo todo. acho que eu queria que ainda fosse maio. as coisas vão se atropelando e se apertando. prazos fodendo vida, corroendo os caminhos que eu poderia.

2 - reencontrar "all delighted people". querer viver magia. ter que estudar. tentar estudar com magia, fazer magia. eita, nada de novo. dizer que "nada de novo". nunca cansar de dizer "nada de novo". com a mania de se olhar sempre da maneira mais risonha, no mal sentido. e tentar ver se dá pra ter ternura nisso. acho que dá.

3 - andamento, repetição, tempo, timbre, grades, correr, pular, sentar, deitar, levantar, andar, o que a memória não permite, e os mistérios do corpo.

4 - fazer uma leitura pensando no que se pode futuramente usar. leitura das mais interessadas, ou seria das mais interesseiras? interessadeiras. assadeiras. god, eu sou babaca. meto isso tudo no forno, tempero com os ingredientes errados, e o bolo, eu sei, não vai crescer o suficiente.

5 - eu queria, eu acho, entender porque: o signo da falha me persegue. eu faço questão de falhar? "eita, nada de novo." "eita, já fiz uns 78638023629 posts sobre isso."

6 - deve fazer mais de um ano que eu não corto o cabelo.

7 - eu queria ir no ganjaço amanhã mas muito provavelmente não vou.

8 - chulé da porra.

parecia ser possível

eita que a gente se distancia, e então intenta
aprochegar o corpo do outro (corpo) pouco a pouco
pouco a pouco
discreta lenta constantemente
até que chega a lugar nenhum, sem nem ver o corpo
o outro (corpo) não está lá
mais

segunda-feira, 30 de maio de 2016

repetir, pra ver se marca

a cara pronta pro tapa, que seja. preparemo-nos.
"Eu, Antonin Artaud, sou meu filho, meu pai, minha mãe, e eu."

momentinho rebelde-sem-causa

aí que vou ler sobre corpo e antropologia e, sempre no início, tá lá. marcel mauss. marcel mauss. marcel mauss. nada contra, mas dá vontade de ignorar o tio mauss só de birra.

pé detonado

quero uma trégua, hiato, aquela
pausa de mil compassos, precisa, que venha,
depois da algazarra, da balbúrdia, do festim,
depois desses cortes em mim.

perdi
um de meus sapatos,
ficou pela vida, atoleiro-vida.

pé detonado, sempre partida,
truco de todos os tempos, metades
de mim caídas, ponto final a cada
tentativa, a cada lida.

intentam, é piegas, que eu queira dizer
que querem
destruir o amor, é piegas.

às vezes
é imperativo ser piegas.

sábado, 28 de maio de 2016

teu fogo

olhando para todos os lados, olhar se perde,
depara, repara, e para
nos cantos nas quinas nas covas, olhar
sente um frio que pega corpo inteiro

não tem lareira
não tem aquecedor
não tem agasalho
não tem edredom
não tem pessoa, e ao redor

pela janela, pra ver se acha, olhar
nas rachaduras olhar nas fissuras olhar nos murmúrios
pouco de calor que seja, olhar

pra dentro,
afundar até que toque

acende tu
teu fogo
com tua fome

dos contatos

quando ponho-vos a mão
e a mão arde e grito alto e quase
perco a mão e a possibilidade
de te por a mão sei assim
que nunca foi meu minha nenhuma
sei sequer que nunca existiu intuo tudo
duvido sequer de haver mão ou mãos ou medos
de que queimes qual é afinal
razão caminho
que pôde se fazer com mão e toque

qual, quais

trovão que cai em ti
enquanto se move, ou se atrás de ti,
faz tua sombra gigante, e tua sombra é o que de ti?, e se
caído em ti, jazerá
morto pálido à minha frente, e depois arroxeado, e tocarei minha fronte?,
e direi pânico e direi pavor e direi tempestades maldigo a vós
que tiram de mim o amor o amado a possibilidade o sonho que me fazem ver
a enormidade do nada, grande nada,

a luz que eu via nos teus olhos
era luz que havia em mim era
luz de engano e engodo
era luz afinal
era
???

quais cicatrizes,

se o trovão te levanta e
você inventa de por
um vestido e de dizer
essas coisas todas que saíam de mim e
encontro você assim
qual

delírio
?
?
?

a grande ficha

novas versões do mesmo tema
(eterno tema)
(maldito tema)
com tomos e tomos das mesmas letras
em outras ordens, outros percursos,
percalços, caleidoscópios, batimentos cardíacos,
batidas no muro, esbarrões (que,
imaginados, eram todos os mundos possíveis e vagalumes
das noites escuras e cheias de terrores,) (que, imaginados,
eram pássaros em cantigas histéricas de acasalamento)
(que, imaginados, nos dariam um novo mundo de cores),  toques, sirenes,
nenhum canto foi sedução, voz que não soou, socorro que não se ouviu,
peça de quebra cabeça que não encaixou,
ficha que nunca caiu,
e a grande ficha
um dia, sim, na vida,
furando o chão até alcançar, será?,
duvide-o-dó

na garrafa

às
met-ades

nada de odes

epitáfios ao reverso,
palavrões, palavrórios,

relicários de carne,
de cadáveres, de crianças,

criaturas somos precárias,
criadores somos monstros,

as leis dos homens e as leis de deus
na garrafa lançada ao mar
 
para ninguém

preparemo-nos

confronto-me com malinowski, e seu projeto com os argonautas, e me vem a mente a grande tentativa de fechar quadros, círculos, imagens, tudo mais ou menos coerente, e se tantas vezes isso me faz rir, duvidar, ou ter algo como piedade, também acabo por pensar em outros "lados", "prismas", "possibilidades". nem sei bem porque uso as aspas. é mais um pouco daquele sentimento da dificuldade com a linguagem. pensei em usar "linguagem", mas deixei linguagem, sem saber direito o que quero dizer. não saber direito o que quero dizer é uma tônica grande para muitos de meus empreendimentos. não saber bem o que objetivo. e digo-me com frequencia que é legítimo isso, que é válido, mas me pego me perguntando, e me lembrando. das poucas, mas existentes, vezes, que malinowski nos argonautas admite que quanto a uma questão específica, lhe faltariam conhecimentos para fechar uma interpretação, ou dados, ou etc. me pego pensando. me pego pensando que de alguma forma meu esforço, dentro de um ambiente acadêmico, envolve o dizer algo. e quantas vezes não me pego me questionando a cada sentença. o esforço por dizer é importante, né? acabo tendo que dizer isso pra mim e registrar aqui. porque se os que têm, como eu, temores a dizer, dificuldades a dizer, temores e dificuldades como base do que se diz, mas também como parte do conteúdo do que é dito, com temores e dificuldades a se dizer e a dizer, ainda assim, devemos lutar com o tanto de absurdo que se diz. ainda que absurdo seja relacional, ainda que seja precário definir algo como absurdo. tudo é mesmo precário. e o silêncio não tem ajudado muito em tantas situações. a cara pronta pro tapa, que seja. preparemo-nos.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

enumerando rapidinho maio 2016 em merdas

crise política
impeachment/golpe
estupro coletivo
cortes de verbas
frota no ministério da educação
nojeira do inter ufg
babaquice de impedirem nome social
nova secretária das mulheres do temer ser anti-aborto
violência de pms contra secundas em ato
rede globo
tentativa de impeachment do marconi não sendo noticiada na grande mídia goiana
ministro da justiça do gov ilegítimo dizendo que nenhum direito é absoluto
serra como ministro das relações exteriores
quase todos os ministros do temer
a tentativa de fim do minc
reintegração de posse sem passar pelo judiciário do gov alckmin contra secundas


que mês merda esse maio

elA

elA
tem que ser elA
com A
caixa alta
via de regra, é uma elA,
e elA são todas elAs,
('A' pés no chão
'A' aponta pra cima
'A' vai além de toda podridão, merda, nó na garganta, ânsia de -,
vocês sabem muito bem ânsia de que)
esse A que é elAs, e que eles tentam engolir com seus 'es',
com seus 'os',
com seus crimes, com seus absurdos,
eu que sou eles que não sou eles que evito ser eles que sou eles que tenho profundo nojo do eles,
que sou eles,
afirmo o lixo que somos eles, mas
elAs lutAm hão de cada vez mais flores ser,
de ser seja lá o que queiram ser que as levem elAs além acima
('A' com a ponta pra cima)




vômito. etc. ad infinitum.

disse com a voz meio embargada
que queria
enxergar as cores que poucas veem, as especiais, quais
dons se perdem, quais dons se ganham,
quando no escuro
sentir mais cheiros?, se
senil
contatar espíritos? a televisão ligada nunca diz nada, a cabeça
pode ir a mil, pode ir a zero, pode rolar pelo chão, definem
justiça, definem sossego, definem torturas inimagináveis,
são
muitos os sons, ninguém são,
somos muitos os nãos, ninguém sim, ninguém salva,
(e muita saúva,) e um salve, e inspirar
e que leve, que leve, que leve, flutua, brisa, dromedário, com a voz
bastante embargada agora disse que queria
tanta coisa, não daria
pra falar, mas ninguém fala, e por não dar pra falar é que
ninguém deve falar?
falamos pouco demais, ou nada é suficiente? sufixo pra dor,
adorável,
sufixo pra forma, formidável,
vômito. etc. ad infinitum.

terça-feira, 24 de maio de 2016

o problema às vezes não é que os limites existam, e sim quais são esses limites

domingo, 22 de maio de 2016

pollock disse

"No chão estou mais à vontade, sinto-me mais perto, integro-me à obra, porque posso trabalhar em torno dela, dos quatro lados e literalmente estar no seu interior."

toda a gente se importa, entende

toda a gente se importa, entende,
estende ao máximo as potências, a distância de um ponto a outro
potengi é um rio, correntezas que vivemos,
correntes elétricas, toda a gente

se comporta, se encaixa,
se emenda, uma calça de retalhos que não cabe mais
em suas pernas, cada vez mais gordas, sua boca não cansa
de engolir,
toda a gente sugere, mas você não tem pique,
regurgitar é para os fortes, em murais alheios, formato de esportes,
lazer e trabalho separados na fonte? confronte, toda a gente diz,
a gente que te envolve, que te quer inteiro,
só que seus estilhaços são cristais,

o galo canta,
e você odeia,
e olha pro sol até arder,
e a chuva vai fazer cores no céu,

os restos, o descanso, o aconchego
desconheces, alheidade, subir escadas, degraus quebrados,
e é esse teu lugar perfeito, sem flores

terça-feira, 17 de maio de 2016

magia, in Mauss e seu esboço

"se sujam com a poeira recolhida nas pegadas de um elefante, cantando uma fórmula apropriada."

segunda-feira, 2 de maio de 2016

com greg ruth

e portanto estamos em construção,
tábuas, escadas, árvores, livros,
pessoas em nós caminham livres?,
machadinha na mão

sexta-feira, 29 de abril de 2016

algum segredo

a garota morango,
se exprimir faz o escorre sumo,
morando nos reflexos, espatifada, blush
pra corar, vermelha a boca pra dizer,
morango quase sangue, ora esverdeada, verte
azedo?, verte doce? inverte as miras,
mora nas árvores, colhe frutas, delírio do gosto,
possível das vidas, floresce?, padece?, parece que
perece, esquece,
fagulhas, estilhaços, mata toda tomada fogo, tornada chama,
chama suplício,
e agora
em roxo, em violeta, o casco fendido,
fronteiras, margens, devirando-se fruição,
celebra, o que celebra?, átomos, bombas, as células compondo
recompondo
desintegrando, celebra, o que celebra?,
as dobras, as pregas, as coisas que se aderem umas às outras
e se imiscuem e quando se tenta
desvencilhar, se rasga, a garota morango
anda lento, celebra, o que celebra?,
voz baixa
e tão lento que há de vencer a lebre
Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo.
Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa de se arriscar e entrar no oceano.

E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano...

Osho, via Poliana Pieratti

confissão-constatação

impressiona-me em barthes e sua câmara clara sua recusa revoltosa tantas vezes ao universal, e me põe a pensar-sentir:

prefiro-me tanto tantas vezes sentir-me gota em oceano

três práticas, emoções, intenções

(quebrar ovos)
(traçar espirais)
(cantar rapazes)

[expectativa]
[tédio]
[diversão]

{bolo}
{marcas}
{foda}

segunda-feira, 25 de abril de 2016

sexta-feira, 22 de abril de 2016

durkheim, formas elementares da vida religiosa, capítulo 3, livro 1, sobre o naturismo

"o raio foi chamado algo que fende o chão ao cair ou que espalha ou incêndio; o vento, algo que geme ou que sopra; o sol, algo que lança através do espaço flechas douradas; o rio, algo que corre"


o teatro mágico de klee

vejo uma cruz, vejo um dinossauro,
as arqueologias tem suas valências e os valores, dizem que
cobre não é ouro, e recobre, e ore,

vejo um leão, vejo uma mão
contra o peito, ataque cardíaco?, respiração em crise, o ar
não basta, e é violeta, o leão de pé, tão liminar, real e ainda assim não,

vejo que há um olho, vejo substituições,
luas, arcos, sementes, a flecha vem da terra e está ausente, mas intuída,
os brilhos são discretos como focos confusos, nada de horas, nada de fusos,

vejo uma seta, vejo um ciclope,
odisseu passa perto? se perde com as sereias?
um búfalo imaginado, uma estrela torcida, quais

flores, palcos,
contorceres de sentidos fazem os reais?



https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/736x/fc/e9/a8/fce9a8d96235391d448366751c4344ec.jpg

segunda-feira, 18 de abril de 2016

chave para interpretar/traduzir sonhos,
traí-los?
reencená-los? novos gestos, roupas, maquiagem, transmissão
em linhas que des-
                                contínuas, continuas,
chave que abre a porta e faz sonhar, cavalga
pelos prados, pesadelo toma de súbito, pesa,
pisa,
        descorresponde
corre
         responde
silencia
vezenquando me pergunto
pra quê tanto remédio
se a vida é sem?

domingo, 10 de abril de 2016

quem tem tempo pra poetar tendo que ler textos de mestrado, outras leituras, fazendo aulas de dança e teatro, tendo ensaios, e vivendo compromissos sociais e/ou artísticos no rolê vida/life?

enfim, a gente vai tentando
tá frio em caldas mano
e não rolou. typical me

segunda-feira, 4 de abril de 2016

miga, sua louca,
já é abril
e vc AAAAAAAAAAAA
desenxergou desentendeu sabe que sorriu
escorrega pelas tabelas
ela tá beba tá osada tá pirigosa
ela tá nada
SOCORR MIGA KKK
e não to falando da ku klux
e nem do rio grande
processos não precisam ser profissões
e as dores sim te doem

domingo, 3 de abril de 2016

quinta-feira, 31 de março de 2016

a gente olha pela janela e de um lado tem uma coisa, do outro tem outra, e até na mesa da sala tem outra ainda, e é tanta coisa, veja só!

quarta-feira, 30 de março de 2016

— Trata-se de uma citação? — perguntei.
— Com certeza. Só nos restam citações. A língua é um sistema de citações.

In : Utopia de um homem que está cansado - Jorge Luís Borges
_________________________, explosão
alguma riscou o céu,
ametista brilhando toda a explosão do início dos tempos,
ametista brilhando toda a explosão do início dos tempos,
essa tempestade
parece
uma explosão constante,
uma explosão
uma garrafa quebrada,
jazz in my heart

segunda-feira, 28 de março de 2016

domingo, 27 de março de 2016

sábado, 26 de março de 2016

sinais

eu vi nas nuvens, eu vi no topo das montanhas,
muita, mas um bom bando mesmo de gente, viu antes
e emitiram alertas vários, por vezes sutis, outros temerários,
repletos de palavrório e sons estranhos, e tantos
tantos tantos não entenderam nada, é que
o entendimento é um segredinho,
caixinha com código para abrir,
escribas
incrustaram árvores, gorjeios de aves
tão sinistros, tal troças maldosas, trotar de cavalos
e relinchos raivosos,
nada
nada se reconhecia
"Quando há somente a dança e nenhum dançarino, essa é a suprema meditação - o sabor do néctar, felicidade infinita, o divino, a verdade, o êxtase, a liberdade, a liberdade do ego, a liberdade do fazedor."

Osho

terça-feira, 22 de março de 2016

goles, muitos goles de vinho, quero
no parque,
na sala,
na rua, em todo canto, muitos
goles de vinho quero

domingo, 20 de março de 2016

qual árvore

pego as folhas com os dedos, a mão,
resisto à tentação de arrancá-las, mas fico
tentando entender cada nervura, seu idioma secreto,
nem por decreto saio dessa sombra, é uma loucura, o sol,
vida e morte, faces de uma moeda só
que gira dourada
na mesa de madeira preta, qual árvore tem
a madeira assim, tão escura?, o cerrado tem seus truques
pra resistir a toda secura, se eu tenho sede, de onde,
do quê, minhas raízes encontrarão a água pura? pura
confusão de galhos, folhas que se misturam, árvores juntas,
imbricadas, seus planos ocultos, sombras agradeço, velhos
poemas ao nada, essa árvore
é tão mais velha que eu, ouso
dela fazer folha de papel?, pois não, nela gravo
meu nome e o teu, i'm fifteen again, oh, so long time ago,
o tempo e seu tapete de folhas, o jogar de todas as folhas para o alto,
celebração e festa, nada resta, fogueira,
amendoeira, carvalho, nogueira,
pereira, fícus,
barbatimão, melodia, meu violão veio da terra,
palmeiras, se sou sabiá, jamais, será?

sábado, 19 de março de 2016

venha que te espero

e quando a tempestade perfeita chegar
gritando toda sua incompreensão bem distante
no horizonte
que miramos meio atônitos meio loucos
eu vou estar com mais roupas do que o joey
naquele episódio de friends
só pra
ter o prazer de tirá-las uma a uma e me colocar
de pronto
em nudez
pra recebê-la contra mim e vou celebrar
todo o frio que me tocar os ossos, despido de pele, e o banho
que me fará outro, venha rio que cai do céu, venha
fúria, venha beleza,
venha que te espero

meus olhos

o sangue ficou marcando metade da camiseta, meus olhos,
roxos, violáceos, sinceros, globo ocular vermelho, talvez
precise de cirurgia, acho que vou
correr pro doutor, imploro, doutor, tem
pílula, remedinho, não quero
enfrentar o bisturi, a navalha na carne, o segredo
oculto que a pele guarda, meus olhos
fora
de órbita
perseguem os satélites artificiais que nem sei bem
se são reais e quem
os lançou
ao céu
com estilingue ou espoleta, careta
na boca, ideias erradas, tortas, tortura,
doutor, me diz se tem cura, estou farto
de meias sentenças, de meias trocadas,
trocados pro café,
migalhas pro chá

sexta-feira, 18 de março de 2016

quinta-feira, 17 de março de 2016

"Destino canções pros teus olhos vermelhos. Flores vermelhas, vênus, bônus. Tudo que me for possível, ou menos."

quarta-feira, 16 de março de 2016

freak anos setenta, se se

calada noite preta
exceto que barulhenta com os caminhões da rua
com todas as vozes da cidade seus ruídos canções e restos,
vede bem que repletos de restos estamos, ritos rotos ratos

canções de retornos e revoltas e revoluções e
revirar você no meu desencontro de mim, qual máscara?,
qual espelho?, qual trago, qual plaga, feito em pedaços e então
recomposto no mais incrível mosaico, tudo se perde, tudo se ganha

ruídos a cada toque dos pés nas tábuas, tabernas, barracas,
tabelionato do batalhão dezesseis, freak anos setenta, se se
insinua insidiosamente por ainda mais uma vez, se se sussurra
sonoramente por onde ouço sinto, para onde vou, braços a arrebentar

cidade, por quem me tomas?, sou minha londres berlim hongue-
kongue nairóbi kuala lumpur beirute, desaconteço desencabeço desfa-
leço, e ao desencontro de mim folheço, ofereço peço rogo desencabe-
ço meço desfaleço folheço, desembaraço dos olhos que se pretendem

que se pretendem
cotidianos?

segunda-feira, 14 de março de 2016

socorro e estrada

sacada para o nada, salto do abismo
ao fundo ao fundo mergulha e afunda
abaixo os pavios acesos aos mortos
e quantos esquifes pudermos ver
dos caminhos de consolação, e
de augusta, de angélica, somente
cinzas de cigarro, garrafas vazias
que contam histórias, desenhos de
girafas na parede, e a palavra desejo
rabiscada de batom, e um som traz o tom
que é necessário para atacar em golpes
com uma espada longa tal game of thrones
todas as dragas de bocas enormes que teimam
em aparecer pelo passeio, cadafalso para o grande
deus nada, a ameba suprema, o nada-pode-nada-faz,
e assim nada procuramos e é por isso que caímos,
é por isso, por isso, é apenas por isso que caímos

domingo, 13 de março de 2016

mas eu pergunto

navio fantasma, de memórias feito, cargado de perlas,
tecidos claros, ricos estofados, de vento as gentes,
na proa empunha, pincel de azul, capitão e sua tela,
rangente madeira, estalos das rochas, as glórias pungentes,

cicatrizes nos muros, desenhei sua mão na parede,
correram pintaram por cima, desenho esse poema
pra te manter vivo, quase esqueço,

meu amor se plasma, te traço quiasma,
te rogo a alma, te encomendo recados,
passado, passado certo tempo, lento, sento,
invento unguento, mas a receita
pedia flores, só tenho lama,

trama de deuses loucos, tramoia barata,
noias abissais, banais, astrais, mão aos alto,
é um assalto, não é teatro, na mesa a prata,
na mão um prato, engula rápido, cocô de rato,

estrelas como aparições, decorei seu mapa
com brocal e lata, estou de luto, escrevo cartas,
ninguém responde,

mas eu pergunto
quem me obriga a te carregar?

te laço

quando a gente abre
o flanco
o ranço
se refresca, quando a gente abre a
gaveta
a careta
se arma na face e se estende pelo corpo e os
pelos
pelos amores das deusas
ouriçam, caem, voam dançantes pela
brisa
como
homenagem às
liças
dos dias, das noites, das tardes, das madrugadas,
das manhãs
às manhas
e das maçãs às massas
e das moças aos terços
e dos segredos ao sagrado
e dos degredos ao dragado, e a nave vai,
a nave vai e segue
e eu rogo
que meus olhos fiquem em paz para sempre, mas eles turvam,
eles leitam
e os leitos
e os peitos
e os jeitos
e trejeitos
não são estreitos, são largos, são tão largos que chega me
perco
me teço, me perco em
esterco, e te laço,
e me esqueço

domingo, 6 de março de 2016

eu ouvi dos vales
eu ouvi soando nas montanhas
eu ouvi cantando nas montanhas


sábado, 5 de março de 2016

hey bob marley, sing something good to me

é pelas bitucas neles

faces minhas que se derretem
fases
falésias das quebras dos sonhos
adormecida, cinderela cantarola,
sonetos de navios distantes e bolas,
cravo tocando para a diva pop
e diferentes maneiras de fazer um poop
e as fictions, ah!, as fictions, essas
seguem bem largas espaçosas e com olhares
e piscadelas matreiras e dengosas, fases minhas que se
derretem, suspense, cinema,
silêncio,
o baile longo eterno pelos corredores dos museus, a procissão
à santa puta madre eterna protetora de todos os perdidos
e guardadora dos segredos sujos, e a santa
puta madre
eterna
abençoa nossas cabeças cheias de ideias e leros e rolos e trelas e
caracóis, nossos caracóis se entrelaçam se perdem uns
nos outros
e em cada
canção que se faz, um reclame, um maldizer, uma ladainha,
me dá linha, me dá rima, me dá fuso, me dá brocal,
signos, gaiolas, gemidos, amoras,
sensações perdidas nos cantos das esquinas e dos becos
e a lua altiva no céu a desnudar nossas intenções e fazendo
o rolê ficar mais sincero, mais real, mais
alguma coisa qualquer que forte e sacana
é pelos reflexos de si nas poças d'águas, almas vagas,
é pelas bitucas neles, falésias
esquecidas, draga de resto,
drama de rosto,
rumo de rama,
rima, eu vim

sábado, 27 de fevereiro de 2016

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

qual interpretação se ousa se tomar? destino em copos de licor, copos originalmente feitos para licor, mas contendo cachaça. rey de star wars, imperator furiosa de mad max, fronteiras, limites, possibilidades. as iridescências menores, pupilas levemente dilatadas.
a interpretação que se toma de assalto.
como se fosse aquele acidente de death proof, só que no lugar do stuntman mike, uma mina, a rihanna, e a força da imagem de uma mina rasgando uma mulher com um carro, ou várias.
não, não, não é nem um pouco isso. é o contrário.
riscos rugosos fazem contornos também.
topografias, alguém até poderia se arriscar a dizer.
e a medida que curvas sobem, descem, e tornam a subir, e depois a descer, e por vezes se encontram, às vezes por um período maior, noutras menor, e aí maior de novo, e noutras menor.
os subterrâneos estão sempre à espreita. os acentos, confusos, é como cavalgar sem sela.
de repente se tropeça naquele trauma de infância, naquele grito primal desencontrado e sem solução nem solubilidade no álcool, lembram daquela mina que misturou álcool com água e bebeu, e etc e tal.
a mesa é de madeira. e ainda assim, pensamos, nós nunca fomos árvores. e somos, não é engraçado? raízes e tudo e galhos e folhas. terei herdado pintas? ou só cânceres? quais gestos trespassaram sete gerações? curiosidades de saber a cor da trisavó.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

tons de azul

o muro, o rumo, o muro,
corpos de bacon, tinta vermelha,
devir acontecimento, devir rasgo,
uma cama pode conter meu corpo em espasmo,
mas jamais a potência crua

vago sigo sua pele, recordo
subversão da pintura em tinta, manchas
espalhadas uma ou duas ou três, é
todo o caminho que alucina

pode ser simples pode ser mais simples
pode ser mais simples ainda estamos à deriva
e cantamos em outras línguas

móveis
flutuam pela sala

tons de azul

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

facebookear
rilke
daniela andrade
carmen carrera
pj harvey
dunphy, pritchett, delgado, tucker,

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

trêmula (ou tremulante)

eu estou feliz só de cantarolar, sweetie
não preciso de viver
todas as paroles imaginadas
e factrais semi-abertos
semi-astrais

nunca soaram as cores
e nem nunca o arco-íris foram dois,
mas não é disso que todos falam, sweetie?
não é disso, darling?

e estou feliz só de cantarolar e
a violência se insinua até nessas coisas

domingo, 31 de janeiro de 2016

sincera permanência

                                                                                      inspirado por "divina violência", de William Zeytounlian

tornaria -
lamento ou lamúria -
seara sagrada
ou silenciosa -
na qual vós deixasses
elocubrar o improvável,
na qual vós deixasses
transcrever aquilo qual
devassado;
                     tal posta uma
                     mecânica
                     delirada
                     se coubesse,
                     contudo,
                     intragável?

em piva, we trust

"quisera derramar sobre ti todo meu epiciclo de centopéias libertas
ânsia fúria de janelas olhos bocas abertas, torvelins de vergonha,
correias de maconha em piqueniques flutuantes
vespas passeando em voltas das minhas ânsias
meninos abandonados nus nas esquinas
angélicos vagabundos gritando entre as lojas e os templos
entre a solidão e o sangue, entre as colisões, o parto
e o Estrondo"
lógico que 2014 foi esquisito, eu não ouvia música quase

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

a isso ninguém ouse nomear

a concha, container da pérola,
abandonada no canto da cozinha, a faca
na mão, incrédula incauta machucada dos
dias todos e das vidas que se vive nesses
dias

meu vestido já foi uma planta,
esse piso já esteve embaixo da terra

trotantos anos atrás
pensa
o que são as nuvens, caralho?

ainda hoje pensa, e se cai
e se cai flutuando
é apenas para provar que é
mais leve que pena

pena qualquer, mas por favor, não, por
favor, não o abutre, por favor, qualquer
coisa menos isso

aqui está a carta de aceite e diz
exatamente a pesagem da rocha, e vamos logo,
coloque logo nas costas

no meio do dia ocorre
uma pérola
na cozinha, e

a isso ninguém ouse nomear

e disse francis bacon

"The job of the artist is always to deepen the mystery."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

todos tentam

laces
os cordões,
dirijas
os batalhões,
armou tanto e não choveu, explosão
alguma riscou o céu,

nenhum amanhecer, algum resfolegar,

carros
que capotam sete vezes,
histórias
que duram sete meses,
o mundo bola redonda gira, ou não
exatamente, a gente sabe, a gente sente

que o rolê não vai sair, que o bloco
tá sem carro de som, que
a saia rasgou,

a gente sente,

leias
os refrões,
prepares
os esfregões,
suou tanto e não chegou, medalha
alguma ornou o busto,

os gregos,
os romanos,
os zulu,

todos tentam dizer as coisas e às coisas,
todos tentam

mais uma vez, isso é importante:
todos tentam

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

a sequencia dos nascimentos do episódio "what is human" de sense 8 é uma das melhores da história da produção cinematográfica
remember being this happy
"sinceramente, me deixe. ou vá mesmo falso. imitação barata da coleção de não sei de que ano. e me deixe a geladeira quebrada, vou transformar num armário."

_ficou bom assim?, meio coquete foi a pergunta.

_ficou bem bacana.

e se beijaram. aos poucos foram deitando no sofá, os corpos se mexendo para todos os lados e rápido, um pé bateu no abajur e uma mão no vaso de flores de plástico. todas as aranhas nos cantos das teias da sala se ouriçaram para ver a cena.

_vou pegar uma bebida.

_você pode.

segredo. era algo que guardava dentro. e não havia muito a dizer. as cosas que se passavam são as cosas que arremetem. cavalo arisco que relincha. cigarros espalhados pelo chão. os acontecimentos também chamam, exercem gravidade e portanto possibilidade.

voltou se balançando, tinha uma tatuagem de serpente que ocupava os braços, uma em cada braço, tão deusa, tão intrincada.

disse alguma coisa entre os dentes, que a outra não ouviu, e se devoraram.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

translúcida

um olhar björk
mangá
e flores

móveis e a casa
toda pelos ares e eu
durmo

um laço vermelho prende
mãos
e os cabelos voam

envolvida em plástico
uma boneca
pronta para o abate

bico do seio tão
marcante com olhar angelical e
chifres na cabeça


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

provérbio africano

"A água sempre descobre um meio."

a viagem não é eterna

ao som do carro dançamos,
pavimento,
os pavios facilmente acesos são
os lumes de faróis pela estrada escura
longa longa escura
mas hoje mesmo
hoje, ainda hoje,
hoje mais cedo era dia e tínhamos
acima, acima de nossas caveiras,
um sol violento que parecia que queria tostar
a mim e a você
e enquanto você reclamava eu fazia piadas
eu fazia graça
mas eu mantinha as mãos no volante e você
se sentou na janela, e eu reduzi a velocidade
e encarei suas pernas um pouco, e logo olhava pra frente,
e voltava para suas pernas,
e você me contou todas
todas suas brincadeiras da infância da fazenda e até mesmo
as brincadeiras com o pedrinho,
de médico, de deus,
em alguns momentos ouvíamos somente vento,
em outros uivávamos insanos, jovens,
de modo que hoje,
apenas hoje,
no eterno hoje,
eu me pergunto

e se estivéssemos
dirigindo
rumo às estrelas?

e se nosso carro
corresse
mais rápido que a luz?
alguém pra realizar fantasias sexuais esdrúxulas
um gole de água:
5 segundos

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

e viva viva (parte 2)

e viva viva brasília, victor, lu molina, layla, nilton, layla, mari vass, loucas, burbura, os boy, a grana jogada fora, as farra, as loucura, as conversa, e isso ae tudo.

s2

a cena da máquina de lavar louça em o casamento de rachel

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

e vamos ver

caçando nas chaves, chaves
que abrem gavetas e armários, gaivotas
e suas penas,
aquilo que fica pelo chão quando voamos, sono,
caçando aqui um pretexto pra te ver e

enfrentar
o sacolejar, o bamboleio,
de bangu a araraquara, nada,
sacola de frutas, menina dança,
pêras na fruteira, me esqueço há dias,
esquiva de mim, esquifes,
jogo de amarelinha sem céu:

nunca nunca vou chegar,
nunca nunca vou chegar,
meu corpo se aquece,
eu tenho medo, e com o braço pro alto,
tanto tempo,
estou tremendo,
nunca nunca vou chegar

estrelas, você vai me contar uma história,
não vou saber contar nenhuma,
posso ficar calado, estrelas, histórias,

histórias, traçados de palavras sem enredo,
linhas interrompidas, línguas mortas,
os segredos dourados nas tentativas de sacar
o que maçã tem a ver com macarronada

e nada, nada, nada, pela maré,
e anda, anda, anda, até perder o pé,

e isso é,
isso é o mais próximo
que consigo escrever
de um chega perto de mim e,
e vamos ver

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

pedra pesada nas costas, mundo

uma voz
lá embaixo, bem abaixo,
que lucifera baixinho

as flores na
mesinha da sala, as flores estão
irremediavelmente,
irremediavelmente mortas

o capeta apareceu no ultrassom, jesus
serelepe eterno na torradeira, metal pesado, glooórias
de lutas, há de haver, bê de bolar,
há de haver o bem e o mal, é o que querem,
para que se fie com segurança

robes cerimoniais, gargantilhas,
pedrarias, avarias, há varias,
há varias avarias e não é possível permanecer aqui

o crime foi intuído como real e por isso
repetido, revolvido, realizado tantas vezes
em uma série de imagens que se multiplicava
até perder completamente o sentido em muitas cores

o crime
não é eterno

negar, negar, negar o há lugar,
há lugar que aplaque todo este e todos os finais,
escoliose de todo este e qualquer dia de carregar pedra,
pedra pesada nas costas, mundo

canta celebra & salta pelo abandono,
ervas daninhas, o sono, todo projeto rasgado,
o olhar rápido pelas vertigens, o eventual enfado,
danos, perdas, paredões de fuzilamento,

danos danos, perdas, perdas, paredões de fuzilamento,

felizmente, isso é uma árvore sentimental
e com galhos que se alongam lhes imploro
que se reprimam um pouco mas são dos mais interessados

trem de trieste para trento, almeirão
a alagoas, limeira a lima, prados, campinas,
teleféricos e fadas

diga que eu use aquela capa
de chuva
diga que, e eu somente sairei à chuva
somente sairei à chuva
com a nudez de meu corpo sempre

revisionismos doismilequinze

mais um natal em rp, comendo como se não houvesse amanhã, lendo menos que deveria, terminando de reler cem anos no momento da aterrissagem de avião, momento algo mágico, e teve a volta, e isso ainda era doismilequinze, quando o avião ficou rodeando em cima de goiânia porque outro avião tinha furado o pneu, então o avião teve que ir a brasília. haha, só assim para eu parar em brasília. mas bem, nem tanto, porque foi no TREM do segundo semestre e rolou aquela emoção de recontatar a @BS, e aquele sentimento de "é preciso fazer a diferença", aí até me ocorreu aqui agora pensar nisso pras possibilidades do ano. virada do ano de 14/15 foi na piscina. momento de água que eu até relendo blog fui acompanhar que já rolou. a magia da água. já doismilequinze foi quente e com pouca água. esse ano teve aquele problema com meu mindinho e o suplício das duas semanas nas quais o banho era com sacola no pé. que porre. que falta faz tomar um bom banho. e magia de lavar o corpo e se sentir novo? sabe, há alguns anos atrás isso seria uma deixa para eu pensar o que fica e o que se mantém, as coisas que se gravam na pele, o corpo inteiro trocando células a cada sete anos (fonte: grey's anatomy, e esse ano que inicia faço 28 então completo minha quarta renovação). a tatuagem que sonhei de novo em fazer, com frase do yeats, que o teatro me impediu. ou que eu me impedi por causa do teatro. o que se mantém? isso vai ficar? o zanni na oficina de férias da oops, o momento em que percebi a magia de viver outro corpo, outra emoção, outra performance. então vamos rememorar... pozzo, sr e sra martin, detona, o fedido do nelson, diego/frida, e mais uma pá de cenas. tipo aquela que morri com a xícara de café caindo da mão. ou aquela em que chorei porque queria crescer e me tornar uma bela mulher. e nas aulas de dança, com várias músicas, e eventualmente antony & the johnsons. e mais um ano acompanhando uma pá de discussões transfeministas e feministas. é... é... hm, indo a muitas peças de teatro. mas ficando menos impressionado do que em 2010. é a qualidade? é o momento? jamais saberei direito. além disso, posso mencionar proposta indecente. além disso, posso mencionar uns nomes, um com H, dois com J, um com T, um com P, um com G, um com M, isso não foi mencionar nome algum, hahaha. reveillon em casa, vinho pata negra, show da virada da globo, ver os fogos de artíficio do flamboyant, aturar mamãe estressada e curtir papai de boas. e amar isso tudo também. êta ano em que me salvei de tantas formas... momentos divertidos na janelinha do banheiro... momentos divertidos na sala de casa estudando, pesquisando, viajando, anotando, articulando. ah, teve "o balcão" também, do genet. teve o final de mad men fodástico. teve star wars VII! teve orange's. teve house of cards. muito bon iver, elliot smith, radiohead, hole, animal collective, andrew bird, manu chao, inclusive marcante dançando manu chao sozinho na sala com maria e café,  james blake, smiths, metronomy, grimes, of montreal, dogs do pink floyd em bons momentos, see emily play, rock classics do the knife e pass this on, that's the way do led, scale do interpol, muito interpol,  algum alt j, instant crush do daft punk, tulipa ruiz e a primeira apresentação da quasar que fui e amei loucamente, teve a apresentação foda dos coreanos, teve a da peça do plínio marcos, muito marcante, (autópsia, grupo de bsb sutil ato). carnaval lgbt no cepal lokis à beça, foto beijando ypioca guaraná. quinto dia do ano. comecei a escrever uns dias antes. é tudo tinta. minto, são é bits e bytes.

é tudo tinta tinta tinta

âncora de an-
kara, careta, cadáver,
carimbo, mancha que deixamos em todas as
superfícies, marimbas

saiotes galopam o vento, vidraças,
vidros,
tantos sóis de tantos de-
sertos, sertões,
serpentes,

pica, fringe a
face, um espasmo, um
lapso,

corpo que cai branco ao chão e fica,
,
,

e sequer um farfalhar de folhas,
felinos, falésias, filés,
folículos, é tudo tinta,
é tudo tinta tinta tinta

we're caught in a crash
i can't walk out
because i ,,,, you too much babe

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

sing

ficções, ficções, ficções, se tudo se torna só um fragmento a ser esquecido, ungento pra ninguém, intento de tolo, segredo de marujo e picumã de bonita, se tudo vai por esses rumos e logo se perde, se encontra, se perde, se encontra, se assombra, se recobre, se tromba, e cai do céu em derradeiros abismos, joelhos de maracujá e outras incongruencias, rebenta pelas frestas e pelas saídas, e de um traçado a outro de uma estrela às vezes o lápis quebra a ponta no meio

ladeira

não é baseado, jeff

e paula disse

eu só sei que eu quero erros novos

indígena X ribeirinha

diversidade de socorros,
masmorras, calabouços,
sistemas, rasteiras,

mas
eu não me sinto
com essa idade

je me sens bien.
je me sens.
tropo de bien.

cavalgo.

há um submarino que toca
árias profundas
e se talvez seus deuses
de repente todos eles não
valessem mais porra alguma?

compêndio.
desejo.

genial,
porque não abre na camiseta não!

subindo o monte pelas
loterias latarias laterais
artérias
qual o topo que se
alcançar se quer se
compensa?

sinônimos de esquadros
e lonjuras, tonterias,
curas,
agruras, finuras,

retorno ao solo,
beijo o terreno em homenagem a todas as mortes,
as de outros, as minhas,
suas,

tem pó por essa, tem pó
por todas as estradas e ossos
já são farinha espalhados

todos declaram ter fome

a fome,
a fome,
a fome

não dorme

sábado, 2 de janeiro de 2016

júbilo de cócegas

somente acreditar num
deus que mexe as vinte patas ao mesmo tempo
cada uma numa direção 
dirígivel desgovernado exceto que
qual melodia secreta fantasia com seus fios
mestre, mestre de marionetes, mexemos nossas
patas, juntos, ciranda aloprada
e se pisamos
se pisamos pés uns dos outros é como no
chocolate inglês
cachalote mergulha fundo
bolhas sobem a superfície, milagre
é um deus que dança suas convulsões

as palavras, as mais feias,
tipo elevador, escada, montanha, asa-delta,
são engodinhos, jeitinhos de
o-bli-te-ra-ção, controle remoto, e eu digo:
pra cada salto, um pé no chão 
primeiro

primeiro eu evitaria por as coisas
em ordem
e deixaria a louça voando pelo ar, de mão em
mão
e gotas de café vão pintar o teto branco

longe, em outra estação, 
flores surgindo, degelo, superação,
é de riscos feito isso tudo, mas

fazer
o
que?

a confusa boca aberta dos dias
com suas vinte fileiras de dentes
afiadas facas ginsu, e olha bem

eu vou até lá onde não dá pra ver.
brincadeira, fagocitose, até explodir
e sigo englobante, mas não ouso, não ouso 
totalizar nem meter totem.

coisa que sou viral,
bacteriano,
intangível

peguemos portanto e apontando para todos
e cada um e para todos
os lados, ao mesmo tempo,
a metafísica, peguemos com fúria

derretam-na,
engulam-na. júbilo de cócegas que faz ao descer pelo esôfago,

verde ou madura?
doçura, travessura