domingo, 20 de dezembro de 2015

me te digo

se me te quero
aos pedaços
se me te moldo
em descompasso
se me te fito
com fingida ternura
e nostalgia-tortura, as mãos grandes enormes tentam
se fechar em torno de minhas gargantas

quantas faces tenho tomo se te me dou?
se te me vejo reflexo refletido no rio
e sem refletir muito, bem pouco, quase nada,
me arremesso e tenho pedras nos bolsos?

afundo

a fundo pode-se dizer, pode me dizer, pode
me te dizer que não são as cores do arco
íris, não são cores algumas que
farão dias melhores, são

fragmentos

se me te prendo em balões de gás
poderei dançar, tento na verdade, nas nuvens?
tanta a verdade que o copo, pequeno, deixa
deixa
deixa
deixa transbord
ar

ar, artigo de luxo, lembro me te das mãos enormes grandes
que apertam animalescas, mas me te digo
que de animal temos o melhor de nós, os

cheiros que podemos devassar, uns dos outros e
os ventos,
rastros que sigamos, caminhos ocultos, lagartixa
vazada pelas frestas

ametista brilhando toda a explosão do início dos tempos
seja minha amigairmãmãedeusa
me te digo

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