quinta-feira, 19 de novembro de 2015

imagens

coleciono imagens
em uma pasta única que se chama, veja só!,
"imagens",
e tem uma caralhada de gigas

até me pego, não que me
encoste com a mão, ou que me agarre, mas sim,
seguindo, me pego
 - com a mão no queixo -
pensando
- ao menos metaforicamente com a mão no queixo -
pensando

imagens, imagina, se fosse
há uma caralhada de anos lá pros ontens?
ou anteontens,
numa gaveta, guardadas, uma
colando na outra, imagina, eu ia

precisar de envelopes, mais papéis,
árvores morrendo, etcetera etcetera,
mas se ontens, imagina, imagens,
ninguém tava nem aí pras árvores, no geral,
só os indígenas,

imagina!, quantas gavetas não precisaria?,
uma caralhada de gavetas, capaz
que nem ia ter espaço, não é mesmo
meu bom rapaz?, minha cara donzela,
minha querida pessoa não-binária,
que agora me escutam, vocês

fizeram também as suas imagens?

imaginem
a caralhada de dinheiros que eu teria que ter
pra ter
tantas imagens, pra ver tantas,

capaz, pessoa não-binária, donzela,
rapaz, que eu teria só uma, duas ou
três imagens, e não seriam

elas
tão ridiculamente
preciosas
aos meus olhos? eu formaria imagens com elas.
mais do que faço com as minhas
na grande pasta
com mais de um mil e oitocentas,

quantos detalhes eu não notaria?
traçaria histórias, temeria as traças,

au contraire, estou aqui,
e faço troças?, são?,
gozo, certamente gozo,
isso basta

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