quarta-feira, 28 de outubro de 2015

dizendo nunca

apenax
dirlizano
no óleo que esparramaram pelo
chão da sala
buscando equilíbrio de luxo, montando
esquemetes de sucata, lataria, espuma,
desviando das flechas que vão lançando os
pobres haters, com suas certezas em queda,
e indo eu indo eu indo
dizendo sim, dizendo não, dizendo talvez,
dizendo nunca

terça-feira, 27 de outubro de 2015

o rapaz

o rapaz
sempre a dois passos
ou trezentos

o rapaz e seus dois
milhões de impasses e
pinotes

pata presa, pata quebrada,
alguém doe com amor
um tiro de misericórdia
ou prepare uma corda firme

o rapaz não ri com relinchos
e não sabe fazer curvas
o rapaz

ele não sabe fazer uso das rugas
e a rasgos se prende demasiado,
extasiado, confunde

o muito, o pouco, a coisa alguma
e as todas as coisas,
os começos e os finais, o rapaz


sábado, 10 de outubro de 2015

benditos

povo de alba, povo de roma,
dois heróis designados

quão breve saberemos
qual poderá ser seu fado, enlace?
suspense

o herói vencedor torna-se
vilão proscrito
como já vimos acontecer tanto
com presidentes, pais, autores

podemos perguntar ao mármore
o que ele desejaria ser?

a carne vai ser despedaçada
por cães famintos, e veremos
o espetáculo comendo pipoca

os muitos, os poucos, os vários,
entregam o louro, preparam o machado

o sangue que manchou a espada duas vezes
o sangue que vai manchar o solo
todos os sangues se parecem e
nenhum bendito sangue é exatamente o mesmo

benditos
benditos sejam os heróis que são vilões
que são heróis que são vilões
que são heróis

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

a dobra

na peruana 
na foto roubada 
na doação de cerveja 
no beijo anunciado 
pros não acontecidos! e pros nunca repletos, nunca 
serenos, alguns já passaram por 
pavores nesse mar e pavões 
guardam os portões mas jamais 
deixaremos que a concretização tome forma

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

do nada, cai a luz

leopardo, lontra, dromedário,
onça

eram irmãos, eram
amantes, eram sombras,
eram
crianças, gêmeos, o
que eram?

belo inverno que se fez
aqui dentro dessa garrafa, como
que olhando tudo pelo oitro lado

laças o animal de ti que rosna
para que o ateies contra a multidão
e se torne por fim
senhor de si, e mais ninguém
que diga o que disser e o que quiser
que nada há de mudar

sintomas, sistemas, de volta
à casa, saturno, ametista, brocal
dourado, algo como amarelo
prateado, areia do tempo, peixe
fatiado, me
dê um rio que respire

é do laço
que surgem as
coisas
e as oitras

ostras fundo del mar bem
lá embaixo, abissais, guardam
teu nome, engano,
segredo

tom sobre som não é
o que se quer dizer, mas
se diz
e não é

andrômedas, anêmonas,
cinema no escuro porque
assim, quase sempre
do nada, cai a luz