terça-feira, 25 de agosto de 2015

o jogo

veja emília brincar
e o jogo muda
a cada
dezessete
segundos

agora era um vestido
agora era uma flor
agora era uma rã

agora era uma faca
agora era um cravo
agora era uma febre terçã

a tua presença
é branca verde vermelha azul e amarela
é negra

motocicletas
que se chocam no cruzamento na esquina
e a todo dia

brindes!, brindes!,
um brinco o casamento
na honra de descer até o chão

o escape do desengate
(que evita desgaste,
evita desgaste)

o fim de dias
jogados
tomando sol

sistemas, que eclipse,
que quasar, que meteoro,
que planeta, que nada

de encontro ao meu
o seu, o meu, nada
de encontro ao meu,

suspiros, equalizadores,
bem altos sins!,
desabalados senões,

o jogo há um tempo exige
que seja
a três

e o jogo diz que
sim e que não e que talvez
e que nada, tudo ao mesmo

tempo chama lava lodo
líbelulas lilases lamúrias
lentamente escorrendo pela tela

telúricos, eis tudo,
triangulando pelas beiras
e adorando as encruzilhadas

não é a quantidade de imagens,
e sim, a quantidade de cacos
esparramados pelo chão?

conluio, as coisas em segredo
com seus enredos e suas sortes,
trocam cartas ao luar

serenatas de amantes
e para o cansado mim degredo
de não caber a nada nomear

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