terça-feira, 26 de maio de 2015

as gentes que

i
as gentes
que correm pra achar os ecos
e tropeçam nas cordas estendidas
feitas das roupas velhas que teimamos
em não queimar, fazer

fogueira, bem, seria,
bem, melhor, bem,

se olha nas chamas
busca ver o próprio reflexo
busca ver o reflexo do outro e o seu reflexo
mas não vê nada

se olha nas chamas e vê
passado, futuro, irmãs, mães,
ou inventa que vê, que dá no mesmo.


ii
tentando
descobrir
o que beber
pra ajudar,

as vestes
de antes de antes de bem antes de ontem
não cabem mais, não adianta


iii
as gentes que
correm pra achar os toques
e derrapam no chão molhado
de sangue de lutas dos tempos todos, as lanças
não são de brinquedo, os laços prendem forte:

e fica no fundo da boca
o velho gosto de morte,


iv
as
gentes que só
querem carinho e sorte,
só, que querem nem que seja rebote,

caminham ao altar com porte,
encontram, um dia, um malote:
desvio nos caminhos, pinote:
é sempre perder de capote


v
...
vem, me dê a mão,
não, eu não dou não

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