sexta-feira, 6 de março de 2015

todo o existir

i
estávamos os dois na cama
enquanto a passar por nós
tornados, tsunamis,
vimos tudo pela janela
e ficamos incólumes

ii
a dor tem fome
a dor quer devorar a todos
nós, a dor quer nos fazer gritar
seu nome, a dor quer dilacerar os ossos

e, macerado assim, sigo
e não seguem todos?

iii
um peixe carrega uma cidade nas costas

iv
entrementes
estátuas derretem, inclementes
arrulhos de pássaros e augúrios,
a sexta cavalaria marca o tom
de perigo e iminência
de explosões ao fim do dia,
cataclismas ao amanhecer,
assim
é meu amor por você

v
eles são tão frios
eles não servem de lenha pra uma fogueira,
é como tocar num iceberg,
montanha de gelo em português,
and it's dark in here
como será no fim dos tempos

frio como uma lâmina
solitária, nua,
encontrada no ártico

e ursos polares são belos

iv
meu iglu do fim
tem uma cesta de amoras
para tingir de vermelho
- a cor certa -
todo o existir

Nenhum comentário: