sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sem saída e persistir

se eu visse uma revoada de patos,
assim penso,
estaria nos estados de allen,
ainda que eu não tenha lido isso, intuo,
Com o chalé de Berkeley,

mas estou
na sala do apartamento e sempre vejo a planta
crescendo selvagem e o crescimento
é um outro caminho para a morte e tropeço
Num sonho no qual tanto coço meus pés que
- ai de mim -
faço buracos

siriricas
paralelepípedos
jangadas
soluços

o doutor disse que eu não vou morrer:
basta tomar os remédios direitinho, bosta,
é tudo uma questão de controle.

que bonito seria voltar a andar,
a noite tem mais luz que o dia,
é tudo Maya, bloqueiam a via, as vistas

desses processos, dessas minutas,
Tomam o tempo rasgado por estiletes,
tesouras, escrever nas transversais e
Nas travessas
parar no meio e fazer trabalhos nobres.

a nobreza de quem diz a que veio
E por onde escoe
inclemente a enxurrada, palavras

que são nada,
Sabemos que é sem saída e persistir,
seja na Pérsia ou na Dalmácia,
pode soar como falácia,

Contudo
nas arrebentações do entrudo,
nos entre meios que se desnudam,
Um grito puro e longo se ouvirá.

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