quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

As maçãs jamais quedam caladas

para evitar cair eu
me jogo, e de cada (ou de tantas)
imagens, palavras, sussurros, gritos,
eu encontro, e desencontro,
o cerne do meu silenciamento é a violência dos vivos.
o avesso do meu corpo está nas telas exposto.
as margens do desejo são móveis,
As maçãs jamais quedam caladas,
os espelhos não têm cara de estrada.
somente tu, e mais ninguém, e ainda assim 
Contínua feito ladainha ao reverso,
tecido gasto de mais de vinte anos, 
mais de vinténs, ninguéns, mínguas
enquanto desenrola, não cobre os pés,
e pelos furos os percevejos, prevejo,
se esbaldarão de tu, tu e mais ninguém,
gatos comerão as faces do desejo,
com gana, tal fosse sardinha, talvez
fiquem saciados. Que consolo!
Que glória!


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