sábado, 29 de novembro de 2014

monstrinho

monstrinho
ínfimo desprezível
aproveitador sanguessuga
varando a madrugada

em busca em busca
procura ver se acha alguém

pra apoiar
os pés em cima

nem pensa que todos os pés doem
nem pensa

monstrinho
desprezível sanguessuga
ínfimo aproveitador
em busca em busca

tão sujo que nem coragem de pedir tem
nunca achou e ninguém acha mas

sem trégua sem remorso
se acha alguém logo
deixa o peso todo cair

monstrinho aproveitador desprezível
ínfimo sanguessuga
em busca em busca

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

o riso

entornou o copo
e rogou uma praga à lua

disse que à noite, ao dormir,
as sereias sempre cantam
mas não de dia
e assim é melhor inverter as coisas,

disse também que cada volta
em volta da praça
é uma volta ao mundo

e riu longamente
roendo o riso

disse que as pessoas são ocas,
os messias, mortos,
e o mundo está dormindo

e me sacudiu, e disse
acorda, mundo!,

e riu longamente
rendando o riso

disse que não estava tonta
e que tudo tinha mais cor
e as verdades de copos sujos
eram as mais sinceras

e riu longamente
rasgando o riso

Cinzamargo

Grávida de mundotodo
Barriga prestes a explodir
Em mil confetes coloridos

Mas, dize-me, como?,
Se o mundo é cinza ou pretoebranco

Os enjoos de cada manhã cedo
São os mesmos

É que cada manhã cedo
Diz maisoumenos o mesmo dia

Toca a trombeta no fundo da tela
É findo, é mundo, não é nada bela

A barriga roxa, o filho cinzento,
Um amanhecer pálido,
Um adormecer fingido

Nada sãos são os sonhos
A perseguir na rota estreita

Pelos paredões ficam
Pedaços de pele

As estrelas no céu riem
Perpetuamente

Escárnio da terra