sexta-feira, 1 de agosto de 2014

fogueiras

ruínas tomam meu olhar inteiro
até o fundo da paisagem e além
e pássaros descem do céu
com voos rasantes e muita pompa

fogueiras acesas pra guiar
é melhor apagá-las

quando olho meu reflexo no lago
e vejo as águas turvas e me vem
aquela vontade de se jogar
com uma pedra amarrada na perna

e tento acender novamente
as fogueiras

ouço alguns barulhos engraçados
que lembram vozes e lembram segredos
e são pedacinhos de vidas recontados
que vão se enrolando nos anos

e viram luz
jogados às fogueiras

e me sento no chão e cavo
pra ver se encontro pedrinhas
ou se encontro facões
e não encontro nada

posso me jogar à fogueira
e queimar como uma bruxa

me vem em tentação vontade
de roubar seja lá o que eu puder
das lojas dessa avenida e do luar
dessa noite

que continua escura mesmo com
fogueiras com acesas

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