quarta-feira, 16 de outubro de 2013

em seja lá, talvez

meu nada devirou vórtice
meu percurso, desfalecências
desicumbências, e escalabro-
sidades, adversidades,

os flocos do caminho,
flocos de pão,
acabaram-se por esvanecidos,
misturados à terra e quando busquei

retornar pelo percurso,
desfalecências desicumbências,
e escalabrosidades,
tenebrosidades,

sombras que corroem os cantos dos campos
sombras a que vos devo tanto que já
deixe esse aqui passar
deixe que ele sobrevoe

que tenha sido ícaro, um pouco,
permite-se,

que então remate.

todo o roteiro construído,
a distância de, mas a encenação,
como inaugurar obra só com faixa
sem obra nenhuma,

sem tijolo que firme,

eu poderia estar repleto
mas estou incompleto,
escalopleto,
desincerto,

tenho minha obra em mãos
e mostro-lhe pra quem quiser
só que não sei se o sopro derruba,
não sei, se a tal ponto chegou

o superar do desiludir
como quando o ouro revela-se latão,
o rei revela-se nu,
o sonho revela-se

uma malha fina, cinzenta, corroída,
cheia de buracos,
um sonho cheio de buracos,

um sonho que nada tenha de doce,
um sonho que nada tenha de sonho tão somente
a égua que cavalga a noite
tomando com relinchos e

eu fui essa pintura,
eu sou esse nada,
eu sou índia, egito, sonho,
eu sou lá o que onde for puder quiser explodir,
eu sou fogos de artifício,
porra,

eu queria ver os fogos de artíficio,

é, de repente, também,
só abrir a porra da janela
e olhar os flocos nas ruas,
em outras ruas, talvez

em seja lá, talvez

Nenhum comentário: