quinta-feira, 31 de outubro de 2013

como se eu te batesse com uma flor

Você não se sentiu um pouco esquizofrênico, compondo músicas pop pré-fabricadas da moda, como "The Ostrich" e "Cycle Annie", de dia e algo como "Heroin" à noite? 

É que Andy estava fazendo arte comercial e, então, a outra arte. Ele apoiou o show [Exploding Plastic Inevitable] com sua arte comercial. De onde você acha que eles conseguiram o dinheiro? Não tínhamos heranças nem nada, éramos duros, então Andy fazia uma capa da TV Guide ou algo assim.

Não via isso como esquizofrênico, eu só tinha um trabalho como compositor. Quer dizer, um trabalho realmente amador – eles vinham, davam um assunto e escrevíamos. Ainda é meio assim. Realmente gosto se alguém chega, diz que quer uma música e me dá o assunto. É ainda melhor se me dizem que tipo de atitude querem. Consigo me distanciar completamente disso. Andy dizia que gostava muito quando as pessoas corrigiam sua arte comercial porque ele não tinha nenhum sentimento com relação a ela. Não sentia nada, e como os outros sentiam, deveriam estar certos.

Andy lhe dava assuntos sobre os quais compor? 

Claro. Ele falou: “Por que você não escreve uma música chamada 'Vicious' [Cruel]?" Falei "Bom, Andy, que tipo de crueldade?" "Ah, sabe, como se eu te batesse com uma flor”. Escrevi isso, literalmente, porque tinha um caderno naquela época que usava para poesia, coisas que as pessoas diziam. Como em "Last Great American Whale" [de New York] – "Stick a fork in their ass, and turn them over, they're done" [Enfie o garfo neles e gire, estão no ponto]. Ouvi isso pela primeira vez no Meio-Oeste; John Mellencamp quem disse. Nunca tinha ouvido essa expressão. Ele falou: “Enfie um garfo em mim e gire, estou no ponto”. Escrevi e mudei um pouco.

Lou Reed para a Rolling Stone em 1989
http://rollingstone.uol.com.br/noticia/arquivo-ientrevista-irolling-stoneii-com-lou-reed/?page=1

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