sábado, 19 de outubro de 2013

as fontes, as

eletroacústica, terreiro,
buraco do tatu,
não sou do engenho,
perdigueiro,

sou robin rude
ao som da ta-ta-ta-taboa
ta-ta-ta-taringa
ta-ta-ta-tamanduá,

desencontrância,
redesencontro,
trovão suficiente
que desce à terra todo teu

o ribombar,
as árvores estremecidas, o cometa,
o sinal do fim dos tempos
marcando a terra como carne como nua

moço, tem uma cratera
na tua cara
uma cratera,

sou robim rum
ao som do tam-tam-tam-tambor
tam-tam-tam-tambaqui
ta-ta-ta-tamarindo,

é a sede que avança
e arrebenta todo o chão,
nada mais de caça
nada mais de coração,

torrentes rebentam veias adentro
como percurso de caverna e lanterna
na mão, empurrado o escuro mais longe
e o caminho é todo fogo e lava

eu também volto do fogo
queimando toda a mata seca
para provar ao todo
mundo que sou sublime

sou robin ruim
ao som do tal-tal-tal-camelo
tal-tal-tal-caetano
tam-tam-tam-tamborim,

no fim das contas
um paraíso
para todas gentes se encontrarem
e cantarem

e fumarem um e dois
e rirem muito e pintarem as paredes
seria tudo muito colorido
e tudo ao alcance da mão,

percepções,
percebo que ao alcance da mão
há um vasto terreno e que posso
deitar-me no chão e misturar-me com a terra,

percepções, percebo
que se jogo minhas vistas ao céu
gritantemente azul
me perco no azul,

eu sou robin reis,
sem coroa, sem canto,
farsa de si mesmo, desbotado,
feito cachorro morto,

existe algo de veloz nesse trem algo
de que tão rápido tão que ultrapassa a si
e a si não se vê não se toma uma série de
de imagens que se passam nada se

torna
elaborado,
exceto que sou robin
que sou o duplo,
eu sou o quase,
o torto,

sou atlântico sul,
cargueiro, itamaracá,
arlete salles, salgueiro,
suco de caju

cruzeiro que naufraga
mar imenso de podre de imenso
pinguins comerão minha carcaça
eu serei comida de pinguim

tornado, elaborado,
digerido,
consumado, retornado,
devirado voo?



Nenhum comentário: