sexta-feira, 16 de agosto de 2013

um diabo de quarto de século

se colocou assim ao alcance dos dedos desarmado
desamarrado, desde que perguntei da foto do beckett
e me contou do mendigo que lhe deu e com quem fumou um
e lhe contei do mendigo para quem dei e me roubou o celular
mas me deixou uma bela colcha xadrez
bela bela colcha xadrez

daí prum curta
com cenas belas, doces,
daí pra cadernos,

conversas de repertórios, de movimentos, direções,
faltas de nexo, e a compreensão súbita
de um eu no eu do eu
pela diferença do outro eu,
no caso,
o tu

fez que imitou o zé celso
dizendo do azeite escorrendo o anus
e disse do quanto lhe agradava a transgressão

e comentei eu, abismado, feliz,
de que ainda pode haver algum choque!
que ainda há a capacidade de ir além
e de fazer o não então feito, de causa surpresa,
de trazer o não-visto, indomado, ignoto,

perverso em si
escorrendo caos no mundo das ordens certas
dos eu-sou-minhas-regras
dos retos-que-retos-que-retos-aqui

eu olhei dentro de mim
e me vi bailarina no abismo
e se saltasse eu voava, sei

aqui, aos vintequatro,
quase vintecinto,
pouco mais de vintetrês horas até

seja lá que novo eu possível
das pedras, do cascalhos, as flores,
das pedras e do cascalho às flores,

o passado é um animal grotesco,
ele separava o caderno por anos,
eu misturo os anos,

um diabo de quarto de século
e algo como:
"beleza! bora então!"

Nenhum comentário: