sexta-feira, 23 de agosto de 2013

dancei genial

e naquela noite dancei genial
e tudo que tive que fazer era
observar e deixar fluir

como um simultâneo siamês
como um contínuo simbiótico
como amalgama
como liga

conexões que fiz dos dedos dos pés
aos caracóis da cabeça

o chão sob mim e eu na
medida do contato do chão sobre mim

(como se sendo enterrado,
pela pungência do próximo passo)

ao dançar você é deriva você é futuro em gesto
você é prenhe de os luzires muitos e moedas coloridas

ao dançar você o move mundo
do seu em você
aos seus dos ares

e eu me via, deixava de me ver,
e era o gesto a percorrer
o traçado que se fizesse fazer

e
ir
tombando

pelo
percurso

esco
-rre-
gan
do

nos

pa
-ssos-

to
dos

com
gra
ça

com
le
ve
za

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

impressões

e toda aquela sentimentalidade exalante da nietochka, intensa, mas que me fez pensar principalmente no pai dela, e no seu complexo de artista. o grande talento prometido e nunca vingado por auto-sabotagem, ou incapacidade, ou ambos. é como dizer: consigo parar de fumar quando eu quiser. e nunca parar, mesmo quando precisando.

e me deixou zeno de svevo com as impressões de relacionamentos e visões, e auto-leituras e auto-enganos, e obsessões, e nexos, e construções, e coisas da vida.

e me deixou o um nenhum cem mil a impressão dos vastos silêncios da alma humana sempre além de ser tocada para sempre.

um diabo de quarto de século

se colocou assim ao alcance dos dedos desarmado
desamarrado, desde que perguntei da foto do beckett
e me contou do mendigo que lhe deu e com quem fumou um
e lhe contei do mendigo para quem dei e me roubou o celular
mas me deixou uma bela colcha xadrez
bela bela colcha xadrez

daí prum curta
com cenas belas, doces,
daí pra cadernos,

conversas de repertórios, de movimentos, direções,
faltas de nexo, e a compreensão súbita
de um eu no eu do eu
pela diferença do outro eu,
no caso,
o tu

fez que imitou o zé celso
dizendo do azeite escorrendo o anus
e disse do quanto lhe agradava a transgressão

e comentei eu, abismado, feliz,
de que ainda pode haver algum choque!
que ainda há a capacidade de ir além
e de fazer o não então feito, de causa surpresa,
de trazer o não-visto, indomado, ignoto,

perverso em si
escorrendo caos no mundo das ordens certas
dos eu-sou-minhas-regras
dos retos-que-retos-que-retos-aqui

eu olhei dentro de mim
e me vi bailarina no abismo
e se saltasse eu voava, sei

aqui, aos vintequatro,
quase vintecinto,
pouco mais de vintetrês horas até

seja lá que novo eu possível
das pedras, do cascalhos, as flores,
das pedras e do cascalho às flores,

o passado é um animal grotesco,
ele separava o caderno por anos,
eu misturo os anos,

um diabo de quarto de século
e algo como:
"beleza! bora então!"

domingo, 11 de agosto de 2013

trechos de temas

tomo-te
palavras

i need you here
and not here you too
i cannot explain
i need you here
and not here you too

dissipar o um
em termos todos
que não os meus

castelos a conquistar, outras vidas,
nenhumas, pensares,
relacionais,

que eu pudesse filosofar em outros idiomas
que eu proponha temas
subteses
e daí faça tecidos

das redes de descanso,
de pesca,
elétricas,

que eu as derrube e invada as casas
dos vizinhos e vizinhas
da boa gente

que os faça engasgar
que engasgue a boa gente em mim
que vomitem

que eu volite

que tenha hipopótamos
e rinocerontes
e unicórnios

que tenha coisas maravilhosas

mas me assombra
o orgulho do homem
que se gaba e se infla perante os outros homens
pronto a contar suas belas histórias, e ser admirado,

e muito me toca que é justamente o mesmo
que movo o tomar tomos

essa contra-face, que poderia ser
um derramar sangue 
de si

que poderia ser deixar-se vazar
mas quer ser deixar-se vazar espirrado

homologia
catarro
semên

quando a morte chegar
você simplesmente
não vai sentir mais nada

para que o medo do diabo da morte?
nunca entendi

já fiquei,
já era,