quarta-feira, 8 de agosto de 2012

fogos de artifício em uma noite de abril


eu estava interessado nas conseqüências
eu estava interessado nos fatos que se isolam
nas coisas que mentem porque tinham sono
e então preguiça de contar a história inteira

eu mirava atento aquele azulejo trincado
aquele pássaro trinando
aquele disco furado

eu retomava o ponto de onde havia parado
seu olho quando fitando a garota que vinha
do lado oposto da rua, e nós na sacada do segundo andar,
e você segurando uma garrafa de vinho

tão firme
para que ela nunca caísse,

e te jurei amor eterno
pela cegueira que temos nessas horas
pois que as chamas do tempo sempre estão
por demais distantes e somos tão somente o que somos,

e eu lembro dessa história rindo,
pois que chorar hoje soaria amargo
como uma cotovelada na boca do estômago,

eu estava interessado nas linhas
que formaram um nó
interessado nas gotas que juntas e inclementes
caíram do céu violentas em forma de toró
eu estava interessado em você

e no mistério de cada ruga
que teu rosto formava máscara
ao se colocar em riso

tão completo,
tão repleto,
tão rasteiro

que caí no chão e estou rolando
há sete gerações, como saga como plaga como
recompensa
por haver

devassado
o fundo
do que nunca havia antes sido
visto,

"ah,
para,
nada antes foi visto/vivido,
a não ser que pela primeira vez!"

e não é disso
mesmo
que estou falando?
e não é do tropeço
do reconhecer
que posso falar?

e não é do fazer ofegante
com palavras?



"me conta um segredo?"
"tento."
"tem mesmo um pote de ouro no final?"

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