terça-feira, 27 de março de 2012

Libélula, Betume

lisboa não cai do avesso,
todas as tragédias tão tolas
se em teus braços amanheço
de ópio, tonto e mínimo,

me faz menor, para que eu caiba,
não me afronta, eu pisco,

lembrei agora da árvore
de natal na sala, pleno abril quase seco,
faz frio, tem algo errado,
fecha a janela, dormir, e não deixa

que cada segundo passe
como se fosse maçã ou pêssego,

enrola bem em jornal,
é que não amasse,
planta a semente
que nasce outra breve

árvore inteira, caminho todo de folhas quiçá
sabe ontem?, fossem patas-de-elefante,
mas não foi nada, eu jurei,
essas palavras fiz banais, serestas
tu me fazem dormir, mas eu

(sempre volta a eu - poxa -
qual eu?
tal ontem)

ouvi saídos de minha boca
todo um cortejo de napoleões,
luíses até o vigésimo nono
ditosas capas carmim e brocados

dentro do coração, as vontades
urrantes de desespero, manadas
pragas danações quebrantos, a fome
de quem vai à míngua forte e sempre, não!,

me encontro, me faço
aos seus usos, seus laços,
o seu nome sagrado, minha garganta,
apóstrofo tal membrana você'eu
e segredo no pé do ouvido, carinho

tu me mete no bolso e não
sei nem se quero saber, sei lá,
respirar, subir, zarpar, o sono
me toma embalado no berço que sim

some daqui, belzebu!,
salvar o mundo é o caralho!,
me deixa quietinho dormir,
tô cansado que nem o cu!,

e tu
inventou casulo, me fez canja cantando
que eu ia embelezar seu mirar, e
parece camisa-de-força, confesso

que tá fazendo muito frio lá fora e cinza
aqui não tem vez, obrigado,
as luzes acesas, o aquecedor,
quieto, eu, abobado, seu zinho, só seu,

decanto tornados fácil,
das desgraças fiz suspiro
se em teus braços, de doce, amanheço
dessa balbúrdia me retiro.

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