sábado, 24 de março de 2012

assim simples

é isso,
eu sei o que acontece
que abre o guarda-roupa
e coloca o vestido de dez anos atrás, sua

língua se toma daquelas gírias, face
daquelas cores, soluços
sem soluções, é como quando falta pé e não temos colete, as luzes

da festa, e o som,
não - é tudo - confuso - eu - você - nós - nunca, adeus,
algo que você em você, largo eu de você,
fica a escrever

cartas suicidas, testando as melhores
letras e frases, você não nem cabe
mais naquele tecido, ó ceus, ó patético,
bobo que só você, ninguém então

põe o cd de novo, abre a garrafa
de gim
e sofre mais um pouquim

essa coisa sem jeito
de ver as asas de borboleta virar de condor e sentir
falta de alguns tons e medos,

tu não é herói,
tu não é poeta,
tu está nu no canto do quarto e quieto
e então entra embaixo dágua no chuveiro e fica sentado
esperando ver se tudo passa, então

não abre
o guarda-roupa não, não abre

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