quinta-feira, 25 de outubro de 2012

celebração

e montei no cavalo
e ele se esfacelou no chão
era de porcelana, pobre cavalo rico,
pobre cavalo chinês,

e eu era pesado,
tão tanto bigorna, bocado inflado,
e repleto de vestes, mantas,
sobretudos só eram quatro,

tive que jogar
peça a peça
por aí afora

e outro cavalo
ainda assim
virou caquinho,
que era?

vi que minha pele
sobrava
caía frouxa
parecendo resto,

esfaquinhei tudo, fiquei carne viva,
tão vermelho, tão artista,
e ainda me havia excesso
tombando em bolsas,

tive que
esvaziá-las
com mangueira e bomba
e ainda assim mais um

cavalo
se quebrou

lixei-me todo fora
e me vi todo branco
osso

e assim me coube o trono
e saí voado
pois que a todo caminho chegamos-te,
morte,


a seguir,
ouso dizer, sol
suor, tempestade,
dançarei.


e até lá me movo.
corro cego, órbita vazia,
e meu dente sorri, satisfeito,
da mesma cor
que
eu.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

tom de leitura

"Para atacá-las no devido tom, sabia encontrar o acento cordial que lhes preexiste e que as ditou, mas que as palavras não indicam: graças a ele, amortecia de passagem toda rudeza nos tempos dos verbos, dava ao imperfeito e ao pretérito perfeito a doçura que há na bondade, a melancolia que há na ternura, encaminhava a frase que ia findando para aquela que ia começar, ora acelerando, ora retardando a marcha das sílabas, para fazê-las entrar, embora diferissem de quantidade, num ritmo uniforme, e insuflava àquela prosa tão comum uma espécie de vida sentimental e contínua."

No Caminho de Swann, Proust.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

feliz aniversário,

feliz aniversário,
seu belo monte de merda
que à sanha de se equilibrar
sempre precisa de uma terceira

perna, feliz aniversário sua devassa!,
sua necessitada corrosiva
de mãos muitas que te preencham,
te enlacem, devoradora de

cabeças e sonhos, feliz aniversário
dragão líbelula, quis tanto encher
o céu inteiro de fugazes luzes celofanes
com arco-íris e toda a paleta,
mas só ficou no preto e branco, zero

a zero, feliz
aniversário, demente alado
que voou por todos as quinas
desse quarto torto
dessa cada toda,

feliz aniversário, você que em vós
ressoas, rumo a frente, eu rio,
mas você levanta, persegue
- altivo porém - o seu fim, feliz aniversário

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

o ciclo infinito (ou A Luta é Uma Respiração)

Estamos no Strelka quando ele me diz isso, um espaço bonito que fica diante da catedral do Cristo Salvador, a cena do crime. "Lembro de que nadava naquela piscina, quando criança. Minha sensação é de que em mais 70 anos a piscina estará de volta. E viveremos esse ciclo infinito de destruir igrejas e recriá-las".


http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1132912-putin-vai-mesmo-enfrentar-o-pussy-riot.shtml

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

fogos de artifício em uma noite de abril


eu estava interessado nas conseqüências
eu estava interessado nos fatos que se isolam
nas coisas que mentem porque tinham sono
e então preguiça de contar a história inteira

eu mirava atento aquele azulejo trincado
aquele pássaro trinando
aquele disco furado

eu retomava o ponto de onde havia parado
seu olho quando fitando a garota que vinha
do lado oposto da rua, e nós na sacada do segundo andar,
e você segurando uma garrafa de vinho

tão firme
para que ela nunca caísse,

e te jurei amor eterno
pela cegueira que temos nessas horas
pois que as chamas do tempo sempre estão
por demais distantes e somos tão somente o que somos,

e eu lembro dessa história rindo,
pois que chorar hoje soaria amargo
como uma cotovelada na boca do estômago,

eu estava interessado nas linhas
que formaram um nó
interessado nas gotas que juntas e inclementes
caíram do céu violentas em forma de toró
eu estava interessado em você

e no mistério de cada ruga
que teu rosto formava máscara
ao se colocar em riso

tão completo,
tão repleto,
tão rasteiro

que caí no chão e estou rolando
há sete gerações, como saga como plaga como
recompensa
por haver

devassado
o fundo
do que nunca havia antes sido
visto,

"ah,
para,
nada antes foi visto/vivido,
a não ser que pela primeira vez!"

e não é disso
mesmo
que estou falando?
e não é do tropeço
do reconhecer
que posso falar?

e não é do fazer ofegante
com palavras?



"me conta um segredo?"
"tento."
"tem mesmo um pote de ouro no final?"

quarta-feira, 27 de junho de 2012

e dois anos depois tirei do papel

vou ser uma pessoa nova que pensa: "porque deixar para amanha se posso fazer agora?!" rs






trecho de um email para l rossi em 01/02/09

segunda-feira, 18 de junho de 2012

sábado, 16 de junho de 2012

vI

To completamente lhouco.
Dei só duas bolas.

E do meio do toda a
multidãotude
do meio dalí seus olhos aplaudiram

vI (for you're the rain dog too)

u,m pedaço caído deixado
de pó de estrela
de loooooongos olhos castanhos
ovalados como o início dos tempos

Ou foi senão
canção que feita de quatro notas
e batuque dos mais suingados e negros
pela qual caiamos de amor

v (madonna beautiful stranger
te aclamou repleta de sAgrado)

e o amor ele também era cimento
que juntou pedaço daquelacoisaqual
à minha pele qual citoplasma
qual delírio dentro dacabeça ravel,

da arte do encontro::
o foco do ipê amarelo desfolhando
e um sorriso de dia caído à frente
do meio de um caminho qual

ii (l.oooooooooooooooooooo.ngos
eram os cílios que cataram a faísca)

dAquele início rasgado
de arrebatação de tombamento
no eterno instantetude de um punctus-
ricto que eternifica ,momentum,

e memento de um colar que brilhou
e que tanto fez e tudo grudar
e o duplo choque foi
tudo quanto custou

iii (you make me feel like i am
dizzy again )

e a todatodatoda distância
daquela instanciação primeira
consusbtanciação de dois em
tententência de unitude ou

o repleto de um longo davi
não quatro nem seis mas oito
metros de marmóreo deslumbr-
-amento e retumbante eRecto

iV ( o Esconde conde de aLice
nas maravilhaspaís e, depois, um espelho)

e é como Se olhjar no espelho e,
 rever, o oposto do mesmo como tomado
em negativo pungente prestes
ao positivo oposto e buraco-

negro, num navio repleto de
escravos acorrentados, só mais um,
deposição de rei de si e dos outros que
ventura viessem, dado entregue

i (e tudo era início somente num
looooooongo exato azul)

rolei na mesa por ti dela fui
comida de teus olhos que devoraram
e, inverso, era eu tomandote
com meus olhos como a um licor

e eu sabia que em você me separou
do passado e me levando afrente
e levaria para todo futurossempre
a partir de um simples parir com

vii (e o que teria o nunca mais saber recontar
isso)

E do meio do toda a
multidãotude
do meio dalí seus olhos aplaudiram

Duas bolas, foram só duas bolas,
E bastou e fiquei lhouco,

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Partilha

Não penso mais em você - o que é igualmente ridículo.
Esses anos que nos apartam como um deserto de sal.
(- que é de sal, que é um abismo, que somos sapos -
Nenhum beijo fez ninguém virar princesa,
e acordei sempre com a cara toda amassada,
a boca repleta de gosto ruim, meu corpo todo fora de lugar.)

e a hombridade em meus seios
aumentados a silicone
deveria ser um entrave,
mas é uma faísca
para a ladainha.

Som na caixa, pista de dança,
tu pediu Beatles para o DJ,
peguei,
cerveja, cigarro, maconha, papos altos.

Fim de noite enrolado em cortinas,
começo de manhã.
Penso que pensei tanto, seus olhos,
pesaram em mim,

bigornas, feridas, nada de novo.

Não há razão, nenhuma, nem desrazão.

E eu te disse para não buscar ser o que não era,
e você me disse que é só o que fazemos.
(feito vagalumes querendo ser luz, impérios)

Onde éramos? Que faríamos?

O silêncio após George foi como uma adaga
que tivesse enfiado em meu fígado,
(e eu te vi abutre porque eu trouxe o fogo)
e enquanto você roncava o vento
levou cinzas chão adiante
e o relógio e a caneca.

Whisky, na caneca, pouco gelo, está frio.
Me aquece? Estou assim, sem freio.

Não olhe assim, não, que dá ânsia,
como é fácil não falar com
ou de, ou para, ou entre você,
e pareceria triste, mas não. À tarde,

quando você deitar no carpete, olhar o teto,
(mexer em seus próprios cabelos,)
eu penso em icebergs.
Seu rosto assim, esburacado,

não te direi nada, nem uma palavra, é
Minha vitória de bolso.


terça-feira, 12 de junho de 2012

maldigo


meu corpo
se contraiu
ele virou do osseva
e desen-eixou-se descarrilhado,
ele caiu
na malha fina de uma
prestação de contas sempiterna e o júri
impacienta-se com a boca que des-
articula, desiste,
meu corpo,
desiste, menino-corpo,
quer colo cama, tem medo não,
buraco-negro osseva eu,
autofagocitose, regurgitas?,
paciência, indigeste,
rezas?, liturgias?,
soninho, corpo-menino,
soninho...

quinta-feira, 26 de abril de 2012

vento e pó, barro e vivo

se é necessário
- e parece que sim -
nadar contra a maré 
mais duzentas mil vezes
eu vou

até que eu me esgote,
e esse dia ainda não chegou,
e pereça, levado,
e vire carne de peixe, eu reafirmo

a luta, grito bem alto a lida, coloco
os sapatos vermelhos, esqueço meu nome
e me juro nascer de novo após um cochilo,
estou novo, sou todo o tempo, sou 
essa coisa que acaba de brotar

e não fecho os sentidos, sequer caminhos,
que ela invada o asfalto inteiro
e nenhum carro mais passe, ainda assim,
prometo jeito outro de voar

e serei, por um dia, vento e pó,
então, a seguir, barro e vivo,
e depois, novamente, vento e pó,
na sequência, venho a ser, barro e vivo.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

david altjmed

"Rather than a language, I am more interested in how the elements create energy. I know that the things I use, the Star of David or certain words affiliated with political activism, are charged and have important meaning potential. I inject them inside the installation and the meaning potential transforms into energy. My involvement is to create something that is alive that will be able to say new things.
The energy of these living abstract organisms depends on the meanings of the work being unresolved, uncontrolled. When meaning is controlled, the resulting object is not alive."

"But in comparison to an icon like the swastika, the Star of David is so much more interesting. With a swastika, only one thing can happen. I know exactly how a swastika will function inside my installation. It is too obvious and I don’t like that I know what will happen. I don’t want to know. You know? I am very interested in that void. In order to make something that is new, that says new things, you have to be able to use intuition and not really know in advance what is going to happen. If it is totally controlled then there is nothing new."

segunda-feira, 9 de abril de 2012

mais pesado

imaginei uma síntese
quis até fazê-la com gestos de mãos
foi quando olhei para as minhas unhas e
assustei, eu juro,
eu não me lembrava de tê-las roído
e ainda assim,

quis fazer numa caixinha
um punhado de memórias e vi,
com o tempo, em mim, passando,
ouvi murmúrios todos

eram mil
as chances que tive
de barcos a me tirarem da ilha, mil
nomes que entoeei dormindo
e acordei delirando e escrevi
logo na água, para facilitar o trabalho do tempo,

aí percebo que é preciso ser amigo,
que é preciso ser doce, que é preciso ser inteiro,
ou tentar,
ou morrer tentando,

nadar até doer os braços
e preferir olhar para o céu
do que cavar o fundo do mar, mas não

tinha nenhuma rede de pesca por perto
e eu precisei mergulhar e pegar comida
usando as mãos nuas e tudo escapava, por óbvio,
e eu tive muita fome,

deitado na areia deixei
meu corpo dourar no sol, areia vento vindo,
fiquei dez anos, abri os olhos
e me pesando uma duna,

dez mil anos depois,
dez milhões de anos,

o relicário nas mãos,
quis misturar cada gota
de cada beijo, cada sonho
de cada concha, cada brinco
de cada festa,

vi que não encaixava, quis colocar na garrafa,
jogar bem longe, de olhos fechados,
e a praia trouxe de volta, acendi fogueira
e fiz sinais de fumaça, passava um aeroplano,
fui solenemente ignorado, tentei queimar
minha casa de caracol, feita de dores de todas as dores,
feita pra refúgio, e ainda me lembrava
do sol me deixando vermelho, tentei fazer
com que se fossem
e eles continuaram, só queimei as mãos,
intactos,

minto, na verdade nunca tive casa,
eu não tive casa, na verdade,
eu não tive nada,
essas imagens balelas,
meu corpo, real, tem marcas de balas,
e eu me afundo na areia...

e vou nadando, vou nadando,
que os braços não podem parar
e nada é mais pesado que o ar
desse céu azul tão grande

quinta-feira, 29 de março de 2012

torta ode à bonança

e era na beira dos lagos
todos os tais rodopios no céu
coisa meio abalofante
porém fazendo um belo desenho e o

tom
de teatro
levemente intencional

e a reprodução
do gesto geratriz
big banguico
e fazia no céu e no texto

palavrinhas que se esplodissem, imaginem
as gotas de tinta
espalhadas por esse papel que é tela

e a curva que liga os pontos
ou quiça raciocínio
- o que é tem a razão nisso, senão um causal lógico? -
originário foi tão

somente:
sombra, água fresca,
abacaxi sem miolo, mojito dentro

no início nada tinha de torta, pois ode intenta,
e com o que temos agora
- fichái-vos, se passivos, -
daremos um thauzinho esperto
beijo beijo

terça-feira, 27 de março de 2012

Libélula, Betume

lisboa não cai do avesso,
todas as tragédias tão tolas
se em teus braços amanheço
de ópio, tonto e mínimo,

me faz menor, para que eu caiba,
não me afronta, eu pisco,

lembrei agora da árvore
de natal na sala, pleno abril quase seco,
faz frio, tem algo errado,
fecha a janela, dormir, e não deixa

que cada segundo passe
como se fosse maçã ou pêssego,

enrola bem em jornal,
é que não amasse,
planta a semente
que nasce outra breve

árvore inteira, caminho todo de folhas quiçá
sabe ontem?, fossem patas-de-elefante,
mas não foi nada, eu jurei,
essas palavras fiz banais, serestas
tu me fazem dormir, mas eu

(sempre volta a eu - poxa -
qual eu?
tal ontem)

ouvi saídos de minha boca
todo um cortejo de napoleões,
luíses até o vigésimo nono
ditosas capas carmim e brocados

dentro do coração, as vontades
urrantes de desespero, manadas
pragas danações quebrantos, a fome
de quem vai à míngua forte e sempre, não!,

me encontro, me faço
aos seus usos, seus laços,
o seu nome sagrado, minha garganta,
apóstrofo tal membrana você'eu
e segredo no pé do ouvido, carinho

tu me mete no bolso e não
sei nem se quero saber, sei lá,
respirar, subir, zarpar, o sono
me toma embalado no berço que sim

some daqui, belzebu!,
salvar o mundo é o caralho!,
me deixa quietinho dormir,
tô cansado que nem o cu!,

e tu
inventou casulo, me fez canja cantando
que eu ia embelezar seu mirar, e
parece camisa-de-força, confesso

que tá fazendo muito frio lá fora e cinza
aqui não tem vez, obrigado,
as luzes acesas, o aquecedor,
quieto, eu, abobado, seu zinho, só seu,

decanto tornados fácil,
das desgraças fiz suspiro
se em teus braços, de doce, amanheço
dessa balbúrdia me retiro.

sábado, 24 de março de 2012

assim simples

é isso,
eu sei o que acontece
que abre o guarda-roupa
e coloca o vestido de dez anos atrás, sua

língua se toma daquelas gírias, face
daquelas cores, soluços
sem soluções, é como quando falta pé e não temos colete, as luzes

da festa, e o som,
não - é tudo - confuso - eu - você - nós - nunca, adeus,
algo que você em você, largo eu de você,
fica a escrever

cartas suicidas, testando as melhores
letras e frases, você não nem cabe
mais naquele tecido, ó ceus, ó patético,
bobo que só você, ninguém então

põe o cd de novo, abre a garrafa
de gim
e sofre mais um pouquim

essa coisa sem jeito
de ver as asas de borboleta virar de condor e sentir
falta de alguns tons e medos,

tu não é herói,
tu não é poeta,
tu está nu no canto do quarto e quieto
e então entra embaixo dágua no chuveiro e fica sentado
esperando ver se tudo passa, então

não abre
o guarda-roupa não, não abre

segunda-feira, 19 de março de 2012

abestando

ermidando,
desencaminado,
des arbres, des feuilles vivent,

e meu, e eu, e teu tua,
a gente ri, chora, comemora,
e por aí vai.

será que vou pegar a doença do caramujo?
será que vamos?

a gente para e chora
quando precisa
depois levanta,

e de repente, mais uma vez,
descoberto
& desabrochado.

quarta-feira, 14 de março de 2012

lo diga

que lo diga
o digo
to digo

que se lo faça
a mim faça
faceirice, fossa?

que los arribas
morro acimas
céus nuvens

em letras
versos
cada ângulo, vértice,

fosso,
laço,
passo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

oh!

oh! meu, oh! meu, oh! nosso, oh! nada,
oh! desdito, oh! draga, oh! vala,

atropelos do caminho, nega,
e poesias mal cantadas,
no desencano das palavras, nega,
um escoar de cavalhadas,

oh! luto, oh! luto, oh! vosso, oh! lida,
oh! tronos, oh! potências, oh! chagas,

tropeços dessa língua, nega,
maresia sem enseada,
muito vento pra virar, nega,
barcarola naufragada.

oh! luto, oh! meu, oh! posso, oh! banda,
oh! sono, oh! tédio, oh! medo, oh! nada.

quinta-feira, 1 de março de 2012

notas sp

 chemiakin triplo retrato de

nijinsky

rivera modigliani

curinga kudinga enganar

busca de terras novas como forma

de achar o paraíso

lira paulistana ná ozze

kids these days

proa da palavra

total life/love forever, foals.

american wedding, googl. the

drums. el guincho, bombay.

estadao lanches

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

à grega

es muss sein,
nesse caso
deixei caber

não me mato mais
pelos quais quais
que dever

dívida em débito
elétrico, tépido,
versinho ressoa

que doa, que doa,
que lave, que lave,

que gele, que gele,
que abrase, que abrase,

eis sim
vou sim
continuoum

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

adieu, dois-zero-um-um

play the tarantello, catchup!, soup and purée!, fone de ouvido e estrada afora, nuvens em blocos, belezuras várias eu variando, the good red road, mensagens truncadas, vagalumes, when the walls start falling down..., caixão tumba terra, areia movediça, besta é tu!, ó mistério de mim!, ó mistério do planeta!, ô manhã veludo, dormir pouco, malditos insetos!, i go bzzzzzzzzzzzzz, catando restos por aí pra montar um ready made, perdi gaudí e bem sofri, encontrei parque lage e detonei, poesias dos morros de anos de todos anos, joelho ralado, quantas quedas!, quantos voos..., we'll be back!, elvis não morreu, neblina pela madrugada, oh darling! let's!, super violão mashup, is that you choking?, pintas nas costas, geometrias desencantadas, ossos quebrados, o mundo acabando com tanta beleza!, raízes galhos luz em cima, dancinha de banda quebrada, tou bi or not tou bi contre votre poitrine, aquele prédio maluco de curitiba, o iraque em recife, a europa toda afora e meu cu!, muita putaria, muito sonho, tintas na tela, translações traduções, jardins defronte a mona lisa, parque no fim da tarde com o uivo e meu ouvido, recompõe decompõe qual nexo, algo lá no fundo chama segue queima, vem que eu quero ver você sambar, só estou aqui às vezes, cepage montmartroise, lorca e artaud no metrô, como se faz a realidade dentro da bolsa, tudo que você podia ser, metas de ano, i can change never change!, shake it baby evil heat, namora comigo?, tudo bem sangrento pra são valentim, jesus e maria das correntes, help in my weakness 'cause i'm falling..., well i'm beggining to see...!, e refazer the end, pra que nunca chegue e nunca acabe, o caminho para o hospício é bonito e tem muitas cores e lá perto tem uma barragem, banco de sangue, velejar águas vermelho, bilhetes de papel long ago, barquinho de madeira, guerra dentro de garrafa, enumerativo como ginsberg mon amour pelo cemitério, aqui no topo do morro tem um, marquei o túmulo de cortázar e terminei tudo na gare du nord, não me perdi por ruas e me arrependo e muito quero, 4x of montreal na balada que lindeza, eis, prece de ano novo, suzanne para três, apoteose de um coletivo de animais, the wild witch of the west, o menino do piado de coruja, corvo negro, ataque pesado, alça de mochila arrebentada no primeiro dia, coisas atrás do sol de marte, a lá la tour toda pirilampa veada, just to love and be loved in return, paradinha subindo céu afora e depois caindo duma vez que só!, flor de lótus de amsterdam para paris e escapando dos canas, monte de livros na bolsa, novas versões novos encadeamentos cadências ordenações & lógicas, cemitério judeu, aquelas lágrimas - uma despedida - tanto afeto, o homem que peca, tijolinhos vermelhos, o fantasma de fulano de tal no hotel paraíso, os cisnes, aqueles canadenses, quebrador, ooh deusinho e os problemas tão difícil, peso demais nas costas e que se foda quem não cabe, café e tv, sem açúcar vá lá, de novo querer muito e querer ir atrás de muito e muito muito muito, nome de pokémon, professoral, zona radioativa colorida, tadzio tadzio, sights of paris inside your iris,  genious camden!, largar filhosdaputa, violência vs violência, reencontros & abandonos, chapações, demensias, plantinhas bacanas, st. germain des-prés, levantar, cair, levantar, cair, levantar, menos drama, cair, levantar, fuck me!, levantar, cair, levantar, é bonito, porra, é bonito (um) sim, nunca acaba 

labuta

colou
o ouvido
no chão

e achou

sina

tocou
uma nota
lá no fundo

mas era surdo

domingo, 8 de janeiro de 2012

ato fotográfico

Por fim, diremos que a psicanálise parte de um conhecimento não científico, a saber, que o personagem literário (e sua circunstância) é fruto de um ato fotográfico como aquele que Walter Benjamin concebeu na formulação do inconsciente óptico: a fotografia revela algo invisível. Se toda arte é fotografia, logo, a arte é esta revelação de algo não sabido e que, no entanto, estava ali.








fonte: http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/masoquismo-hoje/

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

uma das frases pra dizer dois mil e onze

dois mil e onze:
o ano no qual achei que eu não ia voltar a ser algo como o que eu achava e reconhecia ser eu