segunda-feira, 7 de novembro de 2011

de animais mortos (e gente morta)

eu tinha te lido, achei banal.
resolvi reler, achei bem mais bacana.
talvez fosse o sono que me tomava antes,
e ele faz isso comigo, de me deixar mole e indisposto,
e cético, e crítico.

outras vezes, iluminado demais,
içado feito bandeira e bandeirola de festa
junina, que é junho, que é julho logo logo,
depois vem agosto, setembro e os meses todos,

(é tempo que vai, é tempo que vem,
não volta ninguém)

e com eles a secura
tanta toda que já
tomando minha pele,
me fazendo sem água
(por toda parte, rachaduras)
eu inteiro desértico.

aí que eu esbarrei hoje na sua carta
no meio de um livro
achei engraçado
achei bonito:

quis seu corpo.
achei isso de uma pureza... que devia até mover montanhas.

lendo seu texto assim assim
eu me vi entre meu mundo inteiro
de uns anos atrás quando eu era
quase você ou tão parecido em tanto,
sabe, me deu quase saudade de mim.
mas não muita.
só quase muita.

fiquei quietinho, esperei o carro passar,
resolvi escrever isso,
quis seu corpo inteiro
seus olhos
seu sorriso idiota
seus fora-de-lugar e hora
sua barba
seu pinto
sua bunda
sua voz
seu canto
mais uns vinte detalhes outros.

fiquei quietinho, ia até te falar,
mas resolvi fazer isso algum dia qualquer
bêbado, quem-sabe?,
delirante
pleno
desejante de nada além.

(que além há-não, nunca houve,
e se tiver eu não quero)





escrito em junho desse ano.

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