terça-feira, 16 de agosto de 2011

roy wagner, ou "blowing my mind"

Olha, eu não tenho lá muito idéia do que aquele doidão quis dizer, mas vou tentar falar alguma coisa como registro e etc e tal. Afinal, eu estive a poucos metros de um dos mais fodidos e polêmicos antropólogos atualmente vivos, e quiça, dos mais fodidos e polêmicos que já existiu. Isso, my friend, o tempo vai dizer.

Bom, vamos lá. Impressões iniciais. A gente tenta seguir uma coerência e razoabilidade e ordenação, né? Beleza. Chego lá um pouco atrasado. Vejo um cara mais velho do que eu antes supunha, chutei  em torno dos 70 anos, mas agora vou wikipediar. (Sabe aquela coisa de imaginar gente doida como jovem? Pois então, sofri desse mal.) Bom, chutei certo. Nascido em 38. Jovenzinho na loucura dos 60. Bacana.

E a seguir me deparei com tanta coisa instigante que mal sei começar a falar sobre. Em linhas gerais, o mais impactante foi aquela veeeeelha noção de que o mundo é tão mais amplo, complexo e etc, do que se costuma imaginar. Ou, principalmente: inventamos o mundo assim. Todos esses tantos de grupos humanos por aí existentes. Hoje mesmo mais cedo vi a antropologia pelo prisma dessa tensão: o que uniria todos os humanos, e as diferenças que o separariam. Dança delicada, essa.

O principal: uma antropologia das mais bem feitas - mas não a única possível - e dedicada a colocar o nativo de maior seriedade possível, dando relevância verdadeira ao seu modo de pensar, e dedicada também a levar o encontro/choque às últimas consequências, resvala possivelmente para a mística. Num sentido amplo. As conclusões inalcançáveis, os jeitos de olhar o mundo idem, e quando um dos caras mais foda do mundo relata que vivenciou coisas sobrenaturais, e que sabe que pode ser visto como louco por declarar isso, você só diz: como é? Como é?

É isso, a vida grande e pesadona nas minhas costas. Eu lá tenho idéia de como lidar com isso. Mas valeu pela oportunidade. Valeu mesmo, ó coisa-nenhuma, ó grande-nada-da-banalidade, ó ocidente que a gente carrega nas costas. Valeu mesmo. E, principalmente, valeu conjunção astral e vida que me fez e eu fiz. Sugestivo esse dezesseis de janeiro.

eggs
pearshells
factrals
triangles
trinity
the snake
the crow

Espero ainda fritar muito com isso.



Post-scriptum: Porque diabos escrevi dezesseis de janeiro se era dezesseis de agosto? o.O