quarta-feira, 24 de agosto de 2011

kevin shields way, ou: saber mais e o mistério das "cousas"

Recentemente "perdi" um bom tempinho no wikipedia e em outros sites lendo sobre o processo de gravação e produção do Loveless, último álbum que o My Bloody Valentine lançou, datando de 1992. Eles ficaram trabalhando no álbum por mais de ano, e gastaram uma grana preta, por "n" motivos. O lance é que descobri também nessa que, em uma medida considerável, a banda É o Kevin Shields doidão.

Assim, vim a saber do louco processo de produção do álbum, e de como Kevin Shields decupou as faixas, gravou diferentes instrumentos, duplicou camadas de vozes, utilizou-se de técnicas de guitarra envolvendo wah-wah de forma diferenciada, e quase artesanal, criando um efeito que hoje pode até ser dito facilmente emulável, mas na época foi tal combinação única...

E fiquei pensando nesse artesanar de alguém, e na crença da expressão válida ou única de si. Crença que talvez se devire em necessidade, ou em luxo, ou um luxo que é necessidade, ou uma necessidade completamente luxuosa, assim como os cavaleiros medievais precisavam de aventura porque assim se lhes diziam e porque só assim poderiam fazer. Novamente, pobre, paupérrimo, o Quixote sem moinho.

Hoje vi também um documentário sobre Pieter Brueguel e entendi melhor diversas camadas de sua pintura, às quais eu jamais poderia ter tido acesso sem estudo, apenas com a apreensão de um olhar leigo. O mesmo exemplo vale para o álbum do MBV do qual eu estava falando. Sim, que o mundo tem camadas, tem véus, tem historinhas pra contarmos dele e das coisas deles, e por aí vai e tal e coisa. Isso é cacofônico volta e meia, pois sim, mas uma cacofonia com potenciais de beleza absurdos.

Por fim, contraponho pensando como saber realmente o mistério de alguma coisa a mata. Wilde sabia, discutiu isso na Esfinge Sem Mistério, e Cortázar sabia, e daí tanto de seu anti-racionalismo e sua sensação de viver o absurdo e de inserir o absurdo na narrativa para que ela possa ir além. É preciso simplesmente abraçar sem saber porque fazê-lo, mas dessas necessidades parecidas com as que tinham os cavaleiros medievais mesmo. E inventar seus moinhos. E conquistar a Bretanha.

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