segunda-feira, 18 de julho de 2011

ubiquidade dissolvente

"Textos críticos, por outro lado, como o livro sobre John Keats, de que há muitas referências nas cartas, assim como várias intervenções pontuais sobre tópicos e autores que lhe interessaram durante sua carreira, trouxeram decerto elementos relevantes para a compreensão da poética e da prática narrativa que Cortázar foi exercendo através dos anos. É o que se vê, por exemplo, pelo conceito de “ubiquidade dissolvente”, que tantos desdobramentos teve no interior de sua obra ficcional, e que foi tomado precisamente de Keats para definir o modo de ser do poeta como uma espécie de camaleão movido por uma ânsia de viver que o leva a amoldar-se mimeticamente ao modo de ser de outro a cujo espaço se transporta com facilidade a ponto de nele se fundir, adotando pelos olhos alheios outro modo de olhar. Ser que anseia ser, o poeta seria capaz dessa posse do outro pela linguagem, perseguidor radical de uma plenitude ontológica que o obriga à busca e à rebeldia diante de um mundo degradado que não corresponde às suas aspirações."

trecho retirado de:
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-58/cartas-julio-cortazar/misteriosa-entrega-e-mudanca-de-si-mesmo

2 comentários:

Luiza disse...

não sei se você sabe, mas eu espero que você me dê um livro de cortázar.

beto,,, disse...

combinado ;)