segunda-feira, 4 de julho de 2011

Santíssima

Pobrezinho, pobrezíssimo,
paupérrimo Quixote-sem-moinho,
arquejando e preso
na sina de fazer dor nas costas
pra que carreguem tantos podres.

Que não são deles, pobrezinho,
pobrezíssimo,
mas só podem ser, paupérrimo,
Quixote-sem-moinho.

Ele que não tem sequer
uma moeda de ouro, mísera,
uma mísera moedinha, ele miserável,
pra fazer como fazem os outros,
passantes, tão rápidos, decididos,

e jogam sua miséria na fonte.

Tais águas frias, tal velha pedra,
deviam o mundo, ligeiras,
botar nos trilhos.

Ah-esse-trem, Quixote-sem-moinho,
doido-de-deus, pobrezinho,
e suas costas doem mesmo,
e sua pena aumenta,

E você queria tanto,
paupérrimo, dar uma moedinha pra deus,
que pede esmola ali no canto.

E você tanto queria,
pobrezíssimo, enxugar as lágrimas de deus,
perdidinho-da-silva na romaria.

As pernas das gentes,
são mesmo inclementes,
as pernas das gentes.

Ele que não tem qualquer
cama pra escorar, dura,
mesmo que de pedra, ele dolorido,
pra fazer como fazem os outros,
caminhantes, vezes tolos, ensandecidos,

e esparramam seu cansaço na fronte.

Pobrezinho, pobrezíssimo,
paupérrimo Quixote-sem-moinho,
estafado e roto
na lida de lutar sem espada,
louco que esse tudo fosse nada.

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