sábado, 25 de junho de 2011

sibilando

só uma vontade súbita de tirar esse tal amor todo da luz de foco.

( que o amor possível me seja animalesco, reptiliano, grotesco, inumano e reluzente )

pois bem que não sei se são meus vinte-três anos que me fazem dizer cada vez menos. e fico pensando que trocentas vezes por aqui eu já não me questionei quão ridículo é esse esforço em dizer. não sei. meu senso de ridículo alterou, ou ele se canaliza de outros modos. dizer que não sei os possíveis de mim me parece banal, me parece também estéril.

( é possível fazer do desconforto alguma coisa que eu não sei nomear. como um balé, talvez. ou um contorcionismo. ou o corpo deitado no chão de brita. )

aliás, meus quase vinte-três. já me sinto com vinte-três. minha cabeça ainda vai virar outra vez. e outra e outra e outra vez.

( amor reptiliano que faça serpentear. que do couro pra tirar belas vestes. que do olhar tensionar o temor. que dos dentes afiados as espadas. )

eu não tenho sabido mesmo mais o que é inércia, e isso merece um bom brinde. não sei ainda quantas coisas vou saber e deixar de saber. fica essa vontade e essa ânsia que são quase calmas.

( e voar no céu. e rastejar o ventre. e mudar de pele. )

( dragão de mim, serpente de mim, lúcifer de mim. )

( ácido, não queime. delire. )

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