domingo, 26 de junho de 2011

combates

é tão bom quando as coisas fazem sentido por si mesmas,
ao invés de precisar repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
repetir pra ver se vai
na marra e no tranco.

sábado, 25 de junho de 2011

sibilando

só uma vontade súbita de tirar esse tal amor todo da luz de foco.

( que o amor possível me seja animalesco, reptiliano, grotesco, inumano e reluzente )

pois bem que não sei se são meus vinte-três anos que me fazem dizer cada vez menos. e fico pensando que trocentas vezes por aqui eu já não me questionei quão ridículo é esse esforço em dizer. não sei. meu senso de ridículo alterou, ou ele se canaliza de outros modos. dizer que não sei os possíveis de mim me parece banal, me parece também estéril.

( é possível fazer do desconforto alguma coisa que eu não sei nomear. como um balé, talvez. ou um contorcionismo. ou o corpo deitado no chão de brita. )

aliás, meus quase vinte-três. já me sinto com vinte-três. minha cabeça ainda vai virar outra vez. e outra e outra e outra vez.

( amor reptiliano que faça serpentear. que do couro pra tirar belas vestes. que do olhar tensionar o temor. que dos dentes afiados as espadas. )

eu não tenho sabido mesmo mais o que é inércia, e isso merece um bom brinde. não sei ainda quantas coisas vou saber e deixar de saber. fica essa vontade e essa ânsia que são quase calmas.

( e voar no céu. e rastejar o ventre. e mudar de pele. )

( dragão de mim, serpente de mim, lúcifer de mim. )

( ácido, não queime. delire. )

domingo, 19 de junho de 2011

Pedido

Eu te faço um pedido
e ele deve soar singelo,
ainda que ele, pobrezinho,
ande estabanado,
um pouco mais trêmulo
do que eu gostaria.

E que não seja ele também
nada límpido, nada bravo:
é menino pequeno
caído da bicicleta
lá pelo campão
de lama e cascalho.

Eu te peço que não deixe
que eu te toque muito, não deixe,
que não quero seus borrões
pelo meu corpo.

Eu te peço que não se deixe
me tocar muito, não deixe,
que não quero suas manchas
pelo meu corpo.

Eu te peço que tome um banho,
um longo banho, ou até dois,
antes de bater à minha porta.

Eu te peço que venha
com suas roupas de dormir
que é uma festa de pijamas.

E, despido, que seja só corpo,
na exatidão de uma carne
que só se confunde na outra
por delírio ou por sandice.

E, preciso, que seja canção,
nas tonturas de um repente
que por toda sua beleza
de se redizer nunca mais.

Mas tolo
anguloso
e efêmero.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

uma analiticazinha, no terreno da auto-revisão

eu lembro de quando o jogo de associações se fazia valer por ele mesmo. só pela brincadeira. mas de repente me entranhei numas de fazer uns edifícios mais bonitos pela ordenação. me pergunto em que medida o que digo de mim por aí, aos ventos, se encaixa. e não se encaixa. e também de repente assim me deu uma vontade de achar um certo encaixe nisso.
e lembrei da resposta: se faço uns padrões mais delicados, se penso na ordem e não deixo que tudo se faça pelo gritar do momento, é que coisa fácil me cansa. brincadeira fácil perde a graça.
sair de cadeira pra mesa e depois madeira e árvore e nuvem é tranquilo. ficar nessa mesma sempre seria muito pouco desafio.
não deixo de brincar, não mesmo, mas prefiro uns jogos um pouco mais complexos (e menos batidos).

sexta-feira, 10 de junho de 2011

quanto a uma atitude

já tem anos que pra mim penso que qualquer consolo é isso, só consolo, e a vida toda permanece no fundo grandemerda. pois bem. só que agora a resposta vai pro que-seja. o foda é querer o que não existe, e isso não quero querer.

Ah!, Gregorovius...

Ah!, Gregorovius... Diga-me lá! Porque Julio não escreveu sobre você e sim sobre o chato do Oliveira, sempre louco pelos padrõesnãopadrõesloucuraquesãopadrões & quetantodeordemqueviraloucura, porque? Eu também aqui queria com suas histórias ter tido três ou mais lugares de nascimento diferentes. Dos velhos-austro-húngaros, da lua redonda ou de só uma glasgow qualquer e um abandono. Se sim a nossa história, Ossip, é ser deixado e se virar, que eu muito bem precisaria ler você e virar você enfim. Também quero três mães, que é bem o mesmo de não ter realmente nenhuma, que sabe-se lá qual é uma e o que é uma. Uma, uma, uma. Uma seria feiticeira, oh sim!, é inegável. Outra deveria ser uma pianista fria rígida bergmaniana. Es muss sein. A outra seria uma moça louca perdida nas ruas, e só essa eu saberia onde vive: em Praga, pois oh!-sem-dúvida!, toda kafkeana, e em negação, montando as coleções do impossível, juntando um urso de pelúcia ao lado de uma garrafa de vinho semiquebrada. Sim, Ossip, também viverei de mesada. Ou de ar & luz. Um beijo pra você que já morreu, mas nunca vai morrer. Que faz tempo já, né? Debulha Paris para sempre por nós, que eu te intuo nas linhas todas que não ditas.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

com hume em deleuze (e um contra, se pá, no final)

e é por estabelecermos simpatias que damos tiros nos outros, e logo nos pés: pela parcialidade. e só nas simpatias que somos. e é na integração das simpatias que seguimos. mas ainda assim, de início, a parcialidade: inevitável tiro no pé da idéia de homem enquanto projeto grupal amplo. o a-longo-prazo será sempre alguma merda assim, e é essa nossa origem também. não é à toa que tantos se refugiam em suas famílias ou num casal ou num grupo de amigos. não é à toa mesmo. grande fraternidade dos homens fica sempre meio "my-ass!" assim.

(mas se a idéia aqui posta de homem tem origem política e consequência também, é possível uma subversão que estabeleça a ideia de comunidade como um à priori, e não as idéias de contiguidade e semelhança. ah-sim, foi isso que o durk fez. saquei.)

(hmmm... mas o durk resvala num probleminha fofo de colocar elementos não integrados como anômicos. que é um problema por partir eminentemente da noção de uma maioria que constrói discurso sobre o que deve ser a maioria adequada e funcional. a lógica fica num quase utilitarismo.)

(é possível uma saída? nem voluntarismo, nem utilitarismo. mas o que? minha cabeça tá cansada. se pá voltar a isso depois. se não também, beleza.)

da pele

nesses últimos dias, acho que dez ou mais, estive num certo hold. muito do que eu estive fazendo/sendo durante um certo período deu uma revirada. e eu me vi em praias de mim por deveras familiares, mas já incomodamente familiares. aí que começa o curioso da coisa. a sensação que eu tinha é que a onda que antes já me puxou e me fazia afogar (não no campo semântico do deleite, mas no do desespero) não tinha mais o muito efeito. ainda assim, ao invés de sair da praia, eu ficava ali e as ondas batendo e eu me moendo sem me mover.

eis que acabei por dar uma sacudida na areia toda e saindo de lá. mas hoje me peguei com a cabeça em movimentos analíticos que me levariam fácil fácil prum niilismo negativo. vou não, quero não, posso não, eu eu eu não deixa não.

(ainda nas praias, que estive pensando mais cedo hoje se eu queria sombra pra fugir do sol escaldante, ou se pá ficar moreno de leve, ou sem-cuidado ficar com a pele vermelha-ardendo)

resolvi escrever isso aqui e publicizar sei lá bem porque. mas tantas as vezes que não precisei dar motivos pro que faço, isso fica mais uma dessas. me acalenta saber que não é por necessidade, e sim por luxo. no melhor espírito SOU-RICAAAAA, vou dizer que só de luxos que quero viver.

bom, contudo, ainda assim, e mais ainda. é preciso seguir sem temer. onde as ondas levem. lá vejo o que faço. na medida do conforto, ou do almejado, e é bem isso.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

sobre esse antigo quemsoueu

se houver algum hardcore, que tendo a achar que não há, só as palavras se modificam.

como não há, as palavras se modificam, e fazem as ondas dos mares do fundo, como a imagem da camada mais profunda de Inception, se moverem em outros ritmos. que é tudo feitiçaria, bem aprendi.

um antigo, de sei lá quando, quemsoueu do orkut

umas três frases legais em meio a um punhado de nonsense e asneira, um apetite voraz seguido de muitas horas de quase jejum, uma empolgação doentia que me fode grande volta-e-meia e uma busca por alguma paz (e um certo êxtase, se não for pedir demais), uma alternância entre vontade de compartilhamento de moço e uma preguiça de velho, um jeito brincalhão mais um medo de rir (e de chorar), um algo pr'um bolero e um outr'algo pr'uma salsa (mas não nos limitemos às latinidads, certo?).