terça-feira, 17 de maio de 2011

de um chão qualquer

Insetos devorando meu corpo.
Insetos devorando meu corpo,
roubando todo meu sangue,
e eu ainda vivo, aos poucos,
rumando à morte.

A morte, já velha,
ainda tem piedade de nós,
de alguns de nós,
mas a queremos com toda a força
de dentro de nosso tutano.

Eu coçava minha perna e sentia
que em cada poro meu eu fazia
com que o veneno descesse mais fundo.
Eu era um colaborador,
um sicofante.

Quando me levantei e eu
parecia uma peneira pensei
e disse a quem quisesse ouvir que
não chegassem perto de mim, tão perto,
que eu não sabia o que poderia vir.

Não seria surpresa, surpresa nenhuma,
se de repente de mim eu começasse a escorrer
um belo terremoto fendendo a terra
e enchendo tudo de pavor e magma.

Não seria surpresa, supresa nenhuma,
se de repente de minha boca eu começasse
a proferir a língua dos anjos e ainda
dos extraterrestres que são nossos pais.

Oh pais, não nos busquem,
não temos nada a dizer.
Ficaremos para sempre
deixados para trás
na porta da escola.

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