sexta-feira, 15 de abril de 2011

de dentes

minha boca
me fez dizer
que eu preciso
fazer doutro jeito
ou senão
pode ser
que aos quarenta
aliás não
sessenta
-
quando rola
mesmo
a baixa hormonal
que não sei?
-
perco os dentes
todos
e daí?
que se foda?
que fica mais
fácil
pra boquetes
mas a
miséria
toma o
pobre
pela boca
que sou
peixe fisgado
que me matou
o que mais
quis
de que boca
que veio
o que vai
me deixar sem
boca?
me conta assim
aproveitemos
que ainda tenho
dentes
e todos
aqueles sonhos
deles se
quebrando
como vidro
caindo na pia
de porcelana
branca
de minha casa
não a minha
a de meus pais
merda de genes que
tenho
é o que
tenho
a dizer
que fazem
que minha boca
meu eu
meu hálito
tenha cheiro
de morte ou
fezes
ou de
composição
expressionista
rococó
porra nenhuma
cocoricó
a morte
você
gatinha
me tomando
pela boca
não é?
me faz
ver assim
que sou mortal,
caralho.
quem precisa?
eu renego.
acender um
cigarro
e estourar
o que resta
do resto
das gengivas
não é?
que de
dentes
quem precisa?
quem precisa?

Nenhum comentário: