segunda-feira, 25 de abril de 2011

tudo e todos

meu eu que era
corpo
prostrado
em lençóis de enfermaria
brancos

próxima à direita uma
tina
água
límpida não era deus pai todo
poderoso

e ao alcance da
mão
cansada
com um pano já um tanto
gasto

anos que não vejo
alguém
mesmo
que uma pobre velha
dama

olhos pro lado de
fora
enquanto
crescente vai a noite vai rugindo
azul

oh que cadê você
aqui
somente
se couber um resto que seja
doce

oh que não sei
você
premente
nem que um mais
apelo

domingo, 24 de abril de 2011

a letra que tem seu nome

que eu tenho
que tomar
tanto cuidado

que será
que rola
de viciar?

ainda bem
que nem é coisa
de uma dose só

mas nem é
difícil de
derrubar cavalo

com um pouquinho de
nada você
me botou no chão

com muito de
alguma coisa bonita
pode pisar em mim

será como que
vai ser dessa
vez?

vem pra cá.
agora.
aliás, não.

se saber
cínico &
cético

que salvo que
estou de tudo quanto
desnecessário

por menos ou por mais
já fiz
mas deixa

mas eu lembro
da sua cara
de idiota

e é só
de idiotices
que esse doce é feito

verdade é que
se já rendeu
uma poesia

dá pra dizer
assim assim
que tá valendo

pela noite
que seja
pelo nada

sábado, 23 de abril de 2011

rios

sim, eu te comeria,
e te comeria,
e te comeria,
só pra ter o que fazer.

sim, sim, sim senhor,
eu te comeria.

e digo isso só pra
ocupar espaço
que isso aqui tá
um marasmo da porra.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Tábula Russa

Vou tomar um chá,
vou dar uma bola,
vou sei lá o quê;

Se tu quer, vem, que eu tou aberto,
assim, braços, as pernas,
a boca,
mesmo que calado,
e com um sorriso
cínico.

Deixei o que era em mim
claro
abandonado no piche.

Mas vem cá,
senta do lado,
tranquilo,
escuta uma música,
A gente ainda pode rir do céu azul.

Tenta não precisar de mim,
que eu tou tentando não
precisar de você.
Pra variar e amém,
que essa ladainha é sempre
a
mesma.

Ou nem tanto,
ou quase muito,
fio de cabelo no papel
que é risco
que é fio
que é risco
que é fio.

De uma partícula-onda
fiz um bordado
de ouro e pedrinha
vermelha.

Não acho que precise
ainda pensar se
acesa há
uma centelha.

Mas fica comigo,
se rolar.

Que tônus faz
meu dedo em riste
pra isso tudo?

Que tônica faz
meus dedos em teste
pra isso tudo
escorrendo deles...

Que tanto de calor
é preciso
pra aquecer
uma noite
como essa?

Talvez,
seja bem melhor
tremer até
estourar.

Mas vou estar sorrindo pra você,
porque te amo.

(e dentro de mim,
a menina pediu dinheiro antes mas
acendeu todos os fósforos que
tinha de vender e isso
é tão triste mas
é só ficção,
tolinho)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

de dentes

minha boca
me fez dizer
que eu preciso
fazer doutro jeito
ou senão
pode ser
que aos quarenta
aliás não
sessenta
-
quando rola
mesmo
a baixa hormonal
que não sei?
-
perco os dentes
todos
e daí?
que se foda?
que fica mais
fácil
pra boquetes
mas a
miséria
toma o
pobre
pela boca
que sou
peixe fisgado
que me matou
o que mais
quis
de que boca
que veio
o que vai
me deixar sem
boca?
me conta assim
aproveitemos
que ainda tenho
dentes
e todos
aqueles sonhos
deles se
quebrando
como vidro
caindo na pia
de porcelana
branca
de minha casa
não a minha
a de meus pais
merda de genes que
tenho
é o que
tenho
a dizer
que fazem
que minha boca
meu eu
meu hálito
tenha cheiro
de morte ou
fezes
ou de
composição
expressionista
rococó
porra nenhuma
cocoricó
a morte
você
gatinha
me tomando
pela boca
não é?
me faz
ver assim
que sou mortal,
caralho.
quem precisa?
eu renego.
acender um
cigarro
e estourar
o que resta
do resto
das gengivas
não é?
que de
dentes
quem precisa?
quem precisa?

sábado, 9 de abril de 2011

lost in translation

depois de uma noite louca de balada e um começo louco de manhã em casa, acabei por acordar aproximadamente às 17horas e emendei num almoço gostoso e pesado. fiquei me sentindo um elefante prestes a desmaiar, mas detalhe. risos. aí que agorinha comi temakis e fiquei pensando naquela história do: ah, eu acordo, daí eu como muito, daí eu durmo de novo, aí eu ri de novo, risos, muitos risos.

bom, tava passando O Diabo Veste Prada que me passa uma ligeira sensação de clássico da década 00. por vários motivos. mas um clássico num nível mais banal, claro. nada como, por exemplo, Lost In Translation, que assisti logo depois.

sou louco por Lost In Translation. gosto demais das habilidades de direção de milady Coppola, das atuações e logo caracterizações dos personagens de Johansson e Murray, do fato de se passar em outro país, e tratando dos problemas de tradução, comunicação, entendimento.

não se entende bem o próximo, não se entende bem a si mesmo, e ainda assim se tenta. em diazinhos quase banais, em festinhas, que seja, vendo um filme, bebendo drinques, num banho de banheira, ouvindo uma fita de auto-ajuda.

o filme me toca dum jeito de mexer dentro. gosto tanto da sensação. terminei querendo viver. gosto tanto dessa sensação.

além do que voltar ao brasil tá sendo deveras estranho. deveras muito. em tantos sentidos. bom em muitos, ruim em muitos. é isso aí...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Saturnália Praesses Tempos

É que era assim que eu te disse que era preciso, que invertéssemos a linguagem.
Não com sanha de alcançar o real, chegar perto, mas para melhor abusar dele, fazer dele coisas feias, estupro e canibalismo.
Pra que esse tirano, esse demiurgo, veja bem qual o lugar dele ante nós todos. 
E servir os servos, é claro, que todos esses senhores de toga e cadeira possam lavar os pés dos mendigos com suas línguas. 
Escovem os dentes antes, 
que é pra estar tudo limpo e pronto. 

A grande lição por trás é a do tempo, que rumina os castelos e devora os bosques, 
para, 
enfim, 
como num engasgo, 
pegarmos que tudo se vira com a tranquilidade de uma roda de caminhão passando por cima das coisas. 

Muito acima, 
num insondável, 
que a gente até faz os traçados pra chegar nos inícios, 
mas é tão vão e banal dizer isso pra moça que morreu ou pra família agora sem honra. 

Mas
cantiga
se
Todos os reis do mundo já foram escravos e ainda serão.