sexta-feira, 11 de março de 2011

Rola?

Ei cara, diz aí,
Você pode me salvar?

Se precisar eu pago.
Não tenho grana não, mas pago.
Empenho o que for.
Prometo sete anos de trabalho.
Posso mudar canais de lugar se tu quer.
Tudo que meu suor puder fazer
Pra você, te juro.

Qualquer coisa pra me tirar daqui.

Olha a janela dessa porra.
Tá embaçada. Mal se enxerga lá fora.
É quase como se não houvesse.

O ar tá morto.
Trouxeram rosas três semanas.
Uma última pessoa que veio aqui.
Como se eu estivesse doente.

Talvez, né?

É que faz muito frio.
Lá fora, e de novo, lá fora,
Todas as gentes, com as mesmas caras.
Li alguma coisa em algum lugar
da última vez que ousei dar um passo.

Não sei se foi no espelho.
Alguém tá me pregando peças.
Achei uma carta de baralho
no meio de um prato fundo de sopa.

Dizia, bem assim,
que esse ódio à vida vinha só
do tanto que se queria ela bem.

Ah, mas que porra é essa...?
Então se a gente pudesse amava tudo?
Que a felicidade, e ficar de papo pro ar, é bem
o que nos caberia se tudo bem?

Ou podemos pensar que,
vamos lá, pensemos juntos que,
você tá ouvindo o pensamento?,
eu perdi o meu.

Você se enfiou no meio da minha poesia,
seu filho de uma puta!
Saiba que essa coisa que
dobra e retorce meu braço
e me impede de me mexer
paralisado de dor em crises que duram
de cinco a sete minutos não sei quantas
vezes ao dia
- E que a gente chama de angústia existêncial aos domingos -
Não tem nada a ver com você, seu porra.

Então vamos lá,
Pensando juntos, atentos,
Podemos pensar que...
Que é só esse ódio que pode salvar a gente.

Não, o pensamento que era antes.
É que deus tirou a gente
daquele belo jardim
a troco de quase nada, né?
Então não adianta porra nenhuma.

Ou não.
Então cara.
Diz aí.
Você pode me salvar?

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